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"Os modos de vida inspiram maneiras de pensar, os modos de pensar criam maneiras de viver" Gilles Deleuze
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Quinta-feira, Novembro 12, 2009
Estou formalmente aderindo à campanha "Madonna para reitora da UNIBAN". Una-se, você também, a essa causa.
1:51 PM
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Terça-feira, Novembro 10, 2009
O meu melhor momento é quando meu fracasso quebra suas expectativas a respeito de minha pessoa. A minha maior liberdade está em ninguém esperar muita coisa de mim. Assim, livre das amarras alheias, faço minha própria dança sem querer ser ideal para ninguém.
3:51 PM
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Domingo, Outubro 25, 2009
Meu Amigo Pedro
Composição: Raul Seixas e Paulo Coelho
Muitas vezes, Pedro, você fala
Sempre a se queixar da solidão.
Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro.
É pena que você não sabe não.
Vai pro seu trabalho todo dia
Sem saber se é bom ou se é ruim.
Quando quer chorar vai ao banheiro.
Pedro as coisas não são bem assim.
Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno.
Pedro, onde você vai eu também vou;
Mas tudo acaba onde começou
Tente me ensinar das tuas coisas
Que a vida é séria, e a guerra é dura.
Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura.
Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
Quando os dois pensavam sobre o mundo.
Hoje eu te chamo de careta, Pedro;
E você me chama vagabundo.
Pedro, onde você vai eu também vou;
Mas tudo acaba onde começou
Todos os caminhos são iguais;
O que leva à glória ou à perdição;
Há tantos caminhos, tantas portas,
Mas somente um tem coração.
E eu não tenho nada a te dizer,
Mas não me critique como eu sou.
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou
Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou.
10:09 PM
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Sábado, Outubro 24, 2009
Quando acreditamos que os anjos caem, estamos supondo a existência de um céu de onde eles desabam. Assim, pressupomos igualmente que a plenitude seja um lugar alcançável e possível àqueles que bravamente se comprometem a atingi-la e de lá não mais caírem.
Porém, e se supormos que os anjos caem pelo fato de que não há plenitude que os sustente no céu?! Que não há qualquer lugar estável no céu?! Que nem mesmo exista céu?! Assim, os anjos já nasceriam caídos, desabados por sonhos de plenitude, de pureza e de essência que nutrem no peito. Não teriam sido expulsos de uma plenitude, mas sim caídos pela constatação de inexistência desta. Assim os anjos, com suas “boas intenções” de (re)tornar a um céu Pleno que nunca habitaram, acabariam por produzir infernos de angústia e ressentimento e mágoa contra a vida do dia-a-dia na qual labutam.
Assim, também todos os salvadores ambicionam ter gestos angelicais no fomento de promessas que indicam o alcançar de uma terra prometida sonhada. E, para isto, muitas vezes guerreiam contra a dinâmica híbrida da vida, convocando idealisticamente a figura dos ícones pioneiros que servem como símbolo da essencial pureza nunca apalpada: Hugo Chaves grita por Bolívar, os norte americanos gritam por uma tal liberdade, Hitler grita pela alma ariana, os colonizadores espanhóis gritavam pelo cruscificado, os comunistas gritam por Marx, Lenin.
Quanto a nós, anjos caídos que sabemos que o céu que procuramos só existe em nosso desejo de fuga dos encontros do dia-a-dia, gritamos pela coragem de conseguir inventar a vida no cotidiano.
7:38 PM
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Sexta-feira, Outubro 09, 2009
Caminante no hay camino
Antonio Machado
Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.
Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse...
Nunca perseguí la gloria.
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...
Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso.
12:40 AM
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Sábado, Outubro 03, 2009
Minha tribo sou eu (Zeca Baleiro)
Eu não sou cristão.
Eu não sou ateu.
Não sou japa, não sou chicano,
não sou europeu.
Eu não sou negão.
Eu não sou judeu.
Não sou do samba nem sou do rock.
Minha tribo sou eu.
Eu não sou playboy.
Eu não sou plebeu.
Não sou hippie, hype, skinhead,
nazi, fariseu.
A terra se move,
falou Galileu.
Não sou maluco nem sou careta.
Minha tribo sou eu...
1:38 AM
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Quarta-feira, Setembro 30, 2009
O rigor e o refinamento intelectual são as condições para um pensamento que se quer livre e desregrado
10:19 AM
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Segunda-feira, Setembro 21, 2009
Talvez o principal movimento a ser feito por cada um de nós não seja mais o de interpretar as coisas a nossa volta, mas sim o de inventar o que ainda não existe e que, por isso mesmo, não é passível nem mesmo de interpretação. Vejo grandes ensaios explicativos sobre o modernismo, o pós-modernismo, o marxismo e estes “ismos” todos que tentam enquadrar a vida..., mas quase nada ouço sobre a surpresa de se criar um novo som que não se encaixa em lugar algum; quase nada ouço sobre a surpresa de se inventar um jeito de olhar que não se apresenta garantido nas interpretações da realidade. Quando só podemos pensar a partir do já pensado e interpretado e explicado..., o mundo fica pobre e pequeno.
9:49 AM
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Domingo, Setembro 20, 2009
Quem tem consciência para ter coragem?
Quem tem a força de saber que existe?
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste?
Quem não vacila mesmo derrotado?
Quem já perdido nunca desespera?
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera?
(Secos & Molhados – Primavera nos dentes)
11:00 PM
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Sábado, Setembro 19, 2009
A cópula marca misturas, hibridações; marca a possibilidade do surgimento de outros regimes de alteridade e de uma novidade não totalizada. Mas na cópula também há riscos de doenças venéreas, ejaculações precoces, impotências, frigidez. As cópulas igualmente são consideradas pecaminosas dentro de determinados regimes de saber que estabelecem o rótulo de pecado a tudo aquilo que possa trazer uma vivência desestruturadora em sua novidade e prazer. Há também, para além das cópulas , gestações que não vingam, e, se vingam, correm sempre o risco de fazerem surgir surpresas. Cópula-gestação-conhecimento é uma aventura perigosa, mas necessária à vida..., em todos os sentidos que esse conceito possa conter. O conhecimento condenado à morte é aquele que não se aventura nas misturas e nos contágios. Ilha-se da existência e, assim, condena-se a uma abstinência copular que não produz filhos; não inaugura ramificações; não alastra influências.
6:17 PM
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Quinta-feira, Setembro 17, 2009
Nem bom, nem ruim.
Nem certo, nem errado.
Nem bonito, nem feio.
Apenas diferente...
Sublimamente diferença.
5:00 PM
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Domingo, Agosto 30, 2009
Algo que ouvi há pouco tempo e que achei interessante:
Não importa onde me plantem, sempre vai nascer flor
12:19 AM
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Sábado, Agosto 29, 2009
Duas sensações muito estranhas e parecidas, geradas por fatos extremamente antagônicos, me atropelaram há algum tempo. A primeira foi quando tive que assinar o atestado de óbito de meu pai. A outra foi quando fiz o registro de nascimento de minha filha.
Uma grande estranheza tomou conta de mim nesses dois momentos. No primeiro, como é que uma pessoa que estava viva há alguns minutos, do meu lado, agora não mais existia? No segundo, como é que uma pessoa tão inédita, uma novidade tão absoluta, passa assim, tão de repente, a existir no mundo e a fazer parte da minha vida?
Um me assustou pela ausência do que sempre foi presente..., o outro me assustou pela presença do que antes não existia.
11:45 PM
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Sexta-feira, Agosto 28, 2009
Gosto desses amores que não se sustentam como eternidade e desses sonhos que desabam sob a pressão do dia-a-dia. Aprecio muito filmes que não têm final feliz e que me deixam a pensar, afetado pelas emoções daquele fim. Não que eu ache que a vida seja cruel e que sua crueza deva ser mostrada em todos os lugares. Mas também não aprecio vida iludida; vida fingida em fantasias de "prá sempre" ou de "sou especial". Gosto do gosto dos anti-heróis, daquilo que morre porque está vivo e dessas pessoas que são boas sendo também tão más. Gosto de gente, de ser humano, e não desses espantalhos armados no meio do campo da vida, se achando muito especiais em suas vestes que se decompõem pouco a pouco ao sabor do sol, da lua e do vento.
12:38 AM
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Quinta-feira, Agosto 13, 2009
Quero ser livre como um passarinho, mas também quero a segurança e a certeza do meu ninho.
Como sair desse dilema?
7:08 AM
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Terça-feira, Julho 21, 2009
Hoje minha mãe está internada em um hospital com suspeita de pneumonia. Hoje tive a notícia que um dos meus cachorros está com um tumor cancerígeno na orelha. Meu carro foi para a oficina para consertar um vazamento no setor da direção hidráulica e me anunciaram o preço da facada. Minha impressora pifou. E o mundo gira, e a vida segue..., nos pedindo coragem para o próximo dia...
7:46 PM
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Fui escolhido como professor homenageado pelo curso de Pedagogia e pelo curso de Secretariado Executivo da Universidade Federal de Viçosa. O pessoal do Secretariado Executivo, porém, me comunicou através de um e-mail que eu pouco acesso e, achando que eu não havia aceito o convite para ministrar a “aula da saudade”, passaram o bastão para outro professor. Mas fiquei feliz por terem lembrado de mim. Quarta-feira agora dou a aula da saudade para os alunos da Pedagogia. E eu nunca sei ao certo o que eu digo nessas aulas..., aulas simbólicas que representam o último momento de sala de aula na graduação que os alunos têm. Gosto desse tipo de homenagem, a de professor da aula da saudade, porque a considero a melhor homenagem que um professor pode receber. Por sua vez, a sinto também como uma responsabilidade muito grande, em um momento de muita emoção por parte dos alunos. Espero não decepcioná-los, pois é sempre fácil de decepcionar aqueles que nutrem muitas expectativas.
12:08 AM
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Sábado, Julho 18, 2009
"Velhos amigos se vão, novos amigos chegam.
É como os dias: os velhos se vão, os novos chegam.
O importante é torná-los cheios de sentido e significado:
tanto faz que seja um amigo ou um dia". Dalai Lama
8:54 AM
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Quarta-feira, Julho 15, 2009
Acabei de “terminar” um artigo para minha tese. Mais um. Acho que estou com cerca de 100 páginas escritas e devo me qualificar pelos próximos meses. E o mais interessante é que eu nem sei direito para onde estou indo em meio a essa centena de páginas. Aconteceu a mesma coisa quando eu estava fazendo meu mestrado. Quando me perguntavam, transcorrido um ano de estudos, a respeito do que eu estava pesquisando, não sabia explicar direito. Acho que uma tese, como a vida, não possui garantias de resultado nem certezas do caminho que trilhamos. Mas não podemos tirar o pé da estrada ou nos paralisar no meio da travessia. O jeito é seguir adiante. Neste artigo que “terminei” hoje, eu comecei pensando em um caminho argumentativo..., de repente me deparei falando de coisas que nem havia planejado falar..., e me perdi, ...., e remodelei tudo..., e me perdi de novo..., para encontrar uma outra rota de pensamento até então impensada. Repentinamente achei que estava em terreno argumentativo seguro..., para descobrir que ele havia me levado a um beco sem saída. Então, descartei parte do que já havia sido escrito e comecei de novo... e, enfim, terminei. Terminei??? Não sei... Obtive o melhor resultado que eu podia ter tido? Não..., mas também está longe de ser uma catástrofe. O mais prazeroso é a viagem realizada.
10:58 PM
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Terça-feira, Julho 14, 2009
Haja paciência!!! Gosto quando as pessoas conquistam as coisas: sejam bem materiais, sejam bens afetivos. A conquista de algo significa a existência de um empreendimento e igualmente de uma insistência (e persistência) na direção de algo. Não acredito, particularmente, que a vida tenha um sentido pré-definido ou um ponto final de acabamento; porém acredito que se não nutrimos sentidos e inventamos conquistas, corremos o risco de desabarmos em um perigoso “não” à existência. Inventar a vida é potência; construir objetivos e conquistar metas pessoais (e, se não as conquistar, pelo menos valorizar a qualidade do movimento desenvolvido) consiste igualmente em vitória. Mas, por favor..., não venha até mim enaltecendo as suas vitórias, conquistas e pertences e diminuindo os meus. Não me venha colocar em um jogo comparativo ou me fazer mero público para ficar te aplaudindo. Para isso eu não tenho paciência...,; muito pelo contrário, sou tomado por um desânimo terrível de estar junto a você. Quem só sabe reconhecer as próprias conquistas, mas desqualificar as alheias, não merece o empenho de minha amizade.
4:56 PM
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Segunda-feira, Julho 13, 2009
Preciso criar modelos, construções teóricas, concepções de vida... para me sentir seguro, mas não preciso transformá-los em moldes enrijecedores. Eu posso escolher ser de diferentes maneiras, inclusive maneiras contraditórias, sem ter que me impor um juízo final, uma definição última em termos de identidade. Sou o que você vê e sou muito mais (e muito menos) do que você pode enxergar.
7:42 PM
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Domingo, Julho 12, 2009
Eu te desejo, mas, entenda..., o que eu desejo não é você..., é mais que você. Desejo um mundo que sonho em você. Desejo muitos mundos que atravessam você. Desejo diferentes modelos de mulheres que passaram por minha vida e se encontram agora, neste instante, na sua pessoa. Você as contém, mas não as suporta. Por isso meu desejo é flutuante e, repentinamente, você pode não mais conseguir sustentá-lo. Quando te desejo, o faço a partir de aromas, sensações, frios na barriga, personagens de TV, amores sonhados e frustrados, delírios de criança que fui colecionando – consciente ou inconscientemente – durante minha breve história. Desejo você como uma montagem dos meus sonhos feitos de tantas coisas diferentes..., por isso nem sempre você caberá no meu desejo. Te desejo em meio a uma multidão de experiências, de montagens, de sonhos, de variações musicais que deposito na sua pessoa. Por isso o que eu desejo é mais do que você, apesar de se encarnar na sua pessoa. O que eu desejo é meu próprio desejo a se multiplicar...
9:50 PM
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Sábado, Julho 11, 2009
O QUE É BONITO?
Lenine
O que é bonito
É o que persegue o infinito.
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado;
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não.
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito.
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra.
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra.
Eu quero tudo
Que dá e passa.
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça.
O que é bonito...
3:12 PM
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VOCÊ E EU*
Você, que pensa em outra pessoa,
não vê que seu olhar cassoa desse sentimento que há em mim.
Você com seu sorriso contagiante; com sua alegria transbordante;
não vê o que me aconteceu.
Eu perdi o rumo do meu destino,
perdi minha esperança de menino
dentro do meu amor que morreu.
Eu, que voava junto a passarinhos,
caí em um abismo sem seus carinhos:
carinhos que fazem tanta falta a este corpo meu.
Nós, que tivemos momentos de sorrisos,
agora estamos cada um para um lado,
negando-nos palavras e abraços
ainda que sejam só de amigos.
Nós, que começamos tudo por acaso,
agora estamos de novo separados e partidos.
Você, triste por não possuir seu antigo amor passado.
Eu, triste por ter te perdido.
*versos de minha autoria, compostos em uma tarde de Domingo no mês de maio do distante ano de 1991.
2:17 AM
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Sexta-feira, Julho 10, 2009
É interessante como precisamos dos problemas para andar prá frente. Às vezes fico com medo de mim mesmo. Às vezes sinto que me acomodo dentro de determinado conforto e eu nem via que estava assim tão acomodado. Eu tinha um fusca que ganhei de meu pai. Quando casei e tive minha filha, ficar com um fusca não tinha muito jeito porque tudo ficava apertado demais e eu não tinha coragem de viajar longas distâncias com aquele carro. Comprei então um Monza 1994 que me serviu muito bem, até que as peças dele, todas originais, demonstrassem estar em estado de envelhecimento. O Monza é um carro muito bom, mas quando vc tem que trocar tudo que é original nele, significa que é hora de passá-lo para frente. Diante a esse problema, vendi o Monza e comprei outro carro: um Corolla, porque me falaram que carro da Toyota não dá problema. Porém tive problemas. Como minha casa não tinha garagem, alugava a garagem do prédio vizinho. Porém, alegaram que meu novo carro chamava muito a atenção e, com medo de que ele estimulasse a entrada de ladrões no prédio, me convidaram a sair. Fiquei com o carro novo estalando na rua, o que me forçou a construir uma garagem em um espaço que eu não tinha em minha casa. Hoje a garagem está pronta, com portão eletrônico e tudo mais. Foi então que fiquei pensando: se eu não tivesse tido filho teria comprado o Monza? Se o Monza não tivesse desgastado, teria comprado o novo carro? E se eu não tivesse sido expulso da garagem que alugava, teria construído a nova garagem?
Por isso que penso que nossos problemas são pequenas dádivas: nos forçam a dar um passo para além do comodismo.
8:26 PM
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Quinta-feira, Julho 09, 2009
Será que Sarkozy está rindo do fato de Obama parecer ficar seduzido pela ameaça vermelha? Nada como uma saia bem torneada para virar a cabeça de presidentes :-)
Assista aos comentários do pessoal da ABC News norte americana sobre esse fato aqui:http://abcnews.go.com/video/playerIndex?id=8049121

7:21 PM
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Quando as coisas parecem sem saída; quando as possibilidades se esgotaram; quando a impotência da circunstância toma conta de seu dia...; o desespero não vai te levar a lugar algum. Na tempestade, na crise, no conflito, é sempre importante estar inteiro, munido do melhor de suas forças. O desespero solapa nossas energias e obscurece nosso foco de atenção. É quando tudo está desabando que nossos sentidos necessitam de maior acuidade. Quando a impotência toma nossos dias é que precisamos cultivar nossa potência de inventar a vida. Não fuja da existência e de suas responsabilidades como uma criança mimada; nem fique perdendo preciosas horas lamentando o que deveria ter sido. Se você só existe no agora, é apenas no agora que você poderá tomar efetivas atitudes para atenuar as consequências das tempestades.
10:24 AM
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Quarta-feira, Julho 08, 2009
Há um grande problema quando nos aventuramos a sonhar. Nós achamos que só seremos felizes e realizados se tais sonhos se materializarem dentro do período de nossa história de vida. Parece que nossa felicidade é computada pela quantidade de sonhos que realizamos... o que pode ser uma proposta um tanto perigosa. Muitos dos nossos sonhos ficarão pelo caminho e nem por isso podemos dizer que teremos vidas mais infelizes dos que aquelas que idealizamos oniricamente. Tentar concretizar sonhos é importante, mas também assumir as possibilidades de vida que se tem no presente – mesmo que estas não se traduzam dentro do nosso sonhar – é igualmente de extrema importância. Vidas potentes não são necessariamente aquelas que se sustentam na incerteza de um futuro sonhado, mas na força da vida exercida, praticada, respirada e sentida no agora. O nosso desafio é habitar o presente e fazer do mesmo um dia que valha a pena. Se nesse habitar conseguimos igualmente materializar os sonhos, isso é outra história. O mais importante é não deixar que os sonhos nos alienem no que podemos efetivamente fazer com o que temos agora em nossas mãos.
9:44 AM
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Terça-feira, Julho 07, 2009
Michael Jackson morre. E seu funeral parece ser seu último grande show. E daqui a alguns anos, ele estará “esquecido” enquanto ser humano para se tornar um mito. É sempre bom criar mitos pois eles são os substitutos modernos dos santos medievais e heróis gregos. O homem inseguro, que rejeitava entrar na maturidade, que rejeitava a si mesmo, tomado por uma ânsia de perfeição que o fez deformar seu próprio corpo e, por fim, matá-lo,... esse homem desaparecerá e ficará em cena..., num eterno palco petrificado..., o pop star. Mas se Michael Jackson pode ser definido como um símbolo, penso que não o faz necessariamente como um modelo de músico, mas sim como um modelo da angústia humana de querer sempre mais, na busca de um tipo de ideal que só existe no plano da fantasia e que cobra seu preço – um alto preço – a todos aqueles que acreditam poder atingi-lo.
9:39 AM
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Domingo, Julho 05, 2009
WATCHMEN
Li Watchmen (uma história em quadrinhos) pela primeira vez em 1986, quando tinha 15 anos. Fiquei assustado e encantado com a criatividade narrativa do escritor Alan Moore. Até então não havia lido - em termos de quadrinhos - nada como essa história, que possuía uma crueza, uma profundidade argumentativa e montagens narrativas que até então em nunca encontrara e, até hoje, considero raro de achar. Considerado por muitos anos infilmável, Watchmen foi trazido às telas de cinema em março de 2009 em meio a muita polêmica. Muitos o acharam profundamente tedioso, longo (a versão de cinema tem mais de duas horas e meia de duração) e violento. Agora, escrevo sobre Watchmen muito tempo depois de o filme ter sido lançado nos cinemas. Acompanhei o frisson do lançamento, e toda a enxurrada de elogios e ferozes críticas ao filme. Acompanhei também a decepção financeira que ele se tornou, quando se esperava que a antológica história de Alan Moore conseguisse ser tão degustativa quanto um saltitante Homem-Aranha, ou uma pancadaria generalizada como Transformers, X-Men III, Velozes e Furiosos ou Wolverine. Foi depois de tudo isso que apenas ontem eu tive a oportunidade de assistir a esse filme... E fiquei impressionado com o que assisti. Efetivamente não é um filme para ser visto por aqueles que querem ação desvairada e historinha linear com heróis lutando contra um vilão, onde tudo termina com final feliz. Watchmen coloca em cena diálogos que nos remetem a problemáticas humanas e não se resume a pancadarias. Mais que uma mera ficção científica, cabe perfeitamente dentro da categoria de drama. Isso deve ter decepcionado milhares que foram ao cinema assistir a um filme de ação vertiginosa. Há ação, há muita violência, porém o centro da história não se sustenta nisso. Há questões morais colocadas em cena que são muito mais atraentes. Fiquei chocado com o quanto o diretor conseguiu conduzir a história de maneira tão próxima ao que foi feito nos quadrinhos, preservando tudo o que vale a pena em Watchmen. Sugiro que, antes de se assistir ao filme, se assista ao documentário "Sob o Capuz" (encontrado no DVD "Contos do Cargueiro Negro"), o que produzirá uma sensação de familiaridade com o universo de Watchmen análogo ao que se sente quando se lê "Sob a Máscara", tal como foi publicada em meio à história em quadrinhos. Para maiores (e melhores) informações, clique AQUI
3:03 PM
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Terça-feira, Junho 23, 2009
Eu não tenho idade. São outros que me conferem as idades que tenho, as quais são referendadas pelo relógio ,ou pelas estações do ano, ou pela intensidade de minhas rugas, a rareficação dos meus cabelos. Mas as idades que me impõem são ficções dentro das quais querem me enquadrar: a um tipo de conduta adequada e esperada para cada ciclo de idades. Mas eu não sou de uma só idade porque sou atravessado por diferentes ritmos de tempo. Sou criança no mesmo ato em que me torno compenetrado adulto. Sou jovem no mesmo momento em que uma velhice me enrijece os sentidos. Não me acorrentem, pois, em definições uma vez que não me encaixo no tempo. Se habito determinado momento histórico – com todos os seus modelos de conduta e modos de organizar a vida – também habito a eternidade, a qual não significo como sendo um tempo que não termina mais, mas sim uma completa ausência de tempo, o que fez com que Hermann Hesse dissesse que a eternidade, por não conter tempo algum, cabe em um suspiro. Vivo no instante de um suspiro, onde todos os tempos se encontram.
"O hoje é apenas um furo no futuro por onde o passado começa a jorrar" .
Raul Seixas
12:00 PM
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Domingo, Junho 21, 2009
E de repente eu paro no meio de uma rua movimentada. Tudo é movimento ao meu redor. Pessoas, carros, charretes, bicicletas, animais, sons... São movimentos imperceptíveis pelo exato fato de serem tão evidentes e diários. Mesmo eu ali, parado na rua, não estou parado: coração bate, sangue flui, nervos reagem..., meu corpo só existe no movimento, na dinâmica. Tudo se move em mim, na cidade, no universo. Tudo pulsa em mim... e não há jeito de parar e não há modos de eu ficar isolado de tudo isso ou de me isolar da vida. O movimento que me constitui é o mesmo que vitaliza tudo isso. Estamos todos unidos nesse pulsar, nesses ritmos e cadências que não cessam nem na morte.
10:30 AM
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Sábado, Junho 20, 2009
Eu sempre me pergunto o que significa "aproveitar a vida". Tanta ânsia encontro nas pessoas que querem aproveitar a existência como se ela fosse um bolo a ser devorado com rapidez e voracidade: viver intensamente os amores, intensamente a velocidade, intensamente o momento. Deve cansar tanta intensidade. Prefiro uma vida mais suave. Sem tantas correrias ou deslocamentos. Uma vida onde saborear longamente uma bala, uma flor ou uma pessoa, sem pressa, sem necessidade de conclusões, já pode ser de uma intensidade sem ânsia, sem medo de fim, sem necessidade de consumo desesperado por sensações diferentes, por novidades contínuas...
11:12 PM
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Sexta-feira, Junho 19, 2009
Estou escrevendo um artigo para meu doutorado. Na verdade é um capítulo de minha tese. É um artigo em que tento falar sobre grupos, sobre práticas grupais, sobre invenção, sobre o uso da máquina como metáfora para se referir a grupos e, principalmente, sobre como produzimos os grupos que igualmente nos produzem. Viajo por muitos referenciais teóricos, que passam da cibernética à termodinâmica distante do equilíbrio, e vou para a biologia, dando voltas em torno da filosofia, da sociologia e da psicologia. É um imenso quebra-cabeça que tenho nas mãos onde eu tenho uma certa idéia do que quero dizer, mas não sei ao certo como eu farei isso e como todas essas peças farão relação. Escrevo várias páginas que podem, repentinamente, serem descartadas ou conectadas a outras partes do texto por mim ainda não pensadas. Sigo por caminhos que de repente se revelam becos sem saída ou, de repente, encontro amplas avenidas de reflexão que eu nem tinha pensado em tomar. É um tipo de trabalho que considero semelhante a um escultor ou a um pintor, no seu trajeto de fazer experimentos com o mármore e com as tintas no mesmo instante em que resenha sua obra, em que dá corpo e vida a sua arte. Gosto de escrever porque nunca sei o que vai sair e sempre aprendo com as coisas que produzo..., sempre há algo a ser descoberto em meio àquilo que escrevo porque estou dialogando nas margens de minha própria ignorância. A gente não aprende nada andando só sobre o solo conhecido; é preciso tocar seu desconhecimento, sua própria ignorância, para poder falar algo novo pelo menos para si mesmo. É isso que me encanta nesse texto que estou escrevendo à beira de meu não saber.
7:45 PM
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Quinta-feira, Junho 18, 2009
Acordo às 6:15 da manhã. Vou prender o cachorro no canil. Tomo banho. Levo minha filha para a escola. Vou trabalhar..., tudo parece meio rotina; tudo parece verdade no mundo que vivo. Mas ao mesmo tempo sei que as verdades são transitórias. Elas existem somente dentro de um espaço de tempo. Minha rotina era completamente outra há quinze anos. Outros ritmos que me pareciam igualmente verdadeiros e imutáveis agora não passam de lembrança. A vida passa e minha história vai tendo delineamentos diferentes, mesmo parecendo que o mundo está sempre igual. E de repente, abro os olhos e reparo que, mesmo sendo igual todos os dias, hoje é diferente do que era antes. Como isso pode acontecer? É incrível como, a partir da rotina, a vida muda e nem percebi onde foi o ponto de bifurcação que fez nascer esse outro dia-a-dia que me parece assim tão igual... e ao mesmo tempo drasticamente diferente a mundos outros que fiz para mim; a mundos outros que habitei..., e que pareciam tão imutáveis... e que não mais existem ou retornarão.
10:40 AM
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Quarta-feira, Junho 17, 2009
Estava vendo no Youtube algumas músicas de Marcelo Camelo e me encontrei com as músicas de Mallu Magalhães (parece que os dois têm um caso amoroso). Assisti à primeira apresentação dela no Altas Horas e lá estava uma menina de quinze anos, tímida, com falas quebradas, riso nervoso, em uma postura costumeira de adolescentes da idade dela quando expostos em público. Até aí, tudo bem. Todavia, observei naquela menina uma coragem que me encanta: a coragem de se expor, apesar do medo dessa exposição. Ela apresentou no programa uma música de sua própria composição, em inglês, cantando e tocando um violão, ao vivo, além de tocar gaita juntamente com o violão. A letra da música era consistente, assim como era sua expressão musical. Ela era a autora de suas letras, de suas músicas e encarnava um modo de ser próprio frente às câmeras. Não era uma farsa, era uma espontaneidade que transparecia também uma ingênua genuinidade. Comecei, então, no próprio Youtube, a pesquisar a respeito das apresentações musicais da menina e fiquei impressionado com a quantidade de comentários negativos ao trabalho dela que se elencavam abaixo dos seus vídeos. Eram críticas e mais críticas negativa, seguidas às vezes de palavrões contra a Mallu, sem nenhuma fundamentação maior, dedicadas a desqualificar uma adolescente corajosa que, assumindo seu próprio modo de cantar e compor, ousou não se enconder dentro de sua própria timidez. É incrível como tentamos destruir aqueles que são mais corajosos que nós..., é incrível como desejamos que compartilhem de nosso medo e nunca ousem para além dos limites que impomos a nós mesmos. O meu maior temor não é ser derrotado, mas sim ter medo demais para nem mesmo tentar. Mesmo quando fracasso, fico ao menos satisfeito quando sei que fiz o meu melhor para dar certo. E todos os dias fico feliz em encontrar a ousadia de uma pessoa como Mallu Magalhães, me ensinando o quanto é importante seguir em frente, apesar de toda crítica àqueles que, não temendo novos caminhos, se atrevem a passos criadores de novos horizontes.
10:35 PM
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Domingo, Junho 07, 2009
O escritor Érico Veríssimo certa vez me disse, em uma manhã de Domingo de 1985, que "Você sabe muito bem que ninguém dura impunemente, e que o preço da sobrevivência é o envelhecimento". Concordo com ele. Quer ser jovem para sempre? Então morra jovem. Envelhecer faz parte de uma conquista no tempo, não apenas de uma derrota do organismo.
3:44 PM
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Quarta-feira, Maio 27, 2009
Avenida Q: "A vida só vai lhe ensinar uma coisa: você não é especial. NInguém é!". :-) Consolador!
3:18 PM
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Sexta-feira, Maio 15, 2009
Quando não há jeito de fazer o que é ideal, acho que vale procurarmos fazer o que é possível. Ficar preso só no ideal pode ser paralisante.
10:45 AM
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Quarta-feira, Maio 13, 2009
Não precisamos de salvadores do mundo, de ideólogos ou mártires, mas sim daqueles que ousem manter as portas abertas e abrir passagem...
9:55 PM
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Sábado, Maio 09, 2009
Hoje, no twitter do Leo Jaime, li esta interessante mensagem: "Já repararam que comédia não ganha Oscar de melhor filme e nem música alegre é considerada boa de verdade. Trabalho sério é trabalho triste". O engraçado é que muitos igualmente pensam que a vida, para ser considerada séria, tem que ser triste, amargurada, tomada pela verdade existencial de que, por morrermos, por termos um fim, por nossas ilusões desabarem, por nossos sonhos murcharem em algum momento, temos que nos acolher nos braços da melancolia.
6:37 PM
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Quinta-feira, Maio 07, 2009
"Nascer pode ser uma passagem violenta. O futuro se impõe; o passado não se aguenta" (Humberto Gessinger - Pose).
2:27 PM
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Sexta-feira, Abril 24, 2009
Dois pequenos trabalhos meus entraram on-line recentemente
Um no jornal Educação e Imagem (http://www.lab-eduimagem.pro.br/JORNAL) e outro no Portal Emprego & Renda (http://www.empregoerenda.com.br/). Neste último eu sou a carinha sorridente responsável pela "entrevista do mês"
9:24 AM
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Sábado, Abril 18, 2009
O que é ser livre? É fazer o que vem à mente? É se deixar levar com o soprar do vento? Não sei...
Um barco em alto mar entregue ao sabor das correntezas e que está à mercê do vento não está livre..., o que ele está é à deriva.
Liberdade é conseguir pegar no leme e levar o barco para onde você quer...; é tornar-se responsável pela sua trajetória.
4:44 PM
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Quarta-feira, Abril 15, 2009
Eu sugiro que você ouça esta bela canção abaixo na voz de Susan Boyle
em: http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo
Les Miserables - I Dreamed A Dream
There was a time when men were kind
When their voices were soft
And their words inviting.
There was a time when love was blind
And the world was a song
And the song was exciting.
There was a time ... then it all went wrong
I dreamed a dream in time gone by
When hopes were high and life worth living,
I dreamed that love would never die
I dreamed that God would be forgiving.
The I was young and unafraid,
When dreams were made and used and wasted.
There was no ransom to be payed,
No song unsung, no wine untasted.
But the tigers come at night,
With their voices soft as thunder,
As they tear your hope apart
As they turn your dreams to shame
He slept a summer by my side.
He filled my days with endless wonder,
He took my childhood in his stride,
But he was gone when autumn came.
And still I dreamed he'd come to me
And we would live the years together,
But there are dreams that cannot be
And there are storms we cannot weather.
I had a dream my life would be
So different from this hell I'm living
So different now from what it seemed
Now life has killed the dream
I dreamed.
TRADUÇÃO
Eu Tive um Sonho
Houve um tempo quando os homens eram amáveis
Quando suas vozes eram suaves
E suas palavras convidativas
Houve um tempo quando o amor era cego
E o mundo era uma canção
E a canção era excitante
Houve um tempo... então tudo deu errado
Eu tive um sonho num tempo que já se foi
Quando esperanças eram elevadas e valia a pena viver
Eu sonhei que o amor nunca morreria
Eu sonhei que Deus estaria perdoando
Então eu era jovem e destemida
Quando sonhos eram feitos e usados e perdidos
Não havia nenhum resgate a ser pago
Nenhuma canção desconhecida, nenhum vinho intocado
Mas os tigres chegaram à noite
Com suas vozes suaves como trovão
Tal como eles rasgam sua esperança em pedaços
Tal como eles transformam seus sonhos em vergonha
Ele dormiu um verão ao meu lado
Ele encheu meus dias de maravilha infinita
Ele fez da minha infância o seu êxito
Mas ele se foi quando o outono chegou
E ainda sonho com ele vindo até a mim
E nós viveríamos juntos os anos
Mas há sonhos que não podem acontecer
E há tempestades que não podemos desafiar
Eu tive um sonho que minha vida iria ser
Tão diferente deste inferno que estou vivendo
Tão diferente agora do que parecia
Agora a vida matou o sonho que tive
10:56 PM
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Sábado, Março 14, 2009
Estação das Perdas
Aila Magalhães
Há horas em nossas vidas
que somos tomados por uma enorme sensação
de inutilidade, de vazio...
Questionamos o porquê de nossa existência
e nada parece fazer sentido.
Concentramos nossa atenção
no lado mais cruel da vida,
aquele que é implacável
e a todos afeta indistintamente:
AS PERDAS DO SER HUMANO!
Ao nascer, perdemos o aconchego,
a segurança e a proteção do útero.
Estamos, a partir de então, por nossa conta.
Sozinhos.
Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente,
no momento em que perdemos algo,
outras possibilidades nos surgem.
Ao perdermos o aconchego do útero,
ganhamos os braços do mundo.
Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta,
nos eleva e nos destrói...
E continuamos a perder..
E seguimos a ganhar.
Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura nossa mão,
a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas
porque alguém ao nosso lado
nos assegura que não nos deixará cair...
E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar.
Por que? Perguntamos a todos e de tudo...
Abrimos portas para um novo mundo
e fechamos janelas,
irremediavelmente deixadas para trás...
Estamos crescendo.
Nascer, crescer, adolescer, amadurecer,
envelhecer, morrer, renascer(?). ..
Vamos perdendo aos poucos alguns direitos
e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem alto,
aos gritos mesmo,
quando algo nos é tomado contra a vontade.
Perdemos o direito de dizer
absolutamente tudo que nos passa pela cabeça
sem medo de causar melindres.
Assim: se nossa tia às vezes nos parece gorda
tememos dizer-lhe isso.
Receamos dar risadas
da bermuda ridícula do vizinho
ou puxar as pelanquinhas do braço da avó
com a maior naturalidade do mundo
e, ainda, falar bem alto sobre o assunto.
Estamos crescidos e nos ensinam
que não devemos ser tão sinceros.
E aprendemos.. .
E vamos adolescendo. ..
Ganhamos peso, ganhamos seios,
ganhamos pêlos, ganhamos altura....
Ganhamos o mundo.
Neste ponto, vivemos em grande conflito.
O mundo todo nos parece inadequado
aos nossos sonhos... Ah! E os sonhos!!!
Ganhamos muitos sonhos
Sonhamos dormindo,
sonhamos acordados,
sonhamos o tempo todo.
Aí de repente, caímos na real!
Estamos amadurecendo. ..
Todos nos admiram.
Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio,
a razão acima de tudo.
Mas, não é justamente essa a condição
que nos coloca acima(?) dos outros animais?
A racionalidade,
a capacidade de organizar nossas ações
de modo lógico e racionalmente planejado?(? ??)
E continuamos amadurecendo. ..
Ganhamos um carro novo, um companheiro,
ganhamos um diploma.
E desgraçadamente perdemos o direito
de gargalhar, de andar descalço,
tomar banho de chuva, lamber os dedos
e soltar pum sem querer...
Mas, perdemos peso!!!
Já não pulamos mais
no pescoço de quem amamos
e tascamos aquele beijo estalado...
Mas, apertamos as mãos de todos,
ganhamos novos amigos,
ganhamos um bom salário,
ganhamos reconhecimento, honrarias,
títulos honorários
e a chave da cidade...
E assim, vamos ganhando tempo...
Enquanto envelhecemos.
De repente percebemos
que ganhamos algumas rugas,
algumas dores nas costas (ou nas pernas),
ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso...
E perdemos cabelos.
Nos damos conta que perdemos também
o brilho no olhar,
esquecemos os nossos sonhos,
deixamos de sorrir...
Perdemos a esperança.
Estamos envelhecendo.
Não podemos deixar pra fazer algo
quando estivermos morrendo...
Afinal, quem nos garante
que haverá mesmo um renascer?
Exceto aquele que se faz em vida,
pelo perdão a si próprio,
pelo compreender que as perdas fazem parte.
Mas, que apesar delas, o sol continua brilhando
e felizmente chove de vez em quando.
Que a primavera sempre chega após o inverno,
que necessita do outono que o antecede...
Que a gente cresça e não envelheça simplesmente. .
Que tenhamos dores nas costas
e alguém que as massageie...
Que tenhamos rugas e boas lembranças...
Que tenhamos juízo
mas mantenhamos o bom humor
e um pouco de ousadia...
Que sejamos racionais.
Mas, lutemos por nossos sonhos...
E, principalmente,
que não digamos apenas eu te amo.
Mas, ajamos de modo que
aqueles a quem amamos,
sintam-se amados
mais do que saibam-se amados.
Afinal, o que é o tempo?
9:02 PM
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Sábado, Fevereiro 28, 2009
No final de 2007 tive a oportunidade de conhecer uma aluna, da turma de cooperativismo, chamada Suzane. Sempre fora muito participativa, politicamente engajada nas atividades do movimento estudantil da universidade, e percebi que ela se aproveitava bastante dos debates em sala em torno dos temas de revoluções moleculares, autogestão, movimento instituinte, etc. No final do ano letivo, ela me presenteou com um poema, desejando-me felicidade e bons vôos na vida. Reproduzo aqui as belas palavras de Suzane e desejo um ótimo vôo também a você.
Vôo para a liberdade
Quando o fardo da dúvida
Arrebata-te a força,
Quão desconhecida torna-se a terra em que nasceu
Só o pranto já seco como pedra
Faz companhia ao seu triste adeus
Não reflita, vá!
Voe pelo infinito e se atreva
Como desbravador de estrelas que sabe ser
E devore cruel a surpresa das descobertas:
Novidades são também ruínas do passado.
Sobrevoe os seus sonhos e entre eles se perca
Na verdade oculta nas dobras do limite
E não olhe para trás!
Siga o seu instinto, o insatisfeito...
Encontrando novas perguntas
Nas respostas que foi buscar
Como um pássaro no primeiro vôo,
Plane incerto sobre as nuvens
Supere-se, renegue-se, ame a liberdade!
Se permita vivenciar metamorfoses
E jamais deixe acomodar
Seu impulso de movimento
Ele devasta, recria, liberta
O ritmo do tempo que te amarra
Construa assim outra realidade
Se satisfaça e se arremesse
Só não sucumba à saudade,
Não consinta que ela seja mais forte
Que o seu suave bater de asas...
Suzane-Primavera 2007
1:56 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009
Somos como um rádio. Dependendo da freqüência na qual vibramos, transmitimos e captamos maneiras de sentir e viver. É necessário tomar cuidado com as estações nas quais nos sintonizamos diariamente, pois as músicas que escutamos - e igualmente aquelas que compomos - têm o poder de ditar o sentido e a intensidade dos nossos pensamentos, vivências e emoções
11:17 AM
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Terça-feira, Dezembro 16, 2008
Na cena final de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977), Woody Allen lembra uma piada antiga. Um homem diz a um psiquiatra: "Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha". O médico diz: "Então, porque você não o interna?". Ao que Allen responde: "Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos". À piada segue uma pequena, porém brilhante, reflexão: "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos, insistimos porque a maioria de nós precisa dos ovos".
6:52 PM
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Sexta-feira, Novembro 21, 2008
Uma família numerosa estava sentada à mesa, em uma noite de festa, conversando sobre os mais diferentes temas ao mesmo tempo, como é de costume quando muitas pessoas, tantos mundos singulares, se encontram para compartilhar a vida. Mas uma história chamou a atenção de todos: era o relato de uma viagem feita por um casal ali presente. Seria uma viagem simples, em um deslocamento entre duas cidades distantes apenas 120kms uma da outra; trajeto esse que qualquer pessoa faria, de maneira tranqüila, em duas horas. Todavia o casal relatou uma demora de dez horas para completar essa viagem. Perguntados a respeito do por quê de tanta demora, responderam que paravam para ver paisagens, visitar bares exóticos de beira de asfalto, colher plantas interessantes, passear por cidades que ficavam próximas ao trajeto original, etc. Todos ali os chamaram de loucos, riram daquela extravagância. Porém, aquele relato deixou no ar um conjunto de questões: será que eles não fizeram verdadeiramente uma viagem ao invés de um mero deslocamento entre duas cidades? Será que a viagem não seria aquilo que aconteceu entre as cidades? Chegar é obrigatoriamente o objetivo de uma viagem? Experienciar o trajeto, saborear o caminho não pode abrir a outros tipos de viagens diferentes daquelas planejadas e previamente contabilizadas no tempo?
11:17 PM
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Segunda-feira, Novembro 10, 2008
"O mundo inteiro é um circo
se você souber olhar para ele.
Como o sol se põe quando você está cansado
e nasce quando você levanta.
Isso é mágica de verdade.
O modo como uma folha cresce.
O canto dos pássaros.
Como o deserto fica à noite, quando a luz da lua o envolve.
Oh, meu garoto...
isto é circo bastante para qualquer um.
Sempre que você vê um arco-íris
e seu coração se maravilha com isso.
Sempre que você pega um punhado de areia,
e não vê areia, mas sim um mistério,
uma maravilha em sua mão.
Toda vez que você pára e pensa:
Estou vivo, e estar vivo é fantástico!
Sempre que algo assim acontece,
você é parte do Circo do Dr. Lao."
(Dr. Lao se justificando para um garotinho que pede para trabalhar no circo).
Do filme “As sete faces do dr. Lao”
5:59 PM
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Quarta-feira, Novembro 05, 2008
"O que determina o caráter de um homem? Um amigo meu me perguntou. São suas origens? O modo como ele nasce?
Eu não creio.
São suas escolhas. Não o como ele começa as coisas e sim como ele decide concluí-las"
Do filme Hellboy
4:28 PM
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Segunda-feira, Novembro 03, 2008
Através do Caminho
Susana Carizza
Impossível atravessar a vida:
Sem que um trabalho saia mal feito;
Sem que uma amizade cause decepção;
Sem padecer com alguma doença;
Sem que um amor nos abandone;
Sem que ninguém da família morra;
Sem que a gente se engane em um negócio.
Esse é o custo de viver.
O importante não é o que acontece, mas, como você reage.
Você cresce...
Quando não perde a esperança, nem diminui a vontade, (...).
Quando aceita a realidade e tem orgulho de vivê-la.
Quando aceita seu destino, mas tem garra para mudá-lo.
Quando aceita o que deixa para trás, construindo o que tem pela
frente e planejando o que está por vir.
Quando supera, se valoriza e sabe dar frutos.
Quando abre caminho, assimila experiências...E semeia raízes.
Você cresce...
Quando se impõe metas, sem se importar com comentários, nem
julgamentos;
(...)
Quando você cumpre com seu trabalho;
Quando é capaz de lidar com residuos de ilusões.
(...).
E assim se cresce.
4:39 PM
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Quarta-feira, Setembro 24, 2008
Os desafios estão aí o tempo todo. Atropelando, ferindo, fazendo querer desistir. E principalmente quando eles aparecem simultaneamente na dimensão afetiva e na dimensão profissional, aí sim dá a impressão que estamos sem saída. Mas há sempre saídas, mesmo que não sejam aquelas que visualizamos. Contaram-me a respeito de uma recente entrevista que a Folha de São Paulo fez a um diretor de cinema (do qual nao me lembro o nome), em que ele disse que quando jovem tinha muita esperança, agora, mais velho, aprendeu a ter paciência. É essa habilidade para a paciência que nos auxilia a não cair rapidamente no desespero quando nossas esperanças (e esperança deriva de espera, de expectativa) não se realizam como sonhamos. Quanto mais nos preservamos nesses momentos de crises, mais hábeis ficamos para aproveitar as oportunidades que surgem (algumas como um suspiro). Siga adiante sem desmerecer as conquistas que você realizou até agora. O importante é construir o que falta e não destruir o que sobrou.
12:55 PM
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Domingo, Setembro 14, 2008
Trecho do poema “a volta” de Gigi Damiani
A Vida não deserta, não descura
sua obra de eterna construção,
seja nos picos de perene alvura,
ou entre as coisas ínfimas no chão.
Plantações e consciências abrem flôres
para quem as cultiva com trabalho,
não há parto que não conheça dôres;
não há treva que não fuja de espanto
ao sol, nem gota trêmula de orvalho
que não seja, também, gota de pranto...
Tudo é luta; nada se perde, nada;
O êrro na experiência se compraz.
Refaçamos a terra devastada;
olhando só para frente, não prá traz.
DAMIANI, Gigi. A volta. Tradução de Valerio Sálvio. A Plebe. São Paulo, ano 30, n. 1, p. 2, 01 mai. 1947. (Nova fase).
3:50 PM
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Quarta-feira, Setembro 10, 2008
Hoje, na troca de linhas do metrô, entrei no trem errado e fui parar na direção oposta à que eu queria. Tive que ir até o final do ponto do metrô e uma senhora, ali, entrou no trem e eu perguntei a ela qual era a melhor opção: sair e mudar de trem ou permanecer dentro daquele mesmo vagão do metrô? Ela me intruiu que bastava que eu ficasse ali. E me perguntou: por que você pegou o vagão errado? É sua primeira vez no metrô?
Respondi que saí rápido do vagão da linha dois e corri para pegar o da linha 1..., e nisso acabei fazendo confusão, subindo no trem que ia na direção errada.
Ela, então, me respondeu: por causa da pressa uma vez caí no asfalto e uma pedrinha afundou na minha mão. Tive que fazer cirurgia, anestesia e tudo mais. Mas não aprendi, e em outro tempo, na correria, caí e fraturei meus dois joelhos. Hoje não quero saber de correr mais. Agora aprendi a ter paciência. Deixei a correria para aqueles que não aprenderam com os machucados e com as linhas erradas do metrô.
9:16 PM
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Terça-feira, Setembro 02, 2008
Texto da Martha Medeiros publicado na Revista do O Globo.
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se
isso é possível, me ofereço como piloto de testes'.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa
profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias,
ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana,decido
o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco,almoço
com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites,
procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas
contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista,
mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa,
providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões
ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as
unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas
coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta
Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e
lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria
modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa
expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito
durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se
não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye
vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda
lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar
qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para
si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo
para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de
discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco
dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para
receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um
abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro
que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente,
para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e
profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de
ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa
caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a
ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito
antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não
for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando
provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o
mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais
elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher
que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e
vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana
para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que
nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado
pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso,
francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que
uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto
lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco
estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma
vida interessante'.
10:19 AM
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Domingo, Agosto 24, 2008
"If you’re so funny
Then why are you on your own tonight?
And if you’re so dever
Why are you on your own tonight?
If you’re so very entertaining
Why are you on your own tonight?
If you’re so terribly good-looking
Then why do you sleep alone tonight?
I know it’s over."
The Smiths
4:49 PM
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Sexta-feira, Agosto 08, 2008
"Você sabe, todas essas coisas que nos cercam na verdade passam, passam todas elas..." Dudjom Rinpoche (no Livro Tibetano do Viver e do Morrer)
4:39 PM
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Sexta-feira, Julho 18, 2008
Ontem uma pessoa chegou prá mim e me disse que me daria três conselhos motivacionais:
1) O mundo é cruel e desigual
2) ... e vai ficar pior
3) ... muito pior
Entendi a mensagem. Em vez de se ficar tendo esperança (pois essa palavra deriva de "espera"), temos que agir sobre o mundo, construir nossa prática, fazer acontecer nossa vida ao invés de ficar esperando que ela chegue.
10:25 PM
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Segunda-feira, Julho 14, 2008
Penso que produzo um mundo feliz para mim. Não tenho o que reclamar. Mas há um problema com os ditos mundos felizes. Eles trazem consigo o perigo insuspeito do comodismo, do conforto, da estabilidade. Devíamos sempre estar atentos ao veneno silencioso que é secretado pelos mundos felizes que, em sua estabilidade, podem nos conduzir a paralisias físicas e de pensamento.
Um pouco de bagunça é sempre bem vinda no sentido de remexer nas teias de aranha e inventar novos espaços a habitar.
1:22 PM
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Sábado, Julho 12, 2008
Camões escreveu: "Quem ama inventa as penas em que vive". "Quem ama inventa as coisas que ama", acrescentaria eu, se a tanto me atrevesse...
Mário Quintana
12:32 AM
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Sexta-feira, Julho 11, 2008
Comprei um livro em um sebo há pouco tempo. Um livrinho pequenino e apagado, só encontrado por conta de meu paciente garimpo. O nome dele é "A virgem e o cigano" de autoria de D.H.Lawrence. Gosto muito de ler Lawrence e sempre fico feliz em encontrar livros dele em um sebo, principalmente quando o livreiro, desconhecendo o valor da obra, coloca preços baixíssimos à preciosidade que possui. Nesse livro, me deparei com uma frase que achei muito interessante: "É muito mais fácil quebrar grades de prisões do que abrir portas para a vida". E fico pensando: muito mais fácil é agir contra algo do que nos conduzirmos quando nos dão liberdade. Lutar contra alguma coisa é ainda ter um limite, uma referência para a nossa ação. Mas quando nos deixam livres? Quando não nos atam em amarras? Contra o que lutaremos? Qual caminho seguiremos?
A angústia de sermos livres faz com que ansiemos por nossas antigas prisões.
***
Penso que o novo assusta mais do que encanta. Por mais que busquemos liberdade, temos pavor a ela porque tememos pela ausência de referências. Sempre estamos esperando por alguém que nos mostre um caminho. Como me disse certa vez um amigo: Nós queremos ser libertários, mas não sabemos ser livres. Eu particularmente concordo com ele. Ser livre é arriscar-se dentro de seu próprio sabor..., e o quanto todos nós ignoramos o sabor que temos...?! A nossa falta de coragem de colocarmos o que sentimos no mundo é que mata nossa criatividade. É mais seguro repetir o que deu certo (pior é quando esse tal certo vem da imposição dos outros e não da nossa própria experiência) do que inventar uma nova maneira de sentir, de viver, de estar junto.
Eu sou uma pessoa medíocre (no sentido em que estou dentro da média estatística), sou muitas vezes certinho demais, controlador demais..., mas ao mesmo tempo há algo em mim que me empurra para ousar, principalmente quando ninguém possui expectativa alguma a meu respeito. Esses lampejos de ousadia e honestidade para comigo mesmo às vezes assustam as pessoas que esperavam um comportamento adequado e padronizado da minha parte. Muitos se irritam, se decepcionam..., outros por sua vez abrem espaços dentro do vento de liberdade que eu ouso fazer soprar (para minha alegria e angústia)
10:33 PM
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Quarta-feira, Junho 25, 2008
"... Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais fortes, do café mais amargo...
Das idéias mais loucas, das aventuras mais excitantes...
Tenho uma mente voraz e os delírios mais doidos...
De tudo, quero sempre o melhor...
Você pode até me empurrar de um penhasco...
E daí ???
Eu sempre quis voar!..." (não conheço o autor, mas se você souber, me avise)
9:29 PM
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Sábado, Junho 14, 2008
É interessante quando a gente descobre o quanto é descartável. Acho importante darmos conta do quanto somos substituíveis..., sempre substituíveis..., por mais que acreditemos que somos importantes em alguma coisa.
Esta semana mesmo descobri o quanto sou facilmente substituível ( e provavelmente também esquecível)..., e penso que a gente ganha alguma tranqüilidade na vida quando assume essa verdade às vezes doída: o mundo não precisa da gente para ir em frente. Se a gente não fizer, outra pessoa o fará e talvez o faça ainda melhor.
Em um mundo onde todo mundo quer ser único, permanente, eterno, significativo, valorizado..., dar-se conta do quanto somos frágeis entidades substituíveis nos ajudará a tomarmos consciência que não somos deuses, mas gente..., só gente..., gente que tem seu valor no momento do agora, neste presente..., e que desaparecerá um dia, deixando pouco vestígio de sua passagem..., ou mesmo não deixando nenhuma pista de que esteve por aqui...
12:30 AM
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Domingo, Junho 08, 2008
"um pouco de possível, senão eu sufoco..." (Gilles Deleuze, no livro Conversações, pg. 131)
5:28 PM
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Quinta-feira, Maio 08, 2008
Tenho insônia antes mesmo de tentar dormir;
Talvez por medo dos pesadelos que guardo para mim...
Talvez por medo de não querer mais acordar.
Você sabe como são os sonhadores...
Quando seu mundo interior treme
Eles querem mesmo é parar de sonhar.
10:09 PM
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Quinta-feira, Maio 01, 2008
"Estamos cantando a la sombra de nuestra parra
una canción que dice que uno sólo conserva lo que no se amarra
y sin tenerte, te tengo a vos y tengo a mi guitarra.
Hay tantas cosas
yo sólo preciso dos:
mi guitarra y vos. " (Jorge Drexler)
12:06 AM
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Sexta-feira, Março 28, 2008
Percebo, com certa decepção, que estamos repletos de eruditos vazios. Pessoas que falam em liberdade, mas não conseguem exercê-la. Gente que fala em igualdade, mas não consegue praticá-la. Que defendem propostas de autonomia, mas se dedicam a práticas de infantilização do outro. As palavras são tão facilmente colocadas em discursos belos e bem remendados, enquanto as práticas são assim tão antagônicas às propostas revolucionárias instaladas nas palavras.
Deveríamos tentar viver o que falamos a fim de não nos tornarmos hipócritas dentro de um mundo de pessoas cegas a si mesmas. Que só conseguem ver o erro nos outros, mas não enxergam a própria limitação quando nadam em uma vida que não condiz com o que pregam com tanto fervor.
4:59 PM
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Quinta-feira, Março 06, 2008
"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente dos seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, guaguejando, pediu ao pai:
_ Me ajuda a olhar!"
Eduardo Galeano ( O Livro dos Abraços)
2:03 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Ah! a cada passo uma incerteza;
a cada momento um medo, uma confusão.
Mas que cada um construa a sua própria embarcação.
O mar é sempre igual aos olhos dos que comungam a mesma percepção.
Mas ele é muito mais amplo, profundo e surpreendente do que se pode imaginar....
A percepção do oceano é mutante para quem se atreve a navegar.
O barco de cada um de nós é uma diferença singular, que tem o poder de reinventar o próprio mar.
10:17 AM
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Sábado, Janeiro 26, 2008
Pé ante pé, a madrugada adentra a noite. Devagar e sonolenta, ela me leva para o dia de amanhã. O silêncio de tudo vai de encontro aos meus pensamentos (sempre indisciplinados, inquietos, revoltos). De certa maneira, eu agrido a sacralidade desse silêncio. Acredito que eu deva também me calar para poder escutar o tempo que passa, e que se renova, a cada segundo que se gasta.
Cada segundo é um novo começo; um convite de renovação que abortamos quando insistimos na manutenção de uma única vida, de uma única persona, de um único modo de sentir. Viva o que sente, mas não se apegue ao que pensa que se é, para não correr o risco de se transformar em uma estátua de si mesmo.
2:41 AM
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Segunda-feira, Janeiro 07, 2008
Terminei hoje de ler um livro, montado como uma história em quadrinhos, chamado “MAUS”. A história demorou cerca de vinte anos para ser terminada (1972 a 1991) e foi escrita por Art Spiegelman (ex-editor da revista The New Yorker). “MAUS” foi baseada nas experiências dos familiares de Spiegelman durante todo período da Segunda Guerra Mundial, quando muitos deles, como judeus, sofreram imensos infortúnios, perdas e mortes. Pelo trabalho em “MAUS”, Spiegelman ganhou o Prêmio Pullitzer em 1992. É uma obra muito verdadeira, onde a alegoria da história (em que os judeus são representados como ratos, os poloneses como porcos, os alemães como gatos, os franceses como sapos e os americanos como cachorros) em absolutamente nada infantiliza os relatos ou tira a crueza, a dor e o impacto das histórias – todas reais. Não há muita explicitação de violência física, ..., a violência mostrada é infinitamente mais sutil e marcante: a violência da indiferença do ser humano para com seu próximo. É uma obra prima que merece ser lida.

3:32 PM
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Domingo, Janeiro 06, 2008
Sabe o que mais me irrita nos orgulhosos? Essa insistência que eles têm de se auto-aclamarem humildes.
1:40 AM
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Há duas décadas eu tinha 16 anos. Era um menino quieto, mas amargurado. Não havia motivos exteriores sérios que justificassem minhas amarguras. Estas provinham de minha sensação de impotência em assumir minha vida com seus riscos e perigos. Muitas daquelas sensações foram colocadas em textos silenciosos, que só serviam para serem lidos por mim mesmo. Alguns desses textos são tolices românticas escritas para algumas namoradas impossíveis, mas outros textos são mais amplos em sentido. Nesta madrugada me encontrei com este que segue abaixo, escrito em 03/11/1988, às 22:05hs (segundo meus registros da época), e que eu coloco dentro da categoria de "mais amplos". Ele é aparentemente pessimista, meio triste, mas falava de uma libertação..., a minha libertação de uma série de sonhos que me paralisavam. Ao perder meus sonhos, fiquei perdido, mas também fiquei livre para outras vidas, outros mundos. Naquela época eu não percebi o fato de que me libertar dos encantos daquilo que me aprisionava foi o melhor presente que podia ter ganho para a construção de minha própria vida. Ainda estava cego ao fato de que, diante ao desmoronamento de meu castelo encantado, um horizonte lindo e amplo se abriu frente a meus olhos.
Cantiga do Nauta e do Sonhador
As ondas se acalmam no mar bravio.
As nuvens de tempestade começam a
Partir para algum distante lugar.
E meus sonhos também se acalmam.
A tempestade de pensamentos que agitava
Esses sonhos, está partindo.
E eu, ex-sonhador convicto, fico a
Encarar serenamente a realidade.
O nauta teve seu leme quebrado
Pelos relâmpagos destruidores.
Tive meus desejos podados, corrompidos,
Deturpados, humilhados, destruídos também.
Seria tão bom viver no mundo da
Fantasia, meu caro marinheiro.
Crer que o barco ainda tem leme,
Que o porto está próximo.
Crer que os sonhos se transformam em
Realidade, e que a vida tenha alguma
Validade.
Mas não nos esqueçamos, navegador:
Tu estás perdido no calmo mar,
E eu desordenado e sem sonhos,
Dentro desta patética realidade
03/11/1988
1:30 AM
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Terça-feira, Dezembro 25, 2007
"Já perdemos muito tempo brincando de perfeição.
Esquecemos o que somos: simples de coração!"
(Humberto Gessinger)
4:24 PM
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Segunda-feira, Dezembro 24, 2007
Quando os dias tiverem passado, depois desse silêncio tumular, lembre-se que nossa existência ainda faz sentido, mesmo que existamos dentro de um tempo minúsculo quando olhado em escala cósmica. Uma palavra, um gesto, um sonho..., tudo isso pode desaparecer no próprio ato em que foram criados, quanto também podem fazer mover pessoas, grupos e perspectivas. Não menospreze o efeito de seus atos e pensamentos. Se eles não mudam o mundo, mudam a forma como você se coloca no mundo. E isso já traz uma diferença muito grande, para o "bem" ou para o "mal", a cada pessoa que te encontra e que se contamina com sua presença.
12:18 AM
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Quinta-feira, Dezembro 20, 2007
O final de ano é cheio de mensagens de felicidade e realização. Tudo bem..., mensagens assim são boas, mas mais do que realização nós necessitamos é de coragem. Principalmente a coragem para ter uma postura ativa diante da vida. A postura ativa não tem nada a ver com o pensamento positivo ou coisas desse gênero. Na postura ativa, nós reconhecemos o nosso fracasso, reconhecemos nossos limites e fragilidades..., mas em vez de nos lamentarmos, fazemos a pergunta: "o que posso fazer a partir disso? Que recursos eu tenho para ir adiante?" A vida não é uma caixa de presentes deliciosos..., é sim uma caixa de desafios, repleta de presentes que a serem desembrulhados. Nem todos os presentes trarão alegrias..., mas serão propostas de movimento. Um novo ano bom será aquele que nos coloque diante a nossas fragilidades, e, assim, nos force a criar para além dos mundos de conforto nos quais insistimos em habitar.
"Tudo na terra está sujeito a mutação. À prosperidade segue-se a decadência. Esta é uma lei da terra. Não há planície que não seja seguida por uma escarpa. Aquele que se mantém perseverante quando em perigo, permanece sem culpa. Não lamente essa verdade. Usufrua a boa fortuna que ainda possui" (I CHING)
5:15 PM
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Domingo, Dezembro 09, 2007

4:03 PM
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Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
Aprender a ser pequeno é uma arte. Olhamos demais para as grandezas do mundo, mas ficamos cegos aos universos de sentido que se desdobram silenciosos dentro de nossos próprios jardins. Queremos muito das pessoas, do futuro, da vida, e não sabemos saborear os presentes que temos no agora. O grande desafio é aprender a enxergar o que temos em nossas mãos que, de tão óbvio e cotidiano, acaba por não ser nem mais visto, ou sentido, ou valorizado.
"Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas)"
Manoel de Barros (Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo)
10:07 PM
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Quinta-feira, Novembro 29, 2007
Não se esqueça disto: a vida é o que acontece no agora. Você poderia ter dito e feito muitas coisas sim. Poderia ter se expressado e atuado de outro jeito sim... E seu futuro pode vir a ser como você planeja, ou pode tudo dar errado por uma lufada do acaso e das circusntâncias. Mas o que você deveria ter feito ou que ainda vai fazer não suprime a importância do que você faz no agora, neste instante. O passado: água que escoou. O futuro: águas que virão. Mas é no presente que você exercita seu potencial de nadar entre essas águas. Não lamente pelo seu passado, ou habite em excesso dentro das alegrias que já se foram; nem se perca em devaneios quanto ao futuro: faça, sim, o melhor pelo seu presente.
10:31 AM
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Terça-feira, Novembro 20, 2007
A palavra perdão é algo que me chama atenção. Não sei a origem etimológica dela, mas sempre me traz a sensação de que se relaciona com o verbo perder. Quem perdoa perde também alguma coisa: perde uma mágoa, perde um ressentimento, desconecta-se de um conjunto de sensações que antes atropelavam o peito. Perdoar é perder a sintonia com algum tipo de experiência ou vivência. Perdoar a si mesmo fala de também perder-se da exigência que consome, que oprime, que sufoca.
Quem não sabe perdoar também não sabe perder. E perder é um pouco permitir-se uma outra experiência, um outro possível. Quem teme perder o controle, perder o que tem, perder a razão, perder a terra firme, não sabe perdoar. Fica preso, a ruminar, aquilo no qual se acostumou a viver, estabilizando um modo de pensar no qual enchafurda-se e sufoca.
9:03 PM
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Sábado, Novembro 17, 2007
"Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível
para os olhos. (...) Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante". Saint-Exupéry - O
pequeno príncipe.
9:53 PM
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Segunda-feira, Novembro 05, 2007
DA ETERNA PROCURA
Mario Quintana
Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada.
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada.
11:31 PM
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Sexta-feira, Novembro 02, 2007
Gosto dos Engenheiros do Hawaii. Melhor, gosto do Humberto Gessinger, que é o compositor. Há sempre um paradoxo, um lance existencial, uma sacada original em muitas músicas dele. Estava aqui em estado zen, corrigindo umas monografias de final de curso de minhas orientadas da Pedagogia, quando ouço Humberto Gessinger cantar a canção "Novos Horizontes"
Corpos em movimento...
Universo em expansão...
E o apartamento que era tão pequeno
Não acaba mais...
Vamos dar um tempo.
Não sei quem deu a sugestão
Aquele sentimento que era passageiro
Não acaba mais...
Novos horizontes...
Se não for isso, o que será?
Quem constrói a ponte
Não conhece o lado de lá.
Quero explodir as grades... e voar.
Não tenho pra onde ir,
Mas não quero ficar.
Suspender a queda livre... libertar...
O que não tem fim sempre acaba assim...
E fico pensando: Como acaba o que não tem fim?
3:13 PM
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Terça-feira, Outubro 30, 2007
É preciso construir o que falta, e não destruir o que sobrou...
Memória
(Carlos Drummond de Andrade)
Amar o perdido deixa
confundido esse coração.
Nada pode o olvido contra
o sem sentido apelo do não.
As coisas tangíveis tornam-se
insensíveis à palma da mão.
Mas as coisas findas, muito
mais que lindas, essas ficarão
9:56 PM
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Segunda-feira, Outubro 29, 2007
Você olha para a lua e eu me pergunto sobre o que você está a sonhar.
Sei que gostaria de mais certezas; sei que gostaria de ter os pés mais firmes no chão,
Mas olhando para a lua, assim, você só está fugindo das coisas que tem que enfrentar...
Só está fugindo de assumir a vida e a responsabilidade que foi deixada em sua mão.
Mas, ainda assim, eu gostaria de te ajudar a alcançar a lua, só para te mostrar que ela não é habitada por sonhos, mas por um vasto deserto.
E os desertos não são lugares fáceis de habitar.
Eles se assemelham à vida: têm que ser cultivados com coragem.
Gostaria, assim, de poder te ajudar a descer das alturas,
E te auxiliar a construir com o mundo que está ao alcance de seus braços, no limite de suas mãos...,
Necessitando de ser inventado a cada passo, a cada ponto de interrogação.
3:32 PM
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Domingo, Outubro 28, 2007
Quando nasce o homem é fraco e flexível
Quando morre, é forte e rígido.
A firmeza e a resistência são sinais de morte
A fraqueza e flexibilidade, manifestações de vida
LAO TSÉ , TAO TE CHING
11:47 AM
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Sábado, Outubro 27, 2007
No dia do meu aniversário, neste ano de 2007, recebi uma bela mensagem de uma amiga que mora em Vitória. Ela montou slides no powerpoint com montagens de sons e imagens em meio à mensagem carinho que me mandou. Compartilho com vocês o trecho final da mensagem, que achei muito bonita.
Resumimos que a vida é
um grande baile em que
almas se encontram, se esbarram,
se unem e se separam...
Cada qual bailando nos conflitos,
nas esperanças e nas suavidades
de momentos de amor.
De todos os anos que se foram,
concluo que: viver... é ser cada qual, em sua essência adquirida.
Com todas as adversidades,
com as lágrimas derramadas.
Ainda assim, a alegria de viver é o maior presente embrulhado em papéis de brilhos de momentos...
Relembrar é viver um pouco mais.
Viva a sua vida pois ela é curta.
Valorize e ame a você mesmo, pois ninguém mais que você, te conhece.
E não se esqueça... Ninguém lembrará o que fez de bem.
Mas, ... Todos lembrarão dos seus erros.
5:33 PM
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Sexta-feira, Outubro 26, 2007
IDA E VOLTA
Biquini Cavadão
Não sei mais o que fazer...
A noite acabou!
As luzes já vão acender e com elas solidão.
A vida aqui nesta cidade é buscar a diversão.
Nos bares vendem mil venenos
E as pessoas estão fantasiadas.
E eu não sei se o que vivi foi ilusão
Ou teve mesmo importância.
Acho que não me deram atenção, não..., não me deram atenção!
Volto prá casa sentindo frio,
Sem saber se hoje choro ou sorrio.
Amanhã quando acordar eu decido.
Mas a vida ainda me pertence
Embora todos possa ir embora,
Ainda que estejam na vinda e eu na volta.
4:32 PM
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Terça-feira, Outubro 23, 2007
Diante ao abismo, é imprudente ficar mirando o fundo. Buscar o fundo é correr o risco de ser sugado pelo mesmo. O abismo puxa aqueles que ficam à sua beira, olhando, curiosos, na tentativa de achar o que há no fundo de tudo. É preciso seguir o abismo pela margem, sem olhar demais para o penhasco
1:33 PM
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Sábado, Outubro 20, 2007
Há aqueles que criam. E há aqueles que teorizam a respeito dos que criam.
Essa é a diferença entre a experiência de navegar e a de ficar no porto conjecturando sobre o mar.
"Os únicos artistas pessoalmente deliciosos que conheci são os maus artistas. Os bons artistas existem simplesmente no que fazem; eis por que, em pessoa, são tão desinteressantes. Quanto piores os versos, tanto mais pitoresco é o poeta. (...)Ele vive a poesia que não soube escrever. Os outros escrevem a poesia que não conseguem concretizar." Oscar Wilde (O Retrato de Dorian Gray)
7:31 PM
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Terça-feira, Outubro 16, 2007
Eu faço silêncio para você me escutar..., porque a palavra é coisa enganosa e deixa o sentido oculto escapar. E eu sempre apreciei o que ficou nas entrelinhas, nas coisas que não foram ditas, nas possibilidades não vividas. Sempre gostei desses pedaços mal terminados de vida que fazem com que a gente pense: e se tivesse sido diferente?
E essa diferença não acontecida, faz com que a gente imagine, assim, outros possíveis, outros mundos outros futuros, outros passados que poderiam ter sido, mas esqueceram de acontecer. Essa é a matéria prima da literatura; a argamassa de todos os sonhos.
6:04 PM
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Domingo, Outubro 14, 2007
O viajante
Não adianta negar..., tememos as mudanças. Gostamos que as coisas mudem de forma programada, mas essas mudanças que nos pegam de surpresa, que nos tiram de um território repetido, sempre nos causam desassossego. É necessário coragem para andar onde não se sabe a consistência do solo. É necessário coragem para se ir além do ponto conhecido. É preciso coragem para arriscar o coração, o corpo, a alma, em uma empreitada que pode resultar na mais completa derrota. E ainda assim, apesar do medo..., só crescemos quando damos esses passos temerosos rumo ao desconhecido...
" O sedentário mora no hábito; o viajante corre perigo" Charles Feitosa
(postado simultaneamente em Cristiane Martins)
1:32 PM
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Sexta-feira, Outubro 12, 2007
Uma música que aprendi a gostar na infância foi “Nuvem Passageira”, talvez porque desde muito cedo comecei a entender a idéia de que nós somos um breve acontecimento que desaparece sem deixar marcas de existência. Não há nada de trágico ou depressivo ou pessimista nisso. Na verdade é uma coisa muito bela. Eu e você somos um acontecimento único e irrepetível que desaparecerá. Por isso mesmo ninguém é banal, ninguém é sem importância. Por sermos tão frágeis e temporários, somos jóias raras. Por isso, não desperdice a preciosidade do convívio daqueles que compartilham o seu momento de vida, pois amanhã eles, ou você, podem não estar mais aqui.
“Eu sou nuvem passageira,
Que com o vento se vai.
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai.
Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois essa pedra em pó vai se transformar.
Você não vê que a vida corre contra o tempo?!
Sou um castelo de areia na beira do mar.”
11:20 PM
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Terça-feira, Outubro 09, 2007

11:10 PM
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Segunda-feira, Outubro 08, 2007
Hoje participei de um debate áspero. Debate de briga de poder. Debate de acusações que mais pareciam um tiroteio a esmo. E vou aprendendo participando desse tipo de conflito. Aprendendo que, quando há algum vencedor da querela, geralmente este é aquele que se preserva sem deixar de ser omisso. Perde aquele que esbraveja, e grita, e recrimina..., e que sai alterado, angustiado, ansioso por contar os mortos de sua investida. Quem se preserva não se expõe de maneira desnecessária, nem se descontrola em argumentos desequilibrados pela ira.
10:36 PM
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Quinta-feira, Outubro 04, 2007
Quem é grande, acaba sendo visado demais...
quem é pequeno passa despercebido e, com isso, flui sem incômodos maiores.
Quem é grande teme perder a grandeza...
quem é pequeno aprende a se encantar com o pouco.
Quem é grande ignora a beleza do cisco, da formiga, da folha seca...
quem é pequeno aprende sobre as grandezas das coisas ínfimas
"(...) Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro. Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas). Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. Fiquei emocionado e chorei. Sou fraco para elogio". (Manoel de Barros)
9:49 PM
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Quarta-feira, Outubro 03, 2007
Erich Fromm escreveu um bonito livro sobre diferentes práticas de amar. Livro pequenino chamado "A Arte de Amar" onde discute os diferentes caminhos de nossos afetos. Tirei o trecho abaixo desse livro:
"... quando se tem conscientemente medo de não ser amado, o medo real, embora habitualmente inconsciente, é o de amar. Amar significa entregar-se sem garantias, dar-se completamente na esperança de que o nosso amor produzirá amor na pessoa amada. Amar é um ato de fé, e quem tiver mesquinha fé terá também mesquinho amor".
Bonitinho, né?!
11:02 PM
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Segunda-feira, Outubro 01, 2007
Amizades são relações frágeis. Podem despencar em uma lufada de vento mais ríspido. Podem erodir em meio a palavras mal colocadas. Podem desbotar por conta de intenções pouco esclarecidas. Não devíamos cultivar inimizades. Os amigos tendem a ser mais úteis. Torna-se sempre mais fácil trabalhar com aliados do que com inimigos. Mas as pessoas são por demais vaidosas. Apreciam se colocar acima das outras e, nisso, na vitória que pensam conquistar, conseguem apenas angariar desafetos, produzir mágoas, e criar fissuras entre aqueles que antes pareciam tão fraternos...
11:01 PM
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Sábado, Setembro 29, 2007
Somos seres à deriva no mar do tempo, levados pela correnteza das horas, quase que impotentes ao fluxo que nos conduz. A temática do tempo é o elemento que inicia um documentário a respeito de Paulinho da Viola. Paulinho entra em uma livraria para buscar um livro que encomendou a respeito da saudade. Ele quer, com esse livro, entender o que vem a ser saudade, porque acha que nunca sentiu isso. Para ele saudade parece algo que se sente pelo que se perdeu, pelo que terminou, pelo que não existe mais. Só que, para Paulinho, as coisas não se perderam..., o passado é algo que faz parte de nosso corpo, de nossos sentidos, de nosso presente.E o que ele diz, então, para explicar o porquê de não sentir saudades, é uma lição, em poucas palavras, a respeito do estar presente, do viver intensamente no agora. Nos conta, então, que:
"O meu tempo é hoje. Eu não vivo no passado. O passado é que vive em mim"
7:26 PM
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Sexta-feira, Setembro 28, 2007
Aprendo com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata -- cresce de importância para o meu olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão --
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.
(Manoel de Barros - Retrato do artista quando coisa)
9:27 PM
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Quinta-feira, Setembro 27, 2007
"Atrás de toda coisa bela, há sempre um quê de trágico. Para que desabroche a mais insignificante das flores, é necessário o trabalho de mundos..." Oscar Wilde (O Retrato de Dorian Gray)
11:29 PM
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Quarta-feira, Setembro 26, 2007
Não, não planejo muito. Apenas sigo..., deixo correr...
Cansei de arquitetar mapas no espaço na intenção de não me perder.
Agora assumo o risco de soltar a linha,
De quebrar a forma, de fugir do traço...
12:02 AM
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Terça-feira, Setembro 25, 2007
Fiz há pouco tempo uma palestra na Universidade Federal de Viçosa a respeito de afeto e trabalho para uma turma de professores de um projeto chamado Veredas. Quando me perguntaram quanto eu cobraria pela palestra, fiz um pedido inusitado: quero o livro O Jogo da Amarelinha de autoria de Julio Cortázar. E hoje eu recebi o livro. Logo na primeira página fui acarinhado por palavras inspiradoras que eu gostaria de compartilhar com você:
"E, então, era muito natural atravessar a rua, subir as escadas da ponte, dar mais alguns passos e aproximar-me da Maga, que sorria sempre, sem surpresa, convencida, como eu também o estava, de que um encontro casual era o menos casual em nossas vidas e de que as pessoas que marcam encontros exatos são as mesmas que precisam de papel com linhas para escrever ou aquelas que começam a apertar pela parte de baixo o tubo da pasta dentifrícia."
O acaso tem, pois, seus encantos..., encontros casuais que trazem outras cores, aromas e sabores... Se tememos tais encontros é porque também temos medo da vida, de perder o controle, de arriscar no existir.
8:06 PM
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Segunda-feira, Setembro 24, 2007
"Era errôneo querer novos deuses, era completamente errôneo querer dar algo ao mundo. Para o homem consciente só havia um dever: procurar-se a si mesmo, afirmar-se em si mesmo e seguir sempre adiante o seu próprio caminho, sem se preocupar com o fim a que possa conduzi-lo. (...) Eu não existia para fazer versos, para rezar ou para pintar. Nem eu nem nenhum homem existíamos para isso. Tudo era secundário. O verdadeiro ofício de cada um era apenas chegar até si mesmo. Depois, podia acabar poeta ou louco, profeta ou criminoso. (...) Sua missão era encontrar seu próprio destino, e não qualquer um, e vivê-lo inteiramente até o fim". (Hermann Hesse – Demian)
12:14 AM
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Domingo, Setembro 23, 2007
Rostos
Rostos cheios de olhos e narizes olhando para nós.
Rostos diferentes, cheios de curvas estranhas, rugas, covas...
Os cabelos também são um espetáculo à parte: cabelos sobre crânios
femininos, sempre uma forma de obra de arte.
Bocas se mexendo em palavras inaudíveis; pensamentos perdidos dentro de tantos cérebros desunidos.
Rostos sérios, sonolentos, tristes, atentos.
Rostos iguais a nenhum outro...
Almas semelhantes a minha.
Só que ninguém suspeita que nós somos tão parecidos em sonhos, lágrimas e alegrias. Não suspeitam que somos tão iguais em vida. Tão felizes neste momento, tão iludidamente eternos...
Enquanto os rostos mudam tão rápido...
Enquanto caem os nossos castelos...
12:18 AM
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Sábado, Setembro 22, 2007
Por que fazemos promessas que sabemos que não iremos cumprir ?

12:02 AM
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Sexta-feira, Setembro 21, 2007
LEVEZA (parte 1)
Céu nublado, tempo conturbado, ar poluído..., tudo conspira contra nossa sobrevivência.
Somos almas muito frágeis diante a tanta pressão. Querem-nos secos, ásperos, duros, esgarçados. Querem-nos com vida minguada, a fim de que queiramos mais nada e que silenciemos nossa voz .
Mas temos pássaros na garganta; temos cigarras nos pulmões.
E por pior que esteja o tempo, ainda guardamos estranhas forças para conseguir ir além dos sufocamentos que nos impuseram aos nossos corações.
Insistem em nos dizer que as sutilezas são, hoje, apenas demonstrações de fraqueza. Esquecem que, para se levantar em meio à frieza do concreto, a pequena aste e a delicada flor precisam de coragem..., muita coragem e destemor. É preciso, pois, força para se ter leveza em um mundo que condena à tolice qualquer ato de cuidadoso amor.
LEVEZA (parte 2)
Te amo de uma forma tão delicada, Maria, que qualquer brisa espalharia pelo ar todo essa alegria que guardo sem falar. Te amo de forma tão sutil e oculta e calada que, quando tento te dizer alguma palavra, esta já perdeu o sentido, não se sustentou no tempo, não valeu de mais nada.
12:07 AM
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Quinta-feira, Setembro 20, 2007
Somos todos muito cegos pois estamos aptos a enxergar apenas o que nos é imediatamente permitido pela nossa biologia e ou nossos condicionamentos sociais. O que entendemos como verdade, é apenas uma linha reta na qual depositamos nossas redundâncias e nossa ânsia de estabilidade. Olhamos a existência como quem prendeu o olhar em um buraco estreito durante grandes longos anos, e nos acostumamos a chamar de vida aquele ponto minúsculo no qual achamos que estão depositados todos os possíveis. Mas fazemos isso exclusivamente para o nosso conforto. Há outras formas de viver e sentir tão absurdamente estranhos a nós que, pelo simples fato de nós estarmos cegos a elas, acreditamos que não existem. Porém, quando erguemos nossa potência de enxergar para além das nossas repetições cotidianas, nos assombramos com a pequenez do nosso olhar e a amplidão do existir. Quanta beleza existe naquela pedra que eu peguei ao lado de um restaurante em Belo Horizonte; quanta graciosidade naquela pequena concha branca e marron esquecida pelo mar em uma praia de Vitória; quanta leveza na corujinha minúscula feita de durepox que encontrei em uma feira em Natal... coisas pequenas que passariam sem existência por mim, se eu não conseguisse inventá-las com meu olhar. A vida não está pronta, nem as belezas pré-definidas. Ambas precisam ser produzidas por mim, por você, por nós dois...
1:39 PM
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Quarta-feira, Setembro 19, 2007
Não tenho pressa. A paciência é virtude rara em um mundo onde a velocidade é a regra máxima. Tudo tem que acontecer rápido no desejo das pessoas. Todos anseiam por serem felizes a todo custo e se entopem de drogas lícitas e ilícitas das mais diversas, variadas e criativas. Mas não tenho pressa..., não quero drogas..., o que eu quero são encontros lentos, silenciosos, sem muita agitação. Encontros em que os minutos tenham em si mesmos a intensidade de horas, e que fiquem cravados no corpo. O que eu quero é uma vivência sem atropelos por suprir expectativas. O que quero é um ritmo em que me sinta confortável com o movimento, sem o risco das paralisias ou a vertigem das velocidades. Quero assistir e sentir a paisagem, não ansiando por chegar rápido demais ao ponto final da minha viagem.
"A árvore que mais demora a crescer, melhor se enraiza no solo". (I CHING)
12:16 AM
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Terça-feira, Setembro 18, 2007
De segundo em segundo, se forma um minuto...
E os minutos dão lugar às horas;
As horas dão lugar aos dias;
E os dias dão lugar aos meses;
Os meses dão lugar aos anos;
Os anos dão lugar às décadas;
As décadas dão lugar aos séculos
Os séculos dão lugar aos milênios...
... De segundo em segundo se constrói um bilênio...
E nós, filhos do tempo, boiando à deriva dentro de uma esfera que flutua no universo, iguais a peixes aprisionados em um aquário.
"We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year.
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears."(Pink Floyd – Wish you were here)
11:01 AM
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Segunda-feira, Setembro 17, 2007
Pela água que te benze...
Pela luz que te alumia...
Pela reza que te cura...
Pela fé que te segura...
Pelas velas do teu guia...
Hoje a noite é mais escura,
Vem aí um temporal.
Vê se arreia esse cavalo;
Vê se toca esse berrante;
Vê se acalma essa boiada;
Vê se avisa a meninada;
Vê se muda esse destino...
(Ivan Lins)
12:01 AM
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Domingo, Setembro 16, 2007
Tenho lido, sem muita disciplina, Grande Sertão: Veredas. Leitura às vezes difícil, às vezes fluida. Mas o que mais gosto nesse livro são as reflexões de Riobaldo, um dos principais personagens. Jagunço iletrado, Riobaldo transpira uma sabedoria cunhada nas andanças pelo sertão mineiro. Os bons livros são esses assim que fazem com que sustentemos por um momento a leitura, e oferecem espaço para um novo pensamento. Por exemplo, grandes ditadores começam suas tiranias bem intencionados. Querem o bem do povo (do jeito dele), querem um mundo melhor (do jeito dele), querem todos felizes (do jeito dele), querem que se faça uma boa política (do jeito dele)..., e acaba colocando no "paredão" qualquer jeito que não seja igual ao que ele quer. Tendemos nós mesmos a ditaduras quando achamos que o mundo seria melhor se fosse do nosso jeito, o que nos faz negar qualquer diferença, qualquer nova expressão não previamente mapeada por nós. Riobaldo nos alerta sobre isso quando diz, no Grande Sertão:
"Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo."
9:05 AM
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Sábado, Setembro 15, 2007
Como posso viver em um oceano, se eu não sei nadar...
Não resistiria nem mesmo a uma mínima tempestade em alto mar; seria devorado por tubarões, baleias assassinas ou por algum monstro submarino, vindo das histórias de ficção.
Pergunto-me se meu lugar não é no solo firme, ou pelo menos sobre as areias de uma praia.
O mar seria, então, um local espetacular, de fenômenos mil a serem observados.
Não participando do oceano (só vendo-o acontecer) certamente me sentiria mais seguro, mas também um pouco frustrado por ter desistido de caçar o monstro devorador de gente que habita o fundo do mar;
Talvez um pouco frustrado por nunca ter aprendido a nadar.
12:46 AM
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Sexta-feira, Setembro 14, 2007
Às vezes eu queria parar o tempo..., não deixar mais nada passar. Segurar nas minhas mãos os instantes e repetir indefinidamente um momento escolhido. Mas o tempo escoa..., vaza por entre meus dedos como água fluida. E eu me entristeço ao ver perder os momentos que nunca mais voltarão. Gostaria de segurar algumas coisas importantes, que fizeram parte de minha felicidade: o sorriso de meu pai,... uma menina saltitante no meio do carnaval,..., bicicletas vermelhas no asfalto,..., o strogonoff do Casarão..., uma estação ferroviária em Pedro Leopoldo,... um quarto onde não mais habito,... um sentimento de alegria partircular diante a uma difícil vitória, ...bancos de jardim em meio a ratazanas, ... um começo de uma madrugada..., mas tudo passa...
“Quando se deleitar com uma coisa, quando escrever um poema ou ler um livro..., quando dançar ou fazer qualquer outra coisa, deixai-a passar; não diga ‘quero mais’. Porque isso já será avidez e portanto não há mais alegria. Se for a claridade do sol, se deleite com ela, mas não diga ‘quero mais’. Se forem as nuvens, deixe-as passar; elas têm também sua beleza. Não diga ‘eu queria que o dia estivesse mais belo’. O que faz você infeliz é a exigência de ‘mais’. Quando realmente deixar de pedir ‘mais’, quando não tiver mais ânsia aquisitiva, terá alegria, sem o saber”. (Jiddu Krishnamurti)
7:53 AM
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Quinta-feira, Setembro 13, 2007
A manutenção de uma identidade é um fator importante, pois nos oferece segurança, nos oferece um território conhecido onde possamos nos situar. Mas ficar restrito a um único território de realidade é perigoso..., faz com que todas as mudanças sejam vivenciadas como mortíferas. A manutenção de uma identidade é necessária a nossa saúde física e mental, porém, depois de tê-la bem constituída, é preciso um passo à frente, um passo no desconhecido, um passo em devir. A identidade se estabelece como um porto seguro..., mas os portos seguros são necessários apenas para os navios não se perderem demais em suas viagens pelo mar. Um navio que só fica atracado a um porto, com medo do oceano, não torna-se navio..., nem realiza sua tarefa de navegar.
2:04 PM
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Quarta-feira, Setembro 12, 2007
Se eu fosse de orientação reencarnacionista (kardecista, budista, hinduísta, umbandista, vale do amanhecer, candomblé) eu diria que é “pagar” um karma...
Se eu fosse evangélico, eu diria que é uma provação do diabo...
Se eu fosse católico, eu diria que é castigo de Deus...
Se eu fosse ateu, eu diria que é crise moral...
Se eu fosse psicanalista, eu diria que é conflito neurótico...
Se eu fosse corajoso, eu diria que é desafio grande demais...
Se eu fosse forte, eu diria que é fragilidade...
Se eu fosse afetivo, eu diria que é pelo mais sincero carinho...
... quando as contingências da vida nos jogam em uma praia do destino para, diante a um sol que nasce no meio do oceano, nos deixar morrendo de sede em frente ao mar...
7:34 AM
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Sábado, Setembro 08, 2007
CORAÇÃO BLINDADO
Engenheiros do Hawaii -
Fácil falar,
fazer previsões depois que aconteceu.
Fácil pintar o quadro geral
da janela de um arranha-céu.
Sem ter que sujar as mãos.
Sem ter nada a perder.
Sem o risco de pagar pelos erros que cometeu.
Fácil achar o caminho a seguir
num mapa com lápis de cor.
Moleza mandar a tropa atacar
na tela do computador.
Sem o cheiro,
sem o som,
sem ter nunca estado lá,
sem ter que voltar pra ver o que restou
Com a coragem que a distância dá,
em outro tempo em outro lugar,
fica mais fácil.
Fácil demais
fazer previsões depois que aconteceu.
Fácil pensar nas condições ideais
que nunca existirão.
Sempre à distância.
Sem noção .
O que rola pelo chão
não são as peças de um jogo de xadrez.
Com a coragem que a distância dá,
em outro tempo em outro lugar,
tudo é tão fácil.
11:39 AM
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Sexta-feira, Setembro 07, 2007
Em 1989 eu ganhei de presente de uma amiga um caderno amarelo. Como se fosse um diário, fui colocando ali meus versos dispersos que eu fazia seguindo o ritmo das emoções que me encontravam. O caderno foi muito útil para que eu pudesse digerir minhas diferentes crises em diferentes anos, através da produção de textos. Mário Quintana já dizia que escrever poema é bom porque evita que façamos coisas piores. Hoje resolvi abrir o caderno e vou compartilhar aqui o que o acaso me trouxe. O tempo pode murchar as flores, mas não mata a lembrança da sensação de ter vivenciado a beleza das mesmas. Da mesma forma, se as palavras envelhecem, as sensações mantêm o seu frescor.
Te dou um beijo na mão
para não correr o risco de
tocar seus lábios.
Você não sabe como eu sou...,
minha carne é fraca
e esse meu pudor é só
simulação.
Você não devia nem existir,
oh! menina linda que habita o mundo
da minha imaginação.
Mas enquanto você é real,
e desconhece meu desejo
de te amar...,
para mim você é uma ilusão
na qual te amo enquanto estou
a te sonhar".
(22-03-1992)
11:42 PM
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Segunda-feira, Setembro 03, 2007
(...) e após esse tortuoso inverno em que entramos, virá de novo a primavera com suas flores coloridas.
Molhemos a aridez momentânea de nossa terra com a água da esperança, da força e da alegria.
Umedeçamos toda essa seca tristeza.
As flores voltarão a brotar...
sem dúvida que voltarão -
- ainda que crescam regadas por nossas lágrimas. (15-04-1991)
11:34 PM
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Sábado, Setembro 01, 2007
"O que você me pede eu não posso fazer...
assim você me perde e eu perco você...
como um barco perde o rumo...
como uma árvore no outono perde a cor.
O que você não pode eu não vou te pedir.
O que você não quer, eu não quero insistir.
(...)
Toda vez que falta luz,
toda vez que algo nos falta (alguém que parte e não volta)
o invisível no salta aos olhos,
um salto no escuro da piscina.(...)
Toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos" (Humberto Gessinger - Piano Bar)
10:11 PM
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Segunda-feira, Agosto 27, 2007
Falo amabilidades com meus amigos..., mas as conversas estão cada vez mais escassas. Me coloco na posição de ouvinte e escuto, mas o diálogo quase não existe. Às vezes tenho até preguiça de conversar, quando percebo que do outro lado não há ninguém querendo me escutar. Querem ouvir minhas amabilidades, mas não o que sinto que tenho prá falar. E às vezes, por ter tanto a dizer, nada digo e fico escutando o meu calar. Falo muito, e também sou muito silencioso. E poucos se dispõem a escutar o que tenho a dizer no meu silêncio.
"Mas a vida não é entendível (...) Natureza da gente não cabe em nenhuma certeza. (...) É e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é... Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom-amigo-de-seus-amigos!" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas
11:59 PM
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Quinta-feira, Agosto 23, 2007
Gente que se coloca na posição de saber demais, me dá sono. Gente que tem explicação prá tudo, me dá preguiça. Gente que tem mil autores para citar a fim de se proteger do risco de pensar por si mesmo, me deixa meio enjoado. Fico à vontade com aqueles que não sabem, com aqueles que se questionam, com aqueles que procuram, ou, como diz Adriana Calcanhoto: "eu gosto dos que têm fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem". Aqueles que parecem já acabados, e resolvidos, e ponderados..., me cansam.
Mergulho na experiência do não saber.
Envolvo-me naquilo que não sei ao certo...
para fazer valer a experiência do aprender,
uma vez que o "não saber" torna-se prática
de abertura de universo
7:28 PM
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Sábado, Agosto 18, 2007
Depois de muito tempo procurando, finalmente achei uma imagem do deus hindu Shiva para comprar. Não sou hinduísta, mas aprecio o simbolismo que existe em torno de Shiva.
Neste aspecto, Shiva aparece como o Rei (raja) do Dançarinos (nata). Ele dança dentro de um círculo de fogo, símbolo da renovação e, através de sua dança, Nataraja cria, conserva e destrói o universo. Ela representa o eterno movimento do universo que foi impulsionado pelo ritmo do tambor e da dança. Apesar de seus movimentos serem dinâmicos, como mostram seus cabelos esvoaçantes, Shiva Nataraja permanece com seus olhos parados, olhando internamente, em atitude meditativa. Ele não se envolve com a dança do universo pois sabe que ela não é permanente
11:02 PM
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Quinta-feira, Agosto 16, 2007
"Nunca mais", ordenou sua vontade. "Amanhã, novamente!", suplicou seu coração. (Hermann Hesse - Narciso e Goldmund)
12:20 AM
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Terça-feira, Agosto 14, 2007
INSTANTES
Jorge Luís Borges
Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais bobo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais.
Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui. Tomaria mais sorvete e menos lentilha. Teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto de sua vida. Claro que eu tive momentos de alegria. Mas se pudesse voltar a viver, trataria de Ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos. Não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda chuva, um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres, brincaria com mais crianças..., se eu tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos, e sei que estou morrendo.
10:18 AM
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Domingo, Agosto 12, 2007
"Ama a arte dentro de você, e não você mesmo na arte"
5:58 PM
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Sábado, Agosto 11, 2007
"As forças do mundo não cabem em uma só pessoa e o mundo não tem paz, ele é nervoso, finito, inventado e reinventado a todo momento. Os que afirmam que dentro de si está o tesouro desejam a paz e o silencio, e qualquer ruído do mundo incomoda a solidão tecida pela paz. Cuidado com eles, poderão te converter em nome, identidade ou vazio." (A Cidade dos Sábios - Luis Antônio Baptista)
9:41 PM
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Quinta-feira, Agosto 09, 2007
Uma única palavra; uma pequena frase, já são suficientes para destruir muita coisa: destruir um sonho, erodir uma relação. Cuidado com suas palavras. Elas colocam em movimento ações que, muitas vezes, não terão mais condições de serem resgatadas, consertadas, desculpadas.
2:21 PM
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Sexta-feira, Julho 27, 2007
"O ruim com o ruim terminam por as espinheiras se quebrar - Deus espera essa gastança. Moço! Deus é paciência. O contrário é o diabo." João Guimarães Rosa - Grande Sertão:Veredas

5:33 PM
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Quarta-feira, Julho 25, 2007
Juras de Esquecimento
Em uma última loucura eu me ausento.
Esqueço todas as sensações que antes tive.
Tiro da minha mente todo aquele sentimento...
Toda a irracionalidade de um amor que não existe.
O seu olhar fugiu dos meus...
Desapareceu numa esquina da minha existência.
E eu, que gritei misericordiosamente por clemência,
Não fui nem mesmo ouvido ou visto por esses olhos seus.
Se esquecido, então, fui eu, melhor também eu te esquecer.
Se você não quer se lembrar, também não tenho motivos
Para recordar a satisfação que tinha em poder te ver...
Em te mirar em meu olhar.
As noites em que te esperei sob as estrelas, esquecidas estão...
Os abraços ternos de carinho com que te envolvi, foram em vão...
O sonho de ter seus lábios colados com os meus, não passou de
Débil ilusão.
Em uma última loucura eu me ausento.
Perco-me no fundo de todo aquele mágico momento
Em que dançei com você...
Em que pensei que nunca ia querer te esquecer...
Mas agora, que não posso mais te ter, te faço juras de esquecimento.
(De minha autoria, em 21-01-1992) :-) bonitinha né!!!!!
12:47 AM
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Segunda-feira, Julho 23, 2007
VOLTA POR CIMA
Chorei.
Não procurei entender.
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava.
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava.
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava.
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão.
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
9:27 PM
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Segunda-feira, Julho 09, 2007
Sei que demoro às vezes muito tempo para postar aqui. Os conhecidos me lêem e os desconhecidos também. Fico feliz com as visitas que recebo. Mas minha demora ou freqüência com que venho até aqui está relacionada às intensidades que me atravessam. Seria fácil escrever todo dia para manter a freqüência dos visitantes. O problema é que não escrevo para os visitantes, mas para mim... Muitas vezes eu necessito escutar minhas próprias palavras..., preciso me revitalizar em mim mesmo. Mas há momentos da mais plena paralisia na minha vida, em que me encontro perigosamente satisfeito com minha rotina. E assim, nada me acontece, nada me machuca, nada me tira do eixo. Mas, de repente, quando menos espero, um encontro, um suspiro, alguma coisa sutil ou intensa me atropela e me faz querer escrever. Às vezes sou afetado por uma revista em quadrinhos, uma palavra, uma paisagem, um e-mail,..., sei lá..., coisas pequenas que acabam me abrindo um horizonte diferente sobre um tema que eu pensava já ter todas as respostas. E eu adoro e odeio não ter todas as respostas. Adoro..., porque me indica que existe um mundo novo a ser explorado e descoberto e ou inventado. Odeio..., porque tenho medo de me perder, de errar, de sofrer. Duas forças antagônicas que sou eu..., que somos todos nós.
Mas só escrevo quando um impulso me força. Quando as palavras brotam dos dedos para além de minha vontade. Acho que a gente deveria só escrever dessa forma..., quando o sangue sai das veias e exige outras vias de acesso.
12:03 AM
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Domingo, Junho 24, 2007
Carne e Osso
(Moska - Zélia Duncan)
A alegria do pecado
Às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu
E eu gosto
De estar na terra
Cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano
Perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso
Pra não ser carne e osso
8:51 PM
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Quinta-feira, Junho 14, 2007
Gastamos tempo demais a nos preocupar sobre o sentido da vida.
Escrevemos livros demais a respeito na esperança de achar o significado da existência em alguma pessoa ou algum lugar.
E lemos românticos e romances, poetas e filósofos..., e achamos que quase encontramos o sentido, para no segundo seguinte ele nos escapar.
Enquanto isso...
... a vida passa lenta e silenciosa..., sem promessas ou ilusão..., sem sentido ou definição...
Sem perguntas e sem explicação.
E ignora completamente esse nosso pedido egoísta de que ela nos deve algo, de que ela tem que nos fazer feliz, ou pelo menos ter um porquê, uma orientação.
Mas a vida não nos deve nada. Nós é que temos que ter coragem para lidar com os acontecimentos que ela nos lança
sem aviso prévio, sem pedir licença, sem bilhetes de despedida ou cartas de apresentação.
9:44 PM
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Sábado, Junho 02, 2007
"O nosso principal objetivo é não ver o que se encontra vagamente à distância, mas fazer o que se acha claramente ao nosso alcance" Thomas Carlyle
4:18 PM
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Terça-feira, Maio 29, 2007
Tive repentinamente saudade de um antigo sonho: ser roteirista de histórias em quadrinho. Colecionei histórias de super heróis por uns cinco anos..., até que meu senso crítico foi ficando cada vez mais aguçado e eu passei a selecionar as historinhas que lia. Hoje tem muito material bom para ser lido e sugiro as seguintes histórias:
- Watchmen (de Alan Moore)
- V de Vingança (Alan Moore)
- Livros da Magia (Neil Gaiman)
-Sandman - o mestre dos sonhos (Neil Gaiman)
- A piada mortal (Alan Moore)
-Demolidor (Frank Miller)
-Batman - o cavaleiro das trevas (Frank Miller)
- Marvels
- Rising Stars
- Monstro do Pântano (Alan Moore)
Tudo história de primeira linha. O cinema descobriu os quadrinhos, e esperemos que ele não avacalhe demais as histórias, como avacalharam Homem Aranha 3 e X-Men 3. Salvo um apelo americanista que existe em muitas dessas revistas, as histórias valem a pena e podem surpreender pela complexidade.
6:40 PM
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Terça-feira, Maio 22, 2007
SAUDADE
João Guimarães Rosa
Saudade de tudo!...
Saudade, essencial e orgânica,
de horas passadas,
que eu podia viver e não vivi!...
Saudade de gente que não conheço,
de amigos nascidos noutras terras,
de almas órfâs e irmãs,
de minha gente dispersa,
que talvez até hoje ainda espere por mim...
Saudade triste do passado,
saudade gloriosa do futuro,
saudade de todos os presentes
vividos fora de mim!...
Pressa!...
Ânsia voraz de me fazer em muitos,
fome angustiosa da fusão de tudo,
sede da volta final
da grande experiência:
uma só alma em um só corpo,
uma só alma-corpo,
um só,
um!...
Como quem fecha numa gota
o Oceano,
afogado no fundo de si mesmo..
10:24 PM
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Sexta-feira, Maio 18, 2007
Riobaldo, personagem criado por Guimarães Rosa em "Grande Sertão: veredas", me disse que "eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa." Faço minhas as palavras de Riobaldo..., suspeito de muita coisa mas não posso declarar certezas. É dentro desse espírito que levanto uma suspeita muito íntima. Acho que viemos ao mundo não para brilhar, mas para colaborar. Passamos rápido pela vida e a única obrigação que temos é deixar uma contribuição: um verso, uma canção, um filho, um sonho, um livro, uma inspiração. Nossa vida já vale a pena se algo que deixamos possa vir a ser utilizado para o engrandecimento desse mundo em que vivemos.
Os verdadeiros heróis estão escondidos;
São pessoas comuns, imperceptíveis.
Os verdadeiros heróis quase nunca são reconhecidos.
Militam pela humanidade e não unicamente por si mesmos.
Não buscam o louro dos aplausos, mas sim a chance de produzir esperanças,
de multiplicar os movimentos, de semear sorrisos...
E por isso mesmo eles não se importam de serem esquecidos.
11:45 PM
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Segunda-feira, Maio 14, 2007
Não me irrito com a ignorância de meu semelhante. Eu mesmo sou ignorante em muitos pontos..., não sei muitas coisas...,não domino inúmeros territórios.
Não me irrito com o medo do outro. Temos mesmo muitos receios. E em alguns momentos, o medo é sinal de prudência.
O que me irrita é a apatia paralisante dessa multidão de sonâmbulos que insiste em fazer de suas vidas o menor esforço possível.
Esses que carregam a existência como se fosse um grande fardo e vêem dificuldade em todo processo que signifique desafio e crescimento.
Me irrita a apatia depressiva desses tantos que sepultam suas vidas sem antes arriscarem a viver.
Me irrita essa declaração de incapacidade desses que nem mesmo sabem do que são capazes e se anulam por preguiça.
11:04 PM
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Sábado, Maio 12, 2007
"Como alguém pode impedir uma gota d´água de secar?
Atirando-a ao mar!"
11:58 PM
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Quinta-feira, Maio 10, 2007
"Abandonou-te?
Pior. Esqueceu-me!"
Mário Quintana
12:02 AM
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Sexta-feira, Março 23, 2007
Duas sensações muito estranhas e parecidas, geradas por fatos extremamente antagônicos, me atropelaram há algum tempo. A primeira foi quando tive que assinar o atestado de óbito de meu pai. A outra foi quando fiz o registro de nascimento de minha filha.
Uma grande estranheza tomou conta de mim nesses dois momentos. No primeiro, como é que uma pessoa que estava viva há alguns minutos, do meu lado, agora não mais existia? No segundo, como é que uma pessoa tão inédita, uma novidade tão absoluta, passa assim, tão de repente, a existir no mundo e a fazer parte da minha vida?
Um me assustou pela ausência do que sempre foi presente..., o outro me assustou pela presença do que antes não existia.
2:23 PM
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Sábado, Março 17, 2007
Se você pudesse se aventurar a assistir a um filme..., a um único filme neste final de semana, eu indicaria para você A FONTE DA VIDA (The Fountain). Não que este filme venha a ser um hit super popular. Na verdade ele será notado por muito poucos exatamente por não seguir um roteiro linear e hollywoodiano. O final do filme, igualmente não é aquele que agradaria.. Mas Fonte da Vida é um filme tão intenso quanto Pink Floyd: The Wall, onde você precisa assisti-lo mais de uma vez para poder digerir a mensagem que ele ambiciona passar. E a mensagem que Fonte da Vida busca transmitir está a quilômetros de ser simplória. Com uma narrativa muito original o filme pretende nos dizer que, para viver de maneira plena, é necessário saber morrer..., e entender a morte como multiplicação da vida. Por conta disso, penso que o filme não é facilmente compreensível para nós que pouco entendemos da morte, e muito menos da vida.
8:16 AM
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Sábado, Fevereiro 17, 2007
Corrijo monografias de final de curso..., e provas de final de semestre, e como bolas de chocolate Galak e ouço Renato Russo..., tudo ao mesmo tempo agora...E ouvindo o Renato, e pensando na vida e no acidente com um ônibus que matou, ontem, cerca de 14 pessoas da região onde vivo... senti que pouco importa a árvore que nos tornamos... Mais valiosas são as sementes que nos esforçamos para lançar nesse mundo: seja numa aula que ministramos, um sorriso que compartilhamos, em um verso perdido que escrevemos, palavras insignificantes em um blog entre zilhões, num momento irrepetível que vivemos juntos, numa música que compomos e que pode fazer acalanto a outras pessoas ...
"Não esconda tristeza de mim.
Todos se afastam quando o mundo está errado;
Quando o que temos é um catálogo de erros;
Quando precisamos de carinho, força e cuidado."
(Renato Russo - O Livro dos Dias)
8:46 PM
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Terça-feira, Janeiro 23, 2007
Há músicas desconhecidas que são como belas flores que desaparecem sem que ninguém veja. Gosto das músicas pequenas, e que, em uma quase ingenuidade, conseguem me tocar, me marcar de algum jeito. Essa abaixo me atravessou ontem. Foi uma gratificação descobri-la escondida dentro de uma faixa extra do DVD Acústico MTV dos Engenheiros do Hawaii. Boa noite para quem aqui visitou :-)
De Fé
Composição: Humberto Gessinger
Sempre que eu preciso me desconectar
Todos os caminhos levam ao mesmo lugar.
É meu esconderijo, o meu altar.
Quando todo mundo quer me crucificar,
Eu só quero estar com você...
Quando o tempo fecha e o céu quer desabar,
Perto do limite, difícil de agüentar,
Eu volto pra casa e te peço pra ficar...
Em silêncio... só ficar...
Eu tenho muitos amigos, tenho discos e livros,
Mas quando eu mais preciso... eu só tenho você.
Tenho sorte e juízo, cartão de crédito e um imenso disco rígido,
Mas quando eu mais preciso... eu só tenho você.
Eu tenho medo de cobras,
Já tive medo do escuro...
Tenho medo de te perder.
12:45 AM
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Sexta-feira, Dezembro 29, 2006
UMA HISTÓRIA DE ANO-NOVO
Eduardo Simonini Lopes*
Elisa olhou para o céu.
Os olhos travessos de menina-mulher vislumbraram toda a amplidão de um céu noturno, sem nuvens. Perdeu-se em pensamentos, em recordações, em sentimentos... Lembrou-se do que viveu, perguntou-se sobre o que ainda iria viver. Qual seria o sentido de estar aqui? O sentido de se ter nascido neste mundo?
Elisa olhava as estrelas, querendo respostas a perguntas milenares que nunca foram satisfatoriamente respondidas, nem pelos sábios das ciências, nem pelos mestres das religiões.
O céu estrelado, em seu silêncio que atravessa as eras e se perpetua muito além dos homens, disse algo a ela sobre a vida. As estrelas, também caladas, responderam a seus olhos mudos de menina:
"No universo, querida Elisa, nada dura para sempre..., tudo passa e se transforma, inclusive os celestiais elementos. Viver é estar nadando no oceano da existência. Não há como fugir à vida, como fugir aos problemas, como também não há formas de se fugir aos seus sentimentos. Viver é estar em constante mudança, em constante movimento. "
Mas Elisa não queria viver com aquela sensação de que "tudo passa". Queria segurar o tempo, queria segurar aquele momento de felicidade e tranqüilidade. Havia várias coisas que a aborreciam em seu dia-a-dia das quais ela queria fugir. Mas como fugir aos problemas diários? Como fugir do que ela teme? Ah, como Elisa desejava parar o tempo, a história, a existência e viver eternamente naquele exato momento. Todavia as estrelas diziam que a vida não é parar... é sim estar em movimento...
Mas quanto mais Elisa quisesse controlar a vida, dominar as transformações, parar o tempo, mais impotente ela se sentia.
E as estrelas, sorrindo em brilhos faiscantes, beijaram os seus olhos, dizendo:
"Elisa, de olhos de mel, sorriso triste e semblante comum... nada mais é tão comum quanto antes. Nada mais fica quieto, parado, imóvel como você quer, minha menina. Mesmo sua escolha de vida mais acertada, um dia deixará de sê-la e você terá que partir para o encontro de uma nova dúvida, uma nova decisão, e um novo medo de errar e cair em solidão. Vida é esplendor e risco..., e é necessário se morrer várias vezes, para muitas coisas... mortes diárias, mortes sutis..., para que possamos nos renovar nesta existência. Até mesmo a morte é uma transformação necessária para que a vida prevaleça e se perpetue.
Elisa, minha amiga pensativa, só espero que no final de tudo você possa compreender que faz mais sentido ao crescimento soltar-se das certezas, sem ter medo de se perder para sempre, a ficar agarrada a uma série de amarras e mundos prontos feitos de cimento armado, que mais iludem do que fazem viver. Viver, Elisa, é deixar de ter tantas certezas e ter a coragem de tocar o que não se conhece.
Espero que você não se deixe aprisionar demais pelo passado e pelas coisas já conhecidas e estabelecidas. Espero que você não se perca dentro de suas certezas e esqueça de que nada na vida é para sempre.... ninguém pode antecipar como as coisas serão..., é impossível concebê-las. Tudo acaba, se transforma e se renova, Elisa, seja o corpo, a vida, a terra ou as estrelas."
O céu se silenciou e Elisa voltou ao mundo de seus pensamentos. Resolveu voltar para dentro de sua casa. A meia-noite se aproximava e todos gritavam alegres e esperançosos pelo novo ano que se aproximava. Estava estranhamente convicta de que viver não era ficar a tentar recuperar o passado ou temer o futuro, mas fazer o melhor pelo presente.
11:00 PM
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Quinta-feira, Dezembro 28, 2006
"Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!"
Lou Salomé
9:37 AM
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Sábado, Dezembro 16, 2006
Fotografia
(Leoni/Leo Jaime)
Hoje o mar faz onda feito criança
No balanço calmo a gente descansa
Nessas horas dorme longe a lembrança
De ser feliz
Quando a tarde toma a gente nos braços
Sopra um vento que dissolve o cansaço
É o avesso do esforço que eu faço
Pra ser feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.
Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz
E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.
8:12 PM

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