Orkut:<>
Eduardo
E-m@il: simonini1@yahoo.com.br
MSN: simonini1@msn.com
Blogs Legais
Dicas
Questão de gosto
Corpo sem Orgaos
Letsgogirls
Crisinha
Sites Legais
ufv
biblioteca
autopoiese
deleuze
omelete
lilianeaps1
oestrangeiro
Visitas:
Tenho insônia antes mesmo de tentar dormir;
Talvez por medo dos pesadelos que guardo para mim...
Talvez por medo de não querer mais acordar.
Você sabe como são os sonhadores...
Quando seu mundo interior treme
Eles querem mesmo é parar de sonhar.
"Estamos cantando a la sombra de nuestra parra
una canción que dice que uno sólo conserva lo que no se amarra
y sin tenerte, te tengo a vos y tengo a mi guitarra.
Hay tantas cosas
yo sólo preciso dos:
mi guitarra y vos. " (Jorge Drexler)
Percebo, com certa decepção, que estamos repletos de eruditos vazios. Pessoas que falam em liberdade, mas não conseguem exercê-la. Gente que fala em igualdade, mas não consegue praticá-la. Que defendem propostas de autonomia, mas se dedicam a práticas de infantilização do outro. As palavras são tão facilmente colocadas em discursos belos e bem remendados, enquanto as práticas são assim tão antagônicas às propostas revolucionárias instaladas nas palavras.
Deveríamos tentar viver o que falamos a fim de não nos tornarmos hipócritas dentro de um mundo de pessoas cegas a si mesmas. Que só conseguem ver o erro nos outros, mas não enxergam a própria limitação quando nadam em uma vida que não condiz com o que pregam com tanto fervor.
"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente dos seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, guaguejando, pediu ao pai:
_ Me ajuda a olhar!"
Eduardo Galeano ( O Livro dos Abraços)
Ah! a cada passo uma incerteza;
a cada momento um medo, uma confusão.
Mas que cada um construa a sua própria embarcação.
O mar é sempre igual aos olhos dos que comungam a mesma percepção.
Mas ele é muito mais amplo, profundo e surpreendente do que se pode imaginar....
A percepção do oceano é mutante para quem se atreve a navegar.
O barco de cada um de nós é uma diferença singular, que tem o poder de reinventar o próprio mar.
Pé ante pé, a madrugada adentra a noite. Devagar e sonolenta, ela me leva para o dia de amanhã. O silêncio de tudo vai de encontro aos meus pensamentos (sempre indisciplinados, inquietos, revoltos). De certa maneira, eu agrido a sacralidade desse silêncio. Acredito que eu deva também me calar para poder escutar o tempo que passa, e que se renova, a cada segundo que se gasta.
Cada segundo é um novo começo; um convite de renovação que abortamos quando insistimos na manutenção de uma única vida, de uma única persona, de um único modo de sentir. Viva o que sente, mas não se apegue ao que pensa que se é, para não correr o risco de se transformar em uma estátua de si mesmo.
Terminei hoje de ler um livro, montado como uma história em quadrinhos, chamado “MAUS”. A história demorou cerca de vinte anos para ser terminada (1972 a 1991) e foi escrita por Art Spiegelman (ex-editor da revista The New Yorker). “MAUS” foi baseada nas experiências dos familiares de Spiegelman durante todo período da Segunda Guerra Mundial, quando muitos deles, como judeus, sofreram imensos infortúnios, perdas e mortes. Pelo trabalho em “MAUS”, Spiegelman ganhou o Prêmio Pullitzer em 1992. É uma obra muito verdadeira, onde a alegoria da história (em que os judeus são representados como ratos, os poloneses como porcos, os alemães como gatos, os franceses como sapos e os americanos como cachorros) em absolutamente nada infantiliza os relatos ou tira a crueza, a dor e o impacto das histórias – todas reais. Não há muita explicitação de violência física, ..., a violência mostrada é infinitamente mais sutil e marcante: a violência da indiferença do ser humano para com seu próximo. É uma obra prima que merece ser lida.

Sabe o que mais me irrita nos orgulhosos? Essa insistência que eles têm de se auto-aclamarem humildes.
Há duas décadas eu tinha 16 anos. Era um menino quieto, mas amargurado. Não havia motivos exteriores sérios que justificassem minhas amarguras. Estas provinham de minha sensação de impotência em assumir minha vida com seus riscos e perigos. Muitas daquelas sensações foram colocadas em textos silenciosos, que só serviam para serem lidos por mim mesmo. Alguns desses textos são tolices românticas escritas para algumas namoradas impossíveis, mas outros textos são mais amplos em sentido. Nesta madrugada me encontrei com este que segue abaixo, escrito em 03/11/1988, às 22:05hs (segundo meus registros da época), e que eu coloco dentro da categoria de "mais amplos". Ele é aparentemente pessimista, meio triste, mas falava de uma libertação..., a minha libertação de uma série de sonhos que me paralisavam. Ao perder meus sonhos, fiquei perdido, mas também fiquei livre para outras vidas, outros mundos. Naquela época eu não percebi o fato de que me libertar dos encantos daquilo que me aprisionava foi o melhor presente que podia ter ganho para a construção de minha própria vida. Ainda estava cego ao fato de que, diante ao desmoronamento de meu castelo encantado, um horizonte lindo e amplo se abriu frente a meus olhos.
Cantiga do Nauta e do Sonhador
As ondas se acalmam no mar bravio.
As nuvens de tempestade começam a
Partir para algum distante lugar.
E meus sonhos também se acalmam.
A tempestade de pensamentos que agitava
Esses sonhos, está partindo.
E eu, ex-sonhador convicto, fico a
Encarar serenamente a realidade.
O nauta teve seu leme quebrado
Pelos relâmpagos destruidores.
Tive meus desejos podados, corrompidos,
Deturpados, humilhados, destruídos também.
Seria tão bom viver no mundo da
Fantasia, meu caro marinheiro.
Crer que o barco ainda tem leme,
Que o porto está próximo.
Crer que os sonhos se transformam em
Realidade, e que a vida tenha alguma
Validade.
Mas não nos esqueçamos, navegador:
Tu estás perdido no calmo mar,
E eu desordenado e sem sonhos,
Dentro desta patética realidade
03/11/1988
"Já perdemos muito tempo brincando de perfeição.
Esquecemos o que somos: simples de coração!"
(Humberto Gessinger)
Quando os dias tiverem passado, depois desse silêncio tumular, lembre-se que nossa existência ainda faz sentido, mesmo que existamos dentro de um tempo minúsculo quando olhado em escala cósmica. Uma palavra, um gesto, um sonho..., tudo isso pode desaparecer no próprio ato em que foram criados, quanto também podem fazer mover pessoas, grupos e perspectivas. Não menospreze o efeito de seus atos e pensamentos. Se eles não mudam o mundo, mudam a forma como você se coloca no mundo. E isso já traz uma diferença muito grande, para o "bem" ou para o "mal", a cada pessoa que te encontra e que se contamina com sua presença.
O final de ano é cheio de mensagens de felicidade e realização. Tudo bem..., mensagens assim são boas, mas mais do que realização nós necessitamos é de coragem. Principalmente a coragem para ter uma postura ativa diante da vida. A postura ativa não tem nada a ver com o pensamento positivo ou coisas desse gênero. Na postura ativa, nós reconhecemos o nosso fracasso, reconhecemos nossos limites e fragilidades..., mas em vez de nos lamentarmos, fazemos a pergunta: "o que posso fazer a partir disso? Que recursos eu tenho para ir adiante?" A vida não é uma caixa de presentes deliciosos..., é sim uma caixa de desafios, repleta de presentes que a serem desembrulhados. Nem todos os presentes trarão alegrias..., mas serão propostas de movimento. Um novo ano bom será aquele que nos coloque diante a nossas fragilidades, e, assim, nos force a criar para além dos mundos de conforto nos quais insistimos em habitar.
"Tudo na terra está sujeito a mutação. À prosperidade segue-se a decadência. Esta é uma lei da terra. Não há planície que não seja seguida por uma escarpa. Aquele que se mantém perseverante quando em perigo, permanece sem culpa. Não lamente essa verdade. Usufrua a boa fortuna que ainda possui" (I CHING)

Aprender a ser pequeno é uma arte. Olhamos demais para as grandezas do mundo, mas ficamos cegos aos universos de sentido que se desdobram silenciosos dentro de nossos próprios jardins. Queremos muito das pessoas, do futuro, da vida, e não sabemos saborear os presentes que temos no agora. O grande desafio é aprender a enxergar o que temos em nossas mãos que, de tão óbvio e cotidiano, acaba por não ser nem mais visto, ou sentido, ou valorizado.
"Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas)"
Manoel de Barros (Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo)
Não se esqueça disto: a vida é o que acontece no agora. Você poderia ter dito e feito muitas coisas sim. Poderia ter se expressado e atuado de outro jeito sim... E seu futuro pode vir a ser como você planeja, ou pode tudo dar errado por uma lufada do acaso e das circusntâncias. Mas o que você deveria ter feito ou que ainda vai fazer não suprime a importância do que você faz no agora, neste instante. O passado: água que escoou. O futuro: águas que virão. Mas é no presente que você exercita seu potencial de nadar entre essas águas. Não lamente pelo seu passado, ou habite em excesso dentro das alegrias que já se foram; nem se perca em devaneios quanto ao futuro: faça, sim, o melhor pelo seu presente.
A palavra perdão é algo que me chama atenção. Não sei a origem etimológica dela, mas sempre me traz a sensação de que se relaciona com o verbo perder. Quem perdoa perde também alguma coisa: perde uma mágoa, perde um ressentimento, desconecta-se de um conjunto de sensações que antes atropelavam o peito. Perdoar é perder a sintonia com algum tipo de experiência ou vivência. Perdoar a si mesmo fala de também perder-se da exigência que consome, que oprime, que sufoca.
Quem não sabe perdoar também não sabe perder. E perder é um pouco permitir-se uma outra experiência, um outro possível. Quem teme perder o controle, perder o que tem, perder a razão, perder a terra firme, não sabe perdoar. Fica preso, a ruminar, aquilo no qual se acostumou a viver, estabilizando um modo de pensar no qual enchafurda-se e sufoca.
"Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível
para os olhos. (...) Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante". Saint-Exupéry - O
pequeno príncipe.
DA ETERNA PROCURA
Mario Quintana
Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada.
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada.
Gosto dos Engenheiros do Hawaii. Melhor, gosto do Humberto Gessinger, que é o compositor. Há sempre um paradoxo, um lance existencial, uma sacada original em muitas músicas dele. Estava aqui em estado zen, corrigindo umas monografias de final de curso de minhas orientadas da Pedagogia, quando ouço Humberto Gessinger cantar a canção "Novos Horizontes"
Corpos em movimento...
Universo em expansão...
E o apartamento que era tão pequeno
Não acaba mais...
Vamos dar um tempo.
Não sei quem deu a sugestão
Aquele sentimento que era passageiro
Não acaba mais...
Novos horizontes...
Se não for isso, o que será?
Quem constrói a ponte
Não conhece o lado de lá.
Quero explodir as grades... e voar.
Não tenho pra onde ir,
Mas não quero ficar.
Suspender a queda livre... libertar...
O que não tem fim sempre acaba assim...
E fico pensando: Como acaba o que não tem fim?
É preciso construir o que falta, e não destruir o que sobrou...
Memória
(Carlos Drummond de Andrade)
Amar o perdido deixa
confundido esse coração.
Nada pode o olvido contra
o sem sentido apelo do não.
As coisas tangíveis tornam-se
insensíveis à palma da mão.
Mas as coisas findas, muito
mais que lindas, essas ficarão
Você olha para a lua e eu me pergunto sobre o que você está a sonhar.
Sei que gostaria de mais certezas; sei que gostaria de ter os pés mais firmes no chão,
Mas olhando para a lua, assim, você só está fugindo das coisas que tem que enfrentar...
Só está fugindo de assumir a vida e a responsabilidade que foi deixada em sua mão.
Mas, ainda assim, eu gostaria de te ajudar a alcançar a lua, só para te mostrar que ela não é habitada por sonhos, mas por um vasto deserto.
E os desertos não são lugares fáceis de habitar.
Eles se assemelham à vida: têm que ser cultivados com coragem.
Gostaria, assim, de poder te ajudar a descer das alturas,
E te auxiliar a construir com o mundo que está ao alcance de seus braços, no limite de suas mãos...,
Necessitando de ser inventado a cada passo, a cada ponto de interrogação.
Quando nasce o homem é fraco e flexível
Quando morre, é forte e rígido.
A firmeza e a resistência são sinais de morte
A fraqueza e flexibilidade, manifestações de vida
LAO TSÉ , TAO TE CHING
No dia do meu aniversário, neste ano de 2007, recebi uma bela mensagem de uma amiga que mora em Vitória. Ela montou slides no powerpoint com montagens de sons e imagens em meio à mensagem carinho que me mandou. Compartilho com vocês o trecho final da mensagem, que achei muito bonita.
Resumimos que a vida é
um grande baile em que
almas se encontram, se esbarram,
se unem e se separam...
Cada qual bailando nos conflitos,
nas esperanças e nas suavidades
de momentos de amor.
De todos os anos que se foram,
concluo que: viver... é ser cada qual, em sua essência adquirida.
Com todas as adversidades,
com as lágrimas derramadas.
Ainda assim, a alegria de viver é o maior presente embrulhado em papéis de brilhos de momentos...
Relembrar é viver um pouco mais.
Viva a sua vida pois ela é curta.
Valorize e ame a você mesmo, pois ninguém mais que você, te conhece.
E não se esqueça... Ninguém lembrará o que fez de bem.
Mas, ... Todos lembrarão dos seus erros.
IDA E VOLTA
Biquini Cavadão
Não sei mais o que fazer...
A noite acabou!
As luzes já vão acender e com elas solidão.
A vida aqui nesta cidade é buscar a diversão.
Nos bares vendem mil venenos
E as pessoas estão fantasiadas.
E eu não sei se o que vivi foi ilusão
Ou teve mesmo importância.
Acho que não me deram atenção, não..., não me deram atenção!
Volto prá casa sentindo frio,
Sem saber se hoje choro ou sorrio.
Amanhã quando acordar eu decido.
Mas a vida ainda me pertence
Embora todos possa ir embora,
Ainda que estejam na vinda e eu na volta.
Diante ao abismo, é imprudente ficar mirando o fundo. Buscar o fundo é correr o risco de ser sugado pelo mesmo. O abismo puxa aqueles que ficam à sua beira, olhando, curiosos, na tentativa de achar o que há no fundo de tudo. É preciso seguir o abismo pela margem, sem olhar demais para o penhasco
Há aqueles que criam. E há aqueles que teorizam a respeito dos que criam.
Essa é a diferença entre a experiência de navegar e a de ficar no porto conjecturando sobre o mar.
"Os únicos artistas pessoalmente deliciosos que conheci são os maus artistas. Os bons artistas existem simplesmente no que fazem; eis por que, em pessoa, são tão desinteressantes. Quanto piores os versos, tanto mais pitoresco é o poeta. (...)Ele vive a poesia que não soube escrever. Os outros escrevem a poesia que não conseguem concretizar." Oscar Wilde (O Retrato de Dorian Gray)
Eu faço silêncio para você me escutar..., porque a palavra é coisa enganosa e deixa o sentido oculto escapar. E eu sempre apreciei o que ficou nas entrelinhas, nas coisas que não foram ditas, nas possibilidades não vividas. Sempre gostei desses pedaços mal terminados de vida que fazem com que a gente pense: e se tivesse sido diferente?
E essa diferença não acontecida, faz com que a gente imagine, assim, outros possíveis, outros mundos outros futuros, outros passados que poderiam ter sido, mas esqueceram de acontecer. Essa é a matéria prima da literatura; a argamassa de todos os sonhos.
O viajante
Não adianta negar..., tememos as mudanças. Gostamos que as coisas mudem de forma programada, mas essas mudanças que nos pegam de surpresa, que nos tiram de um território repetido, sempre nos causam desassossego. É necessário coragem para andar onde não se sabe a consistência do solo. É necessário coragem para se ir além do ponto conhecido. É preciso coragem para arriscar o coração, o corpo, a alma, em uma empreitada que pode resultar na mais completa derrota. E ainda assim, apesar do medo..., só crescemos quando damos esses passos temerosos rumo ao desconhecido...
" O sedentário mora no hábito; o viajante corre perigo" Charles Feitosa
(postado simultaneamente em Cristiane Martins)
Uma música que aprendi a gostar na infância foi “Nuvem Passageira”, talvez porque desde muito cedo comecei a entender a idéia de que nós somos um breve acontecimento que desaparece sem deixar marcas de existência. Não há nada de trágico ou depressivo ou pessimista nisso. Na verdade é uma coisa muito bela. Eu e você somos um acontecimento único e irrepetível que desaparecerá. Por isso mesmo ninguém é banal, ninguém é sem importância. Por sermos tão frágeis e temporários, somos jóias raras. Por isso, não desperdice a preciosidade do convívio daqueles que compartilham o seu momento de vida, pois amanhã eles, ou você, podem não estar mais aqui.
“Eu sou nuvem passageira,
Que com o vento se vai.
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai.
Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois essa pedra em pó vai se transformar.
Você não vê que a vida corre contra o tempo?!
Sou um castelo de areia na beira do mar.”

Hoje participei de um debate áspero. Debate de briga de poder. Debate de acusações que mais pareciam um tiroteio a esmo. E vou aprendendo participando desse tipo de conflito. Aprendendo que, quando há algum vencedor da querela, geralmente este é aquele que se preserva sem deixar de ser omisso. Perde aquele que esbraveja, e grita, e recrimina..., e que sai alterado, angustiado, ansioso por contar os mortos de sua investida. Quem se preserva não se expõe de maneira desnecessária, nem se descontrola em argumentos desequilibrados pela ira.
Quem é grande, acaba sendo visado demais...
quem é pequeno passa despercebido e, com isso, flui sem incômodos maiores.
Quem é grande teme perder a grandeza...
quem é pequeno aprende a se encantar com o pouco.
Quem é grande ignora a beleza do cisco, da formiga, da folha seca...
quem é pequeno aprende sobre as grandezas das coisas ínfimas
"(...) Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro. Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas). Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. Fiquei emocionado e chorei. Sou fraco para elogio". (Manoel de Barros)
Erich Fromm escreveu um bonito livro sobre diferentes práticas de amar. Livro pequenino chamado "A Arte de Amar" onde discute os diferentes caminhos de nossos afetos. Tirei o trecho abaixo desse livro:
"... quando se tem conscientemente medo de não ser amado, o medo real, embora habitualmente inconsciente, é o de amar. Amar significa entregar-se sem garantias, dar-se completamente na esperança de que o nosso amor produzirá amor na pessoa amada. Amar é um ato de fé, e quem tiver mesquinha fé terá também mesquinho amor".
Bonitinho, né?!
Amizades são relações frágeis. Podem despencar em uma lufada de vento mais ríspido. Podem erodir em meio a palavras mal colocadas. Podem desbotar por conta de intenções pouco esclarecidas. Não devíamos cultivar inimizades. Os amigos tendem a ser mais úteis. Torna-se sempre mais fácil trabalhar com aliados do que com inimigos. Mas as pessoas são por demais vaidosas. Apreciam se colocar acima das outras e, nisso, na vitória que pensam conquistar, conseguem apenas angariar desafetos, produzir mágoas, e criar fissuras entre aqueles que antes pareciam tão fraternos...
Somos seres à deriva no mar do tempo, levados pela correnteza das horas, quase que impotentes ao fluxo que nos conduz. A temática do tempo é o elemento que inicia um documentário a respeito de Paulinho da Viola. Paulinho entra em uma livraria para buscar um livro que encomendou a respeito da saudade. Ele quer, com esse livro, entender o que vem a ser saudade, porque acha que nunca sentiu isso. Para ele saudade parece algo que se sente pelo que se perdeu, pelo que terminou, pelo que não existe mais. Só que, para Paulinho, as coisas não se perderam..., o passado é algo que faz parte de nosso corpo, de nossos sentidos, de nosso presente.E o que ele diz, então, para explicar o porquê de não sentir saudades, é uma lição, em poucas palavras, a respeito do estar presente, do viver intensamente no agora. Nos conta, então, que:
"O meu tempo é hoje. Eu não vivo no passado. O passado é que vive em mim"
Aprendo com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata -- cresce de importância para o meu olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão --
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.
(Manoel de Barros - Retrato do artista quando coisa)
"Atrás de toda coisa bela, há sempre um quê de trágico. Para que desabroche a mais insignificante das flores, é necessário o trabalho de mundos..." Oscar Wilde (O Retrato de Dorian Gray)
Não, não planejo muito. Apenas sigo..., deixo correr...
Cansei de arquitetar mapas no espaço na intenção de não me perder.
Agora assumo o risco de soltar a linha,
De quebrar a forma, de fugir do traço...
Fiz há pouco tempo uma palestra na Universidade Federal de Viçosa a respeito de afeto e trabalho para uma turma de professores de um projeto chamado Veredas. Quando me perguntaram quanto eu cobraria pela palestra, fiz um pedido inusitado: quero o livro O Jogo da Amarelinha de autoria de Julio Cortázar. E hoje eu recebi o livro. Logo na primeira página fui acarinhado por palavras inspiradoras que eu gostaria de compartilhar com você:
"E, então, era muito natural atravessar a rua, subir as escadas da ponte, dar mais alguns passos e aproximar-me da Maga, que sorria sempre, sem surpresa, convencida, como eu também o estava, de que um encontro casual era o menos casual em nossas vidas e de que as pessoas que marcam encontros exatos são as mesmas que precisam de papel com linhas para escrever ou aquelas que começam a apertar pela parte de baixo o tubo da pasta dentifrícia."
O acaso tem, pois, seus encantos..., encontros casuais que trazem outras cores, aromas e sabores... Se tememos tais encontros é porque também temos medo da vida, de perder o controle, de arriscar no existir.
"Era errôneo querer novos deuses, era completamente errôneo querer dar algo ao mundo. Para o homem consciente só havia um dever: procurar-se a si mesmo, afirmar-se em si mesmo e seguir sempre adiante o seu próprio caminho, sem se preocupar com o fim a que possa conduzi-lo. (...) Eu não existia para fazer versos, para rezar ou para pintar. Nem eu nem nenhum homem existíamos para isso. Tudo era secundário. O verdadeiro ofício de cada um era apenas chegar até si mesmo. Depois, podia acabar poeta ou louco, profeta ou criminoso. (...) Sua missão era encontrar seu próprio destino, e não qualquer um, e vivê-lo inteiramente até o fim". (Hermann Hesse – Demian)
Rostos
Rostos cheios de olhos e narizes olhando para nós.
Rostos diferentes, cheios de curvas estranhas, rugas, covas...
Os cabelos também são um espetáculo à parte: cabelos sobre crânios
femininos, sempre uma forma de obra de arte.
Bocas se mexendo em palavras inaudíveis; pensamentos perdidos dentro de tantos cérebros desunidos.
Rostos sérios, sonolentos, tristes, atentos.
Rostos iguais a nenhum outro...
Almas semelhantes a minha.
Só que ninguém suspeita que nós somos tão parecidos em sonhos, lágrimas e alegrias. Não suspeitam que somos tão iguais em vida. Tão felizes neste momento, tão iludidamente eternos...
Enquanto os rostos mudam tão rápido...
Enquanto caem os nossos castelos...
Por que fazemos promessas que sabemos que não iremos cumprir ?

LEVEZA (parte 1)
Céu nublado, tempo conturbado, ar poluído..., tudo conspira contra nossa sobrevivência.
Somos almas muito frágeis diante a tanta pressão. Querem-nos secos, ásperos, duros, esgarçados. Querem-nos com vida minguada, a fim de que queiramos mais nada e que silenciemos nossa voz .
Mas temos pássaros na garganta; temos cigarras nos pulmões.
E por pior que esteja o tempo, ainda guardamos estranhas forças para conseguir ir além dos sufocamentos que nos impuseram aos nossos corações.
Insistem em nos dizer que as sutilezas são, hoje, apenas demonstrações de fraqueza. Esquecem que, para se levantar em meio à frieza do concreto, a pequena aste e a delicada flor precisam de coragem..., muita coragem e destemor. É preciso, pois, força para se ter leveza em um mundo que condena à tolice qualquer ato de cuidadoso amor.
LEVEZA (parte 2)
Te amo de uma forma tão delicada, Maria, que qualquer brisa espalharia pelo ar todo essa alegria que guardo sem falar. Te amo de forma tão sutil e oculta e calada que, quando tento te dizer alguma palavra, esta já perdeu o sentido, não se sustentou no tempo, não valeu de mais nada.
Somos todos muito cegos pois estamos aptos a enxergar apenas o que nos é imediatamente permitido pela nossa biologia e ou nossos condicionamentos sociais. O que entendemos como verdade, é apenas uma linha reta na qual depositamos nossas redundâncias e nossa ânsia de estabilidade. Olhamos a existência como quem prendeu o olhar em um buraco estreito durante grandes longos anos, e nos acostumamos a chamar de vida aquele ponto minúsculo no qual achamos que estão depositados todos os possíveis. Mas fazemos isso exclusivamente para o nosso conforto. Há outras formas de viver e sentir tão absurdamente estranhos a nós que, pelo simples fato de nós estarmos cegos a elas, acreditamos que não existem. Porém, quando erguemos nossa potência de enxergar para além das nossas repetições cotidianas, nos assombramos com a pequenez do nosso olhar e a amplidão do existir. Quanta beleza existe naquela pedra que eu peguei ao lado de um restaurante em Belo Horizonte; quanta graciosidade naquela pequena concha branca e marron esquecida pelo mar em uma praia de Vitória; quanta leveza na corujinha minúscula feita de durepox que encontrei em uma feira em Natal... coisas pequenas que passariam sem existência por mim, se eu não conseguisse inventá-las com meu olhar. A vida não está pronta, nem as belezas pré-definidas. Ambas precisam ser produzidas por mim, por você, por nós dois...
Não tenho pressa. A paciência é virtude rara em um mundo onde a velocidade é a regra máxima. Tudo tem que acontecer rápido no desejo das pessoas. Todos anseiam por serem felizes a todo custo e se entopem de drogas lícitas e ilícitas das mais diversas, variadas e criativas. Mas não tenho pressa..., não quero drogas..., o que eu quero são encontros lentos, silenciosos, sem muita agitação. Encontros em que os minutos tenham em si mesmos a intensidade de horas, e que fiquem cravados no corpo. O que eu quero é uma vivência sem atropelos por suprir expectativas. O que quero é um ritmo em que me sinta confortável com o movimento, sem o risco das paralisias ou a vertigem das velocidades. Quero assistir e sentir a paisagem, não ansiando por chegar rápido demais ao ponto final da minha viagem.
"A árvore que mais demora a crescer, melhor se enraiza no solo". (I CHING)
De segundo em segundo, se forma um minuto...
E os minutos dão lugar às horas;
As horas dão lugar aos dias;
E os dias dão lugar aos meses;
Os meses dão lugar aos anos;
Os anos dão lugar às décadas;
As décadas dão lugar aos séculos
Os séculos dão lugar aos milênios...
... De segundo em segundo se constrói um bilênio...
E nós, filhos do tempo, boiando à deriva dentro de uma esfera que flutua no universo, iguais a peixes aprisionados em um aquário.
"We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year.
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears."(Pink Floyd – Wish you were here)
Pela água que te benze...
Pela luz que te alumia...
Pela reza que te cura...
Pela fé que te segura...
Pelas velas do teu guia...
Hoje a noite é mais escura,
Vem aí um temporal.
Vê se arreia esse cavalo;
Vê se toca esse berrante;
Vê se acalma essa boiada;
Vê se avisa a meninada;
Vê se muda esse destino...
(Ivan Lins)
Tenho lido, sem muita disciplina, Grande Sertão: Veredas. Leitura às vezes difícil, às vezes fluida. Mas o que mais gosto nesse livro são as reflexões de Riobaldo, um dos principais personagens. Jagunço iletrado, Riobaldo transpira uma sabedoria cunhada nas andanças pelo sertão mineiro. Os bons livros são esses assim que fazem com que sustentemos por um momento a leitura, e oferecem espaço para um novo pensamento. Por exemplo, grandes ditadores começam suas tiranias bem intencionados. Querem o bem do povo (do jeito dele), querem um mundo melhor (do jeito dele), querem todos felizes (do jeito dele), querem que se faça uma boa política (do jeito dele)..., e acaba colocando no "paredão" qualquer jeito que não seja igual ao que ele quer. Tendemos nós mesmos a ditaduras quando achamos que o mundo seria melhor se fosse do nosso jeito, o que nos faz negar qualquer diferença, qualquer nova expressão não previamente mapeada por nós. Riobaldo nos alerta sobre isso quando diz, no Grande Sertão:
"Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo."
Como posso viver em um oceano, se eu não sei nadar...
Não resistiria nem mesmo a uma mínima tempestade em alto mar; seria devorado por tubarões, baleias assassinas ou por algum monstro submarino, vindo das histórias de ficção.
Pergunto-me se meu lugar não é no solo firme, ou pelo menos sobre as areias de uma praia.
O mar seria, então, um local espetacular, de fenômenos mil a serem observados.
Não participando do oceano (só vendo-o acontecer) certamente me sentiria mais seguro, mas também um pouco frustrado por ter desistido de caçar o monstro devorador de gente que habita o fundo do mar;
Talvez um pouco frustrado por nunca ter aprendido a nadar.
Às vezes eu queria parar o tempo..., não deixar mais nada passar. Segurar nas minhas mãos os instantes e repetir indefinidamente um momento escolhido. Mas o tempo escoa..., vaza por entre meus dedos como água fluida. E eu me entristeço ao ver perder os momentos que nunca mais voltarão. Gostaria de segurar algumas coisas importantes, que fizeram parte de minha felicidade: o sorriso de meu pai,... uma menina saltitante no meio do carnaval,..., bicicletas vermelhas no asfalto,..., o strogonoff do Casarão..., uma estação ferroviária em Pedro Leopoldo,... um quarto onde não mais habito,... um sentimento de alegria partircular diante a uma difícil vitória, ...bancos de jardim em meio a ratazanas, ... um começo de uma madrugada..., mas tudo passa...
“Quando se deleitar com uma coisa, quando escrever um poema ou ler um livro..., quando dançar ou fazer qualquer outra coisa, deixai-a passar; não diga ‘quero mais’. Porque isso já será avidez e portanto não há mais alegria. Se for a claridade do sol, se deleite com ela, mas não diga ‘quero mais’. Se forem as nuvens, deixe-as passar; elas têm também sua beleza. Não diga ‘eu queria que o dia estivesse mais belo’. O que faz você infeliz é a exigência de ‘mais’. Quando realmente deixar de pedir ‘mais’, quando não tiver mais ânsia aquisitiva, terá alegria, sem o saber”. (Jiddu Krishnamurti)
A manutenção de uma identidade é um fator importante, pois nos oferece segurança, nos oferece um território conhecido onde possamos nos situar. Mas ficar restrito a um único território de realidade é perigoso..., faz com que todas as mudanças sejam vivenciadas como mortíferas. A manutenção de uma identidade é necessária a nossa saúde física e mental, porém, depois de tê-la bem constituída, é preciso um passo à frente, um passo no desconhecido, um passo em devir. A identidade se estabelece como um porto seguro..., mas os portos seguros são necessários apenas para os navios não se perderem demais em suas viagens pelo mar. Um navio que só fica atracado a um porto, com medo do oceano, não torna-se navio..., nem realiza sua tarefa de navegar.
Se eu fosse de orientação reencarnacionista (kardecista, budista, hinduísta, umbandista, vale do amanhecer, candomblé) eu diria que é “pagar” um karma...
Se eu fosse evangélico, eu diria que é uma provação do diabo...
Se eu fosse católico, eu diria que é castigo de Deus...
Se eu fosse ateu, eu diria que é crise moral...
Se eu fosse psicanalista, eu diria que é conflito neurótico...
Se eu fosse corajoso, eu diria que é desafio grande demais...
Se eu fosse forte, eu diria que é fragilidade...
Se eu fosse afetivo, eu diria que é pelo mais sincero carinho...
... quando as contingências da vida nos jogam em uma praia do destino para, diante a um sol que nasce no meio do oceano, nos deixar morrendo de sede em frente ao mar...
CORAÇÃO BLINDADO
Engenheiros do Hawaii -
Fácil falar,
fazer previsões depois que aconteceu.
Fácil pintar o quadro geral
da janela de um arranha-céu.
Sem ter que sujar as mãos.
Sem ter nada a perder.
Sem o risco de pagar pelos erros que cometeu.
Fácil achar o caminho a seguir
num mapa com lápis de cor.
Moleza mandar a tropa atacar
na tela do computador.
Sem o cheiro,
sem o som,
sem ter nunca estado lá,
sem ter que voltar pra ver o que restou
Com a coragem que a distância dá,
em outro tempo em outro lugar,
fica mais fácil.
Fácil demais
fazer previsões depois que aconteceu.
Fácil pensar nas condições ideais
que nunca existirão.
Sempre à distância.
Sem noção .
O que rola pelo chão
não são as peças de um jogo de xadrez.
Com a coragem que a distância dá,
em outro tempo em outro lugar,
tudo é tão fácil.
Em 1989 eu ganhei de presente de uma amiga um caderno amarelo. Como se fosse um diário, fui colocando ali meus versos dispersos que eu fazia seguindo o ritmo das emoções que me encontravam. O caderno foi muito útil para que eu pudesse digerir minhas diferentes crises em diferentes anos, através da produção de textos. Mário Quintana já dizia que escrever poema é bom porque evita que façamos coisas piores. Hoje resolvi abrir o caderno e vou compartilhar aqui o que o acaso me trouxe. O tempo pode murchar as flores, mas não mata a lembrança da sensação de ter vivenciado a beleza das mesmas. Da mesma forma, se as palavras envelhecem, as sensações mantêm o seu frescor.
Te dou um beijo na mão
para não correr o risco de
tocar seus lábios.
Você não sabe como eu sou...,
minha carne é fraca
e esse meu pudor é só
simulação.
Você não devia nem existir,
oh! menina linda que habita o mundo
da minha imaginação.
Mas enquanto você é real,
e desconhece meu desejo
de te amar...,
para mim você é uma ilusão
na qual te amo enquanto estou
a te sonhar".
(22-03-1992)
(...) e após esse tortuoso inverno em que entramos, virá de novo a primavera com suas flores coloridas.
Molhemos a aridez momentânea de nossa terra com a água da esperança, da força e da alegria.
Umedeçamos toda essa seca tristeza.
As flores voltarão a brotar...
sem dúvida que voltarão -
- ainda que crescam regadas por nossas lágrimas. (15-04-1991)
"O que você me pede eu não posso fazer...
assim você me perde e eu perco você...
como um barco perde o rumo...
como uma árvore no outono perde a cor.
O que você não pode eu não vou te pedir.
O que você não quer, eu não quero insistir.
(...)
Toda vez que falta luz,
toda vez que algo nos falta (alguém que parte e não volta)
o invisível no salta aos olhos,
um salto no escuro da piscina.(...)
Toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos" (Humberto Gessinger - Piano Bar)
Falo amabilidades com meus amigos..., mas as conversas estão cada vez mais escassas. Me coloco na posição de ouvinte e escuto, mas o diálogo quase não existe. Às vezes tenho até preguiça de conversar, quando percebo que do outro lado não há ninguém querendo me escutar. Querem ouvir minhas amabilidades, mas não o que sinto que tenho prá falar. E às vezes, por ter tanto a dizer, nada digo e fico escutando o meu calar. Falo muito, e também sou muito silencioso. E poucos se dispõem a escutar o que tenho a dizer no meu silêncio.
"Mas a vida não é entendível (...) Natureza da gente não cabe em nenhuma certeza. (...) É e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é... Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom-amigo-de-seus-amigos!" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas
Gente que se coloca na posição de saber demais, me dá sono. Gente que tem explicação prá tudo, me dá preguiça. Gente que tem mil autores para citar a fim de se proteger do risco de pensar por si mesmo, me deixa meio enjoado. Fico à vontade com aqueles que não sabem, com aqueles que se questionam, com aqueles que procuram, ou, como diz Adriana Calcanhoto: "eu gosto dos que têm fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem". Aqueles que parecem já acabados, e resolvidos, e ponderados..., me cansam.
Mergulho na experiência do não saber.
Envolvo-me naquilo que não sei ao certo...
para fazer valer a experiência do aprender,
uma vez que o "não saber" torna-se prática
de abertura de universo
Depois de muito tempo procurando, finalmente achei uma imagem do deus hindu Shiva para comprar. Não sou hinduísta, mas aprecio o simbolismo que existe em torno de Shiva.
Neste aspecto, Shiva aparece como o Rei (raja) do Dançarinos (nata). Ele dança dentro de um círculo de fogo, símbolo da renovação e, através de sua dança, Nataraja cria, conserva e destrói o universo. Ela representa o eterno movimento do universo que foi impulsionado pelo ritmo do tambor e da dança. Apesar de seus movimentos serem dinâmicos, como mostram seus cabelos esvoaçantes, Shiva Nataraja permanece com seus olhos parados, olhando internamente, em atitude meditativa. Ele não se envolve com a dança do universo pois sabe que ela não é permanente
"Nunca mais", ordenou sua vontade. "Amanhã, novamente!", suplicou seu coração. (Hermann Hesse - Narciso e Goldmund)
INSTANTES
Jorge Luís Borges
Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais bobo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais.
Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui. Tomaria mais sorvete e menos lentilha. Teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto de sua vida. Claro que eu tive momentos de alegria. Mas se pudesse voltar a viver, trataria de Ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos. Não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda chuva, um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres, brincaria com mais crianças..., se eu tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos, e sei que estou morrendo.
"Ama a arte dentro de você, e não você mesmo na arte"
"As forças do mundo não cabem em uma só pessoa e o mundo não tem paz, ele é nervoso, finito, inventado e reinventado a todo momento. Os que afirmam que dentro de si está o tesouro desejam a paz e o silencio, e qualquer ruído do mundo incomoda a solidão tecida pela paz. Cuidado com eles, poderão te converter em nome, identidade ou vazio." (A Cidade dos Sábios - Luis Antônio Baptista)
Uma única palavra; uma pequena frase, já são suficientes para destruir muita coisa: destruir um sonho, erodir uma relação. Cuidado com suas palavras. Elas colocam em movimento ações que, muitas vezes, não terão mais condições de serem resgatadas, consertadas, desculpadas.
"O ruim com o ruim terminam por as espinheiras se quebrar - Deus espera essa gastança. Moço! Deus é paciência. O contrário é o diabo." João Guimarães Rosa - Grande Sertão:Veredas

Juras de Esquecimento
Em uma última loucura eu me ausento.
Esqueço todas as sensações que antes tive.
Tiro da minha mente todo aquele sentimento...
Toda a irracionalidade de um amor que não existe.
O seu olhar fugiu dos meus...
Desapareceu numa esquina da minha existência.
E eu, que gritei misericordiosamente por clemência,
Não fui nem mesmo ouvido ou visto por esses olhos seus.
Se esquecido, então, fui eu, melhor também eu te esquecer.
Se você não quer se lembrar, também não tenho motivos
Para recordar a satisfação que tinha em poder te ver...
Em te mirar em meu olhar.
As noites em que te esperei sob as estrelas, esquecidas estão...
Os abraços ternos de carinho com que te envolvi, foram em vão...
O sonho de ter seus lábios colados com os meus, não passou de
Débil ilusão.
Em uma última loucura eu me ausento.
Perco-me no fundo de todo aquele mágico momento
Em que dançei com você...
Em que pensei que nunca ia querer te esquecer...
Mas agora, que não posso mais te ter, te faço juras de esquecimento.
(De minha autoria, em 21-01-1992) :-) bonitinha né!!!!!
VOLTA POR CIMA
Chorei.
Não procurei entender.
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava.
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava.
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava.
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão.
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
Sei que demoro às vezes muito tempo para postar aqui. Os conhecidos me lêem e os desconhecidos também. Fico feliz com as visitas que recebo. Mas minha demora ou freqüência com que venho até aqui está relacionada às intensidades que me atravessam. Seria fácil escrever todo dia para manter a freqüência dos visitantes. O problema é que não escrevo para os visitantes, mas para mim... Muitas vezes eu necessito escutar minhas próprias palavras..., preciso me revitalizar em mim mesmo. Mas há momentos da mais plena paralisia na minha vida, em que me encontro perigosamente satisfeito com minha rotina. E assim, nada me acontece, nada me machuca, nada me tira do eixo. Mas, de repente, quando menos espero, um encontro, um suspiro, alguma coisa sutil ou intensa me atropela e me faz querer escrever. Às vezes sou afetado por uma revista em quadrinhos, uma palavra, uma paisagem, um e-mail,..., sei lá..., coisas pequenas que acabam me abrindo um horizonte diferente sobre um tema que eu pensava já ter todas as respostas. E eu adoro e odeio não ter todas as respostas. Adoro..., porque me indica que existe um mundo novo a ser explorado e descoberto e ou inventado. Odeio..., porque tenho medo de me perder, de errar, de sofrer. Duas forças antagônicas que sou eu..., que somos todos nós.
Mas só escrevo quando um impulso me força. Quando as palavras brotam dos dedos para além de minha vontade. Acho que a gente deveria só escrever dessa forma..., quando o sangue sai das veias e exige outras vias de acesso.
Carne e Osso
(Moska - Zélia Duncan)
A alegria do pecado
Às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu
E eu gosto
De estar na terra
Cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano
Perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso
Pra não ser carne e osso
Gastamos tempo demais a nos preocupar sobre o sentido da vida.
Escrevemos livros demais a respeito na esperança de achar o significado da existência em alguma pessoa ou algum lugar.
E lemos românticos e romances, poetas e filósofos..., e achamos que quase encontramos o sentido, para no segundo seguinte ele nos escapar.
Enquanto isso...
... a vida passa lenta e silenciosa..., sem promessas ou ilusão..., sem sentido ou definição...
Sem perguntas e sem explicação.
E ignora completamente esse nosso pedido egoísta de que ela nos deve algo, de que ela tem que nos fazer feliz, ou pelo menos ter um porquê, uma orientação.
Mas a vida não nos deve nada. Nós é que temos que ter coragem para lidar com os acontecimentos que ela nos lança
sem aviso prévio, sem pedir licença, sem bilhetes de despedida ou cartas de apresentação.
"O nosso principal objetivo é não ver o que se encontra vagamente à distância, mas fazer o que se acha claramente ao nosso alcance" Thomas Carlyle
Tive repentinamente saudade de um antigo sonho: ser roteirista de histórias em quadrinho. Colecionei histórias de super heróis por uns cinco anos..., até que meu senso crítico foi ficando cada vez mais aguçado e eu passei a selecionar as historinhas que lia. Hoje tem muito material bom para ser lido e sugiro as seguintes histórias:
- Watchmen (de Alan Moore)
- V de Vingança (Alan Moore)
- Livros da Magia (Neil Gaiman)
-Sandman - o mestre dos sonhos (Neil Gaiman)
- A piada mortal (Alan Moore)
-Demolidor (Frank Miller)
-Batman - o cavaleiro das trevas (Frank Miller)
- Marvels
- Rising Stars
- Monstro do Pântano (Alan Moore)
Tudo história de primeira linha. O cinema descobriu os quadrinhos, e esperemos que ele não avacalhe demais as histórias, como avacalharam Homem Aranha 3 e X-Men 3. Salvo um apelo americanista que existe em muitas dessas revistas, as histórias valem a pena e podem surpreender pela complexidade.
SAUDADE
João Guimarães Rosa
Saudade de tudo!...
Saudade, essencial e orgânica,
de horas passadas,
que eu podia viver e não vivi!...
Saudade de gente que não conheço,
de amigos nascidos noutras terras,
de almas órfâs e irmãs,
de minha gente dispersa,
que talvez até hoje ainda espere por mim...
Saudade triste do passado,
saudade gloriosa do futuro,
saudade de todos os presentes
vividos fora de mim!...
Pressa!...
Ânsia voraz de me fazer em muitos,
fome angustiosa da fusão de tudo,
sede da volta final
da grande experiência:
uma só alma em um só corpo,
uma só alma-corpo,
um só,
um!...
Como quem fecha numa gota
o Oceano,
afogado no fundo de si mesmo..
Riobaldo, personagem criado por Guimarães Rosa em "Grande Sertão: veredas", me disse que "eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa." Faço minhas as palavras de Riobaldo..., suspeito de muita coisa mas não posso declarar certezas. É dentro desse espírito que levanto uma suspeita muito íntima. Acho que viemos ao mundo não para brilhar, mas para colaborar. Passamos rápido pela vida e a única obrigação que temos é deixar uma contribuição: um verso, uma canção, um filho, um sonho, um livro, uma inspiração. Nossa vida já vale a pena se algo que deixamos possa vir a ser utilizado para o engrandecimento desse mundo em que vivemos.
Os verdadeiros heróis estão escondidos;
São pessoas comuns, imperceptíveis.
Os verdadeiros heróis quase nunca são reconhecidos.
Militam pela humanidade e não unicamente por si mesmos.
Não buscam o louro dos aplausos, mas sim a chance de produzir esperanças,
de multiplicar os movimentos, de semear sorrisos...
E por isso mesmo eles não se importam de serem esquecidos.
Não me irrito com a ignorância de meu semelhante. Eu mesmo sou ignorante em muitos pontos..., não sei muitas coisas...,não domino inúmeros territórios.
Não me irrito com o medo do outro. Temos mesmo muitos receios. E em alguns momentos, o medo é sinal de prudência.
O que me irrita é a apatia paralisante dessa multidão de sonâmbulos que insiste em fazer de suas vidas o menor esforço possível.
Esses que carregam a existência como se fosse um grande fardo e vêem dificuldade em todo processo que signifique desafio e crescimento.
Me irrita a apatia depressiva desses tantos que sepultam suas vidas sem antes arriscarem a viver.
Me irrita essa declaração de incapacidade desses que nem mesmo sabem do que são capazes e se anulam por preguiça.
"Como alguém pode impedir uma gota d´água de secar?
Atirando-a ao mar!"
"Abandonou-te?
Pior. Esqueceu-me!"
Mário Quintana
Duas sensações muito estranhas e parecidas, geradas por fatos extremamente antagônicos, me atropelaram há algum tempo. A primeira foi quando tive que assinar o atestado de óbito de meu pai. A outra foi quando fiz o registro de nascimento de minha filha.
Uma grande estranheza tomou conta de mim nesses dois momentos. No primeiro, como é que uma pessoa que estava viva há alguns minutos, do meu lado, agora não mais existia? No segundo, como é que uma pessoa tão inédita, uma novidade tão absoluta, passa assim, tão de repente, a existir no mundo e a fazer parte da minha vida?
Um me assustou pela ausência do que sempre foi presente..., o outro me assustou pela presença do que antes não existia.
Se você pudesse se aventurar a assistir a um filme..., a um único filme neste final de semana, eu indicaria para você A FONTE DA VIDA (The Fountain). Não que este filme venha a ser um hit super popular. Na verdade ele será notado por muito poucos exatamente por não seguir um roteiro linear e hollywoodiano. O final do filme, igualmente não é aquele que agradaria.. Mas Fonte da Vida é um filme tão intenso quanto Pink Floyd: The Wall, onde você precisa assisti-lo mais de uma vez para poder digerir a mensagem que ele ambiciona passar. E a mensagem que Fonte da Vida busca transmitir está a quilômetros de ser simplória. Com uma narrativa muito original o filme pretende nos dizer que, para viver de maneira plena, é necessário saber morrer..., e entender a morte como multiplicação da vida. Por conta disso, penso que o filme não é facilmente compreensível para nós que pouco entendemos da morte, e muito menos da vida.
Corrijo monografias de final de curso..., e provas de final de semestre, e como bolas de chocolate Galak e ouço Renato Russo..., tudo ao mesmo tempo agora...E ouvindo o Renato, e pensando na vida e no acidente com um ônibus que matou, ontem, cerca de 14 pessoas da região onde vivo... senti que pouco importa a árvore que nos tornamos... Mais valiosas são as sementes que nos esforçamos para lançar nesse mundo: seja numa aula que ministramos, um sorriso que compartilhamos, em um verso perdido que escrevemos, palavras insignificantes em um blog entre zilhões, num momento irrepetível que vivemos juntos, numa música que compomos e que pode fazer acalanto a outras pessoas ...
"Não esconda tristeza de mim.
Todos se afastam quando o mundo está errado;
Quando o que temos é um catálogo de erros;
Quando precisamos de carinho, força e cuidado."
(Renato Russo - O Livro dos Dias)
Há músicas desconhecidas que são como belas flores que desaparecem sem que ninguém veja. Gosto das músicas pequenas, e que, em uma quase ingenuidade, conseguem me tocar, me marcar de algum jeito. Essa abaixo me atravessou ontem. Foi uma gratificação descobri-la escondida dentro de uma faixa extra do DVD Acústico MTV dos Engenheiros do Hawaii. Boa noite para quem aqui visitou :-)
De Fé
Composição: Humberto Gessinger
Sempre que eu preciso me desconectar
Todos os caminhos levam ao mesmo lugar.
É meu esconderijo, o meu altar.
Quando todo mundo quer me crucificar,
Eu só quero estar com você...
Quando o tempo fecha e o céu quer desabar,
Perto do limite, difícil de agüentar,
Eu volto pra casa e te peço pra ficar...
Em silêncio... só ficar...
Eu tenho muitos amigos, tenho discos e livros,
Mas quando eu mais preciso... eu só tenho você.
Tenho sorte e juízo, cartão de crédito e um imenso disco rígido,
Mas quando eu mais preciso... eu só tenho você.
Eu tenho medo de cobras,
Já tive medo do escuro...
Tenho medo de te perder.
UMA HISTÓRIA DE ANO-NOVO
Eduardo Simonini Lopes*
Elisa olhou para o céu.
Os olhos travessos de menina-mulher vislumbraram toda a amplidão de um céu noturno, sem nuvens. Perdeu-se em pensamentos, em recordações, em sentimentos... Lembrou-se do que viveu, perguntou-se sobre o que ainda iria viver. Qual seria o sentido de estar aqui? O sentido de se ter nascido neste mundo?
Elisa olhava as estrelas, querendo respostas a perguntas milenares que nunca foram satisfatoriamente respondidas, nem pelos sábios das ciências, nem pelos mestres das religiões.
O céu estrelado, em seu silêncio que atravessa as eras e se perpetua muito além dos homens, disse algo a ela sobre a vida. As estrelas, também caladas, responderam a seus olhos mudos de menina:
"No universo, querida Elisa, nada dura para sempre..., tudo passa e se transforma, inclusive os celestiais elementos. Viver é estar nadando no oceano da existência. Não há como fugir à vida, como fugir aos problemas, como também não há formas de se fugir aos seus sentimentos. Viver é estar em constante mudança, em constante movimento. "
Mas Elisa não queria viver com aquela sensação de que "tudo passa". Queria segurar o tempo, queria segurar aquele momento de felicidade e tranqüilidade. Havia várias coisas que a aborreciam em seu dia-a-dia das quais ela queria fugir. Mas como fugir aos problemas diários? Como fugir do que ela teme? Ah, como Elisa desejava parar o tempo, a história, a existência e viver eternamente naquele exato momento. Todavia as estrelas diziam que a vida não é parar... é sim estar em movimento...
Mas quanto mais Elisa quisesse controlar a vida, dominar as transformações, parar o tempo, mais impotente ela se sentia.
E as estrelas, sorrindo em brilhos faiscantes, beijaram os seus olhos, dizendo:
"Elisa, de olhos de mel, sorriso triste e semblante comum... nada mais é tão comum quanto antes. Nada mais fica quieto, parado, imóvel como você quer, minha menina. Mesmo sua escolha de vida mais acertada, um dia deixará de sê-la e você terá que partir para o encontro de uma nova dúvida, uma nova decisão, e um novo medo de errar e cair em solidão. Vida é esplendor e risco..., e é necessário se morrer várias vezes, para muitas coisas... mortes diárias, mortes sutis..., para que possamos nos renovar nesta existência. Até mesmo a morte é uma transformação necessária para que a vida prevaleça e se perpetue.
Elisa, minha amiga pensativa, só espero que no final de tudo você possa compreender que faz mais sentido ao crescimento soltar-se das certezas, sem ter medo de se perder para sempre, a ficar agarrada a uma série de amarras e mundos prontos feitos de cimento armado, que mais iludem do que fazem viver. Viver, Elisa, é deixar de ter tantas certezas e ter a coragem de tocar o que não se conhece.
Espero que você não se deixe aprisionar demais pelo passado e pelas coisas já conhecidas e estabelecidas. Espero que você não se perca dentro de suas certezas e esqueça de que nada na vida é para sempre.... ninguém pode antecipar como as coisas serão..., é impossível concebê-las. Tudo acaba, se transforma e se renova, Elisa, seja o corpo, a vida, a terra ou as estrelas."
O céu se silenciou e Elisa voltou ao mundo de seus pensamentos. Resolveu voltar para dentro de sua casa. A meia-noite se aproximava e todos gritavam alegres e esperançosos pelo novo ano que se aproximava. Estava estranhamente convicta de que viver não era ficar a tentar recuperar o passado ou temer o futuro, mas fazer o melhor pelo presente.
"Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!"
Lou Salomé
Fotografia
(Leoni/Leo Jaime)
Hoje o mar faz onda feito criança
No balanço calmo a gente descansa
Nessas horas dorme longe a lembrança
De ser feliz
Quando a tarde toma a gente nos braços
Sopra um vento que dissolve o cansaço
É o avesso do esforço que eu faço
Pra ser feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.
Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz
E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.
De vez em quando sou protagonista em sonhos alheios. Os encontros que realizo com as pessoas faz com que eu as afete das mais diferentes maneiras, e produza igualmente os mais diversos efeitos. Bem, sonharam comigo há pouco tempo e, na ocasião, o sonho que era eu deixou uma mensagem que achei muito proveitosa e que gostaria de partilhar com vocês (com total autorização da pessoa que me sonhou):
"A casa é como a alma, deve ser edificada em terreno firme, ter boa estrutura...não adianta ter fachada... A alma, não posso dá-la a você, construí-la pra você, pois vai parecer fachada... somente será feliz se você mesma a construir"
Bela mensagem de meu alterego onírico para todos nós que corremos o risco de passar a vida à espera de alguém ou alguma circunstância que nos ofereça mundos prontos, seguros e sem dores.
Nem sempre quem é estudioso é sábio.
Nem sempre quem é apaixonado, ama
Nem sempre quem é esforçado vence.
Estudo às vezes só é acúmulo de informação..., enquanto sabedoria envolve conseguir fazer relações, montar sentidos, fluidificar o rígido.
E a paixão muitas vezes não passa de egoísmo, quando queremos que a pessoa amada reflita nossos sonhos e anseios, ignorando os próprios sonhos e aleijando os próprios desejos.
E a vida não consiste em um prêmio para os esforçados. Cada um é convidado a dar o seu melhor, mas o resultado nem sempre será o esperado. A vida ignora nossos esforços de tentar controlá-la..., e nos oferece rasteiras continuamente.
Nós pagamos mais caro por nossas indecisões do que por nossas decisões erradas. Pense nisso, quando estiver em dúvida.
Para crescer, tudo necessita de cuidado. Mas para cuidar, você tem que desacelerar. Tem que se propor a uma vida mais lenta em termos de movimento, e mais intensa em termos de atenção. Mas nós somos ansiosos demais, na angústia de resolver tudo muito rápido. E nós somos rápidos demais para dar a adequada atenção àquilo que precisa ser amado. E, assim, deixamos de cuidar e de fazer crescer o que nos é importante: seja um vaso de flor,um animal, uma amizade, um sonho, uma vida inteira (que pode passar despercebida sem dela cuidarmos com a atenção devida).
Somos como rodas: só nos equilibramos em movimento.
Lágrimas e Chuva
Leoni
Eu perco o sono e choro.
Sei que quase desespero,
Mas não sei por que.
A noite é muito longa
Eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer.
Será que alguma coisa
Nisso tudo faz sentido?!
A vida é sempre um risco
Eu tenho medo do perigo.
Lágrimas e chuva
Molham o vidro da janela
Mas ninguém me vê.
O mundo é muito injusto
Eu dou plantão dos meus problemas
Que eu quero esquecer.
Será que existe alguém
Ou algum motivo importante
Que justifique a vida
Ou pelo menos esse instante?
Eu vou contando as horas
E fico ouvindo passos.
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto?!
Hoje me disseram algo que me fez pensar: um nada ter é melhor do que um quase ter, pois o quase traz, além da ausência, a expectativa do que poderia ter sido. Não sei se concordo..., não sei se discordo..., mas sinto que faz algum sentido.
Sou como uma leve brisa que qualquer parede pode matar.
Sou como um suspiro de inspiração que qualquer grito faz calar.
Sou frágil pássaro de asas facilmente quebradiças...
como sonhos que se despedaçam diante a palavras só imaginadas,
mas nunca ditas.
Para viver necessito de espaço, de amplidão...
Diferente disso eu murcho e desapareço dentro de mim mesmo.
Mas na amplidão eu também me perco...; e temo me perder.
Nisso me questiono:
Como viver sem correr o risco de me destruir na tentativa?
A felicidade não é questão de esforço.
A felicidade não é uma questão de busca...
Nem de encontro.
A felicidade não é um "está lá"
Nem é um "está aqui".
A felicidade é um ato de passagem, de movimento.
Não é algo que se prende, mas apenas se sente... e quando se sente...
já passou...
"Renda-se como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece,
como eu mergulhei" Clarice Lispector
A capacidade de ser livre está ligada a nossa potência de tolerarmos as críticas, tolerarmos nossos momentos ridículos, tolerarmos as exposições em que nos descobrimos tolos e perdidos e inseguros. Qualquer busca por burlar esses medos serve para tolher nossa liberdade e nos enclausurar dentro das expectativas alheias e próprias. Nossa covardia e nosso orgulho são os principais combustíveis do medo que nos faz sonhadores do "como poderia ter sido se..." , mas nunca livres para "fazer o que quero que aconteça".
Principalmente porque é bem mais fácil viver dentro da primeira perspectiva, do que experienciar as incertezas da segunda.
"Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
_ Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? _ pergunta Kublai Khan.
_ A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra _ responde Marco _, mas pela curva do arco que estas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:
_ Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Pólo responde:
_ Sem pedras o arco não existe."
(Calvino, Ítalo - Cidades Invisíveis. Rio de Janeiro: Editora Globo, 2003)
Pois o amor funciona como uma usina que nos movimenta. Não falo apenas do amor-romântico - naquela busca eterna por uma pessoa que caiba em nossos sonhos -, falo principalmente do amor enquanto potencialização de um modo de estar no mundo. Amar é ser capaz de inventar um mundo. Quando amamos um quadro, uma profissão, um jardim, uma flor, um homem ou uma mulher, nós os inventamos com o nosso olhar. Eles deixam de ser uma entidade qualquer para se tornarem uma diferença em nossas vidas. Naquilo que amamos colocamos um pouco de nós mesmos, um pouco de nossa vitalidade, um pouco do nosso sentido. Quando nos perdemos dessa intensidade de amor, nos sentimos meio que zumbis, vivendo como que empurrando tudo com a barriga, em meio a um universo tedioso e sem graça. Mas diante a tal sensação de tédio, o universo é inocente; a culpa de nossa paralisia vem da nossa incapacidade de produzir um olhar apaixonado para as coisas. A potência de amar não apenas nos enche de vida, mas nos preenche de sentido.

Falando em curvas, hoje me deparei com o Osho. E o que encontrei, penso que vale a pena deixar registrado aqui, principalmente para aqueles que insistem e persistem em não pecar contra a vida.
O Pecado
Reprimir algo é um crime, pois mutila a alma. Ao reprimir, dá-se mais
atenção ao medo do que ao amor, e pecado é exatamente isso.
Dar mais atenção ao medo é pecado, dar mais atenção ao amor é virtude.
Você não pode crescer a partir do medo. O medo mutila, paralisa: cria o inferno.
Todas as pessoas paralisadas - psicológica e espiritualmente paralisadas - vivem a vida no inferno.
E como elas o criam?
O segredo é que elas vivem no medo: somente fazem algo quando não há medo,
mas aí não sobra coisa alguma digna de ser feita.
Tudo o que vale a pena fazer traz consigo certos medos.
(...) Aqueles que vivem a partir do medo pensam principalmente em não cometer enganos.
Eles nascem, existem - ou melhor, vegetam - e depois morrem."
A vida é feita de sutis encontros e rápidas despedidas. Nada é muito estável por aqui. Vivemos em trânsito, mesmo quando achamos que estamos solidamente enraizados em um chão firme. Esse trânsito é a beleza e a tristeza da existência..., o belo é que a vida só existe no movimento e nos encontros que emergem desse movimento; o triste é que todo movimento, mesmo aquele que produz um belo encontro, também constrói separações.
Eu me reencontrei hoje com algumas belas palavras que falam disso. Não são da minha autoria, mas fazem ressonância com essa sensação descrita de "encontros e despedidas" que a vida traz.
A minha estrada faz mil curvas.
Curvas são parte do meu destino.
Cada uma, uma aventura.
Direções infinitas que sempre
me trazem de volta a mim mesma.
Já caminho há algum tempo, mas
ainda há tempo para caminhar, espero.
Mas sem pensar vou andando a curtos
ou largos passos.
Vou só, passam nuvens, dias, noites, chuvas.
A poeira às vezes cega-me os olhos.
Em direção de não sei o quê, vou...
Espero o fim da estrada.
E no seu fim, encontrar o meu lugar
E no meu fim, não parar de andar.
Vou lembrar do ponto de partida;
Olhar os pés calejados;
Sentir na pele a marca do tempo...
Mil curvas ficaram.
Aqui estou, não estou mais.
Valeu! As noites em que a lua cheia
Me fez estrela na estrada.
Valeu! As gotas de chuva que me
Inundaram de sorrisos.
Valeu! Aquela curva que você dobrou
Ao meu lado...
Valeu!
(este post é dedicado àqueles que se foram para sempre e àqueles cujos caminhos de vida podem produzir um reencontrar)
"Deus é maior do que a maior das fraquezas do ser humano. Como um homem ou uma mulher podem pecar contra algo tão supremo? Como pode uma pequena unidade de carbono, na Terra, na Via Láctea, trair Deus Todo Poderoso? É impossível! O tamanho da arrogância é o tamanho do controle daqueles que criam uma imagem de Deus" Ramtha (extraído do filme "Quem somos nós?")
Um pequeno texto meu que entrou on-line recentemente.
É só clicar aqui em "Mídia e Produção de Sentido"
Lutemos..., mas não por um mundo melhor. A concepção de "mundo melhor" traz consigo a semente das posturas fascistas que anseiam por universos ideais. Lutemos..., mas lutemos por mundos possíveis. Mil possibilidades sempre inconclusas de produção de vida.
Gosto de me esconder de você, para não ser visto nesse momento tão frágil e tão vulnerável. Melhor você se lembrar de mim enquanto figura de fortaleza e de certezas e não como essa inconstância e insegurança que deixa em suspenso qualquer forma de confiança. Permitir-me ser humano é um desafio muito maior do que montar todo esse conjunto de máscaras que tão trabalhosamente visto. Te mostro, então, a máscara, para esconder o humano que sou. Não é uma questão de rejeitar minha humanidade, mas sim uma questão de ter consciência de que ninguém gosta do humano que há em si..., consciência que todos escondem esse lado e se alteram, e rejeitam, e agridem, quando vêem essa parte estampada no rosto e na vida de outro alguém.
Coitado..., ele é uma pessoa tão pobre que a única coisa que possui é dinheiro.
Se você tem necessidade de conforto e segurança, você corre continuamente o risco de fazer aliança com imbecis e ficar preso à mesma. Prefira o desconforto e a insegurança, a ficar atado a uma dependência desnecessária a esses imbecis.
Quando ouço uma música que me toca e que estava atrelada a você ou a um lugar, noto que não é a sua pessoa que me atinge com a música e não é o lugar que volta à tona com a canção. A música me faz ter é uma sensação..., uma sensação que passou por você ou que passou pelo lugar, mas que não é nem você, nem o lugar. Não é mais, portanto, uma questão de recordar o passado, mas sentir tudo no agora, neste instante. A música e a sensação têm vida própria. E essa sensação me acompanha em meio a essa canção que me invade. O que ficou, o que é presente, é a sensação que me embrulha os sentidos por meio dessa canção.Por isso a sensação não é você, nem é o lugar. O lugar não está mais lá. Você não mais existe. Não anseio mais repetir você ou o lugar. O que busco é o que encontrei na sensação que emergiu do encontro do lugar, de você e da canção.
No deserto, um tipo de vida se irradia.
No deserto, um tipo de vida fenece..., faz-se morrer,
Enquanto outra passa a nascer.
No deserto, as vidas singulares se encontram; amam-se; enfrentam-se.
Do deserto nasce a possibilidade imprevista e também desaparece a beleza que ninguém chegou a conhecer.
A vida é um deserto..., e "o problema não é atravessar, mas nascer em desertos" (Gilles Deleuze)
Há músicas que dizem o que a gente sente e não consegue expressar. Na voz de Marcus Viana (Sagrado Coração da Terra), Manhã dos meus 33:
Ás vezes eu tenho uma leve impressão;
Ás vezes é uma bruta certeza
De que a nossa vida na Terra
Não é bem uma viagem de férias.
Nascemos pelados, sem nada, sozinhos,
Com o fogo do sol nos olhinhos de nenen.
E ninguém pode nos consolar
Da fome enorme que é viver;
Da intensa dor que é nascer naTerra.
Saudade da luz das estrelas... saudade... estrelas.
Tudo vem, passa por nós e se vai;
Sonhos e planos, fracassos, vitórias;
O bem e o mal, pesadelos e sonhos bons.
Nada mais restará na corrente dos anos
Que ainda tentamos deter a todo custo nas mãos.
Se tudo e todos que amamos se vão,
Meu amor, segura firme a minha mão.
A mente e o corpo, tão breves, são ilusões.
Só restará o coração, a vela de um barquinho
No oceano infinito do tempo a vogar...
E na branca manhã dos meus 33
Eu tive uma bruta certeza
De que a vida humana na Terra
Não é bem uma viagem de férias...
Linda canção..., muito linda mesmo!!!!!!!
A morte tem paciência, e aprecia os lapsos, os mínimos erros, os pequenos vacilos. Quando menos se espera, alguém desaba em um caminho trilhado mil vezes e mil vezes vivido como trajeto seguro e sem riscos.
Como papagaio, falo sobre as coisas mas nada entendo do que falo. Falo sobre muitos assuntos e vivo pouco o que digo. Deveria mergulhar mais na vida e ficar a falar menos sobre a vida. Ficar falando sobre o rio é um recurso para se proteger de entrar na correnteza. Mais importante do que falar a respeito de algo, é se mergulhar no que se diz. Como dizia o saudoso Raul Seixas:
"Você esperando resposta
Olhando pro espaço...
E eu tão ocupado vivendo,
Eu não me pergunto, eu faço!"
Viver e fazer andam de mãos dadas. Vive-se a vida que se faz.
Já notou uma coisa interessante? Ás vezes a gente sente como se estivesse na ante-sala da vida, esperando para entrar em cena, ansiosos pelo momento da vida realmente começar, da vida acontecer. Só que, de tanto esperar pelo grande momento, a vida passa e a gente só nota quando a perdeu? Como canta o Zé Geraldo:
"Eu não posso acreditar...
Que a vida saiu pela porta e eu não notei
Que o cavalo passou encilhado e eu não montei
Quando a banda passar vou jogar o meu corpo na rua
E se o povo cantar vou colar minha boca na sua "
A vida que passa é esse movimento silencioso que tão facilmente menosprezamos, esperando pelo momento de viver um furacão de emoções e desqualificando esses pedaçinhos de agora no qual estamos vivendo. Algumas vezes, o que é mais valioso é gratuito e simples e óbvio..., e por ser tão evidente, poucos descobrem seu verdadeiro valor.
O que fica depois que partimos?
Uma música que compomos? Uma história que escrevemos?
Uma fotografia onde, um dia, perguntem: "quem foi esse aqui?"
Um verso que sofremos para escrever e que passe sem dor pelos olhos distraídos de um fugaz leitor?
Talvez fique a lembrança do nosso sorriso em nosso instante mais radiante, na mente de algum desconhecido ou na lembrança de algum amante.
Talvez fique o esquecimento do que não vivemos e a esterilidade dos desejos que nunca arquitetamos.
Talvez fique para sempre perdida a lágrima que nunca mostramos, e as palavras que nunca havíamos notado que sufocávamos no peito.
Fique inexistente toda essa paixão e intensidade com as quais nos atamos à vida..., vida na qual somos breve onda, revolução momentânea, que retorna ao silêncio do mar.
E ficará o completo esquecimento do que fomos, do que vimos, sentimos, experienciamos. Ficará apenas a nossa inexistência..., como se nunca tivéssemos passado por aqui e nos encontrado na curva do caminho.
"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem!"
(Guimarães Rosa).
"Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Porque nos faz felizes, como você escreve? Bom Deus, seríamos felizes precisamente se não tivéssemos livros e a espécie de livros que