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Segunda-feira, Dezembro 26, 2011
Algumas vezes as coisas são tão nebulosas que nem o mais possante farol consegue desbravar a escuridão... contudo,..., quando menos se espera..., ... algumas vezes as coisas podem vir a ficar tão óbvias e explícitas a ponto de até mesmo um cego conseguir enxergá-las sem o recurso do braille...
10:38 AM
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Sábado, Dezembro 24, 2011
Aquiete a mente. Sossegue o coração. Porque em mar muito bravio barco algum consegue ir ao auxílio de um navio perdido.
2:03 PM
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Sábado, Dezembro 10, 2011
A flor que tenho para te dar não veio do ideal, não é perfeita, não receberia aplausos do mundo, não conseguiu ser o que poderia ter sido..., mas não é um "ko", uma enganação. Pode até ser considerada feia..., mas é uma flor.
" Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. (...) 'É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio" (Carlos Drummond de Andrade).
12:31 AM
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Quinta-feira, Dezembro 01, 2011
Medo: atraso de vida.
5:34 PM
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Quarta-feira, Novembro 23, 2011
Às vezes; só às vezes, me encontro com pessoas tomadas por uma tristeza muito triste. Mas não é daquela tristeza gritada que acorda todos ao redor. É tristeza muda, tristeza calada, do tipo que sufoca o peito e segura as lágrimas. Tristeza que causa dores no corpo, que abaixa a imunidade, produz gastriste, insônia, desânimo e descompasso. Tristeza que - sem se notada - mata.
2:41 PM
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Segunda-feira, Outubro 17, 2011
O que você quer quando não quer mais? E quando você quer mais, como fazer quando não há mais espaço para querer? Para onde você vai quando não há mais para onde ir? E onde é que você pode se esconder, quando o mundo – que antes era grande lá fora – se apequenou dentro de você?
9:08 AM
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Domingo, Outubro 16, 2011
Nas minhas relações de amor (seja de amizade, de carinho e ou de paixão) não permito que minha presença seja um obstáculo, uma pedra, uma obstrução ao voo da outra pessoa. Não permito que me sintam como um impedimento e , por conseguinte, como um peso que retém a um chão ou a uma dor. Não exijo, não cobro, não seguro. Doi-me sentir que atrapalho. E, se de alguma ajuda for no lidar com o egoísmo que me faz querer prender quem eu amo, lembro-me das sábias e poéticas palavras de Fernando Pessoa quando ensinou que “não quero, Cloe, teu amor, que oprime porque me exige amor. Quero ser livre. A esperança é um dever do sentimento” .
4:51 PM
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Sábado, Outubro 08, 2011
Como palavras não dão conta de expressar emoções, fico muito limitado em dizer o que sinto. E como sinto mais do que posso dizer, meus afetos habitam um espaço calado, onde as palavras não conseguem alcançar. Por isso, prefiro o silêncio às palavras. Prefiro uma expressão no olhar do que um verbo que não traduz as emoções a respeito das quais não sei falar. Pois meus sentimentos não cabem nas palavras que eu digo e meu afeto não se restringe a essas letras que escrevo. Eles tranbordam de outra maneira e se agitam de outra forma, fazendo-me sentir mais do que sei dizer.
2:28 PM
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Segunda-feira, Setembro 19, 2011
Poeminha calado:
Se hoje escrevo é para me silenciar. Se escrevo é para calar o que sinto e não para falar. Se não escrevo, porém, corro o risco de que algo maior transborde e eu não consiga conter o fluxo desordenado. Assim, protejo-me daquilo que eu poderia expressar, pois hoje escrevo mais para me esconder do que para me revelar...
11:06 AM
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Sexta-feira, Setembro 09, 2011
Com coração pequeno no peito, seguem em silêncio solitário aqueles que perderam tesouros que não se compram em joalherias. Com coração exultante no peito, seguem aqueles que se alegram pelos horizontes trilhados, vividos, amados e experimentados. O difícil é quando o peito que se exulta é o mesmo que se apequena, sem saber se chora pela parte perdida, ou se felicita por tê-la vivenciado nessa vida.
8:22 AM
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Sexta-feira, Agosto 26, 2011
Muitos querem o céu, mas poucos estão dispostos a suportar a variação perigosa da pressão atmosférica.
Muitos querem se abrir ao mar, mas poucos são os que se dispõem ao turbilhonar das correntezas.
Muitos anseiam por liberdade, mas são muito poucos os que têm a consciência do desnorteio e do passo errante de tal condição.
Para viver, mais do que vontade, é preciso ter coragem.
8:41 AM
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Domingo, Julho 24, 2011
Sobre as paixões virtuais: a gente se apega a alguém que nunca viu exatamente porque esse alguém só tem substância em nossos sonhos. E sonho é coisa difícil de quebrar. Não se matam sonhos..., eles ficam apenas dormentes até serem de novo despertos. Por isso amar um distante enovelado em sonhos é muito mais poderoso do que amar um próximo que é cotidiano, que é dia a dia.
12:54 AM
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Quarta-feira, Julho 20, 2011
Às vezes a gente faz o que pensa que não iria fazer; pelo fato de cairmos em tentação (coisa do diabo)? Por que gostamos dos riscos (vício em adrenalida)? Por que perdemos o controle (na curva imprevista)? Ou por que é divertido quebrar as regras (para inventar um novo prazer)?
10:45 PM
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Segunda-feira, Julho 18, 2011
No fim das contas, sexo nunca foi garantia de cumplicidade: "Fazíamos amor como dois músicos que se juntam para tocar sonatas. (...) O piano ia por um lado e o violino pelo outro, e disso saía a sonata, mas veja, no fundo, não nos encontrávamos" (Julio Cortazar - O jogo da amarelinha)
9:19 AM
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Domingo, Julho 17, 2011
Inventamos realidades. Isso não quer dizer que a ficção que criamos (e que igualmente habitamos) não tenha materialidade ou consequências para as pessoas que convivem conosco. A palavra ficção tem íntima relação etimológica com o verbo "fazer" e nossa ficção é tão sólida que a chamamos de realidade. Mas é apenas uma..., entre tantas outras realidades ao nosso redor. Assim, criamos céus e infernos..., todos os dias.
"Temos a impressão de que o canto das gaivotas é triste, embora isso não faça o menor sentido. É a nossa própria mente que nos dá essa impressão. Vemos por todos os lados coisas que não existem, e é dentro de nós que elas ocorrem, somos uma espécie de ventríloquo que faz as coisas falarem: as gaivotas, o céu, o vento, tudo..." (Romain Gary)
8:21 PM
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Quinta-feira, Julho 14, 2011
Às vezes as circunstâncias da vida nos ensinam que quando a gente ganha, a gente perde. Mas às vezes as circunstâncias da vida também nos ensinam que quando a gente perde, podemos igualmente estar ganhando sem o saber
8:25 AM
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Domingo, Julho 10, 2011
Sobre a fugacidade dos encontros: " E repare que acabávamos de travar conhecimento e a vida já tramava o necessário para que nos desencontrássemos minuciosamente" (Julio Cortázar - O Jogo da Amarelinha).
9:44 PM
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Quinta-feira, Julho 07, 2011
Lendo um livro dedicado a biografar Santo Agostinho, fui apresentado a uma fala deste que achei interessante: " A comida, nos sonhos, é exatamente como a comida real, mas não nos alimenta, porque estamos apenas sonhando". E fiquei me questionando: quantos sonhos alimentamos que não nos alimentam...?!
10:39 PM
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Segunda-feira, Julho 04, 2011
"O valor das coisas e das pessoas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem" (Fernando Pessoa)
9:27 AM
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Domingo, Julho 03, 2011
Não. Não quero que você me devolva meu sonho. Carregue-o com você e que ele se torne o peso ou o apoio que você merece. Não preciso de sonhos. Preciso de atitudes, de elementos que eu possa moldar com minhas próprias mãos e não vivências que alimentam minha fantasia, mas me deixam assim..., vazio.
1:39 PM
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Quarta-feira, Junho 22, 2011
Nunca acho que a pessoa com quem a gente está é "A" pessoa da nossa vida. Nem mesmo acredito que exista tal pessoa com A maiúsculo. Acho que a gente produz encontros que potencializam a nossa vida e ou que a esvaziam. Um ótimo encontro produzido hoje, pode, amanhã, tornar-se péssimo. Não há, portanto, no meu entender, garantias. Porém, a gente tem que fazer escolhas e ganhar e perder com as mesmas. E é sempre angustiante lidar com o perder nessas horas, porque o que se perde parece muito mais encantador do que o que se tem.
Nessas horas é que eu me lembro de uma das passagens do Pequeno Príncipe.
Ele cuidava, no planeta dele, de uma rosa que dizia que ela era única, rara, especial. E, assim, ele se dedicava àquela preciosidade; porém, quando ele veio para a Terra, descobriu a existência de um roseiral com flores tão ou mais bonitas do que a rosa da qual ele cuidou. O Pequeno Príncipe se revolta, então, e chama sua rosa de mentirosa, pois viu que ela não era única e nem especial. Porém sua rosa o contesta e diz que ela é única e especial porque, entre tantas rosas que existem, foi dela que ele cuidou. Inspirado nessa história, acho que é isso um movimento que a gente sempre está sendo convidado a fazer: escolher do que vai cuidar. Aí reside a nossa liberdade; sermos ativos nessa escolha e não levados pelas circunstâncias.
As coisas crescem, assim, devagar, porque a gente não escolhe o que ou a quem amar, mas, com certeza, inventamos o que amamos; adornamos nosso objeto de amor com um brilho e um sentido que não necessariamente são dele, uma vez que o que amamos é feito de material dos nossos sonhos. E o que é sonhado - tanto de olhos abertos quanto fechados - traz uma plenitude diferente; encarna em nossos pensamentos, em nossas emoções e nos acompanha a cada movimento. E o sonho..., como é doce o sonho que a gente sonha de alguém. Mas aí é que temos que ver o quanto o sonho é um passo adiante numa construção ou um passo adiante num abismo.
3:01 PM
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Domingo, Junho 05, 2011
Nao enalteça ninguém. Não coloque qualquer coisa sobre um pedestal. Não coloque nem a si próprio como um bezerro de ouro a ser admirado. Todo fascismo se inicia pela idolatria: de um ideal, de uma pessoa, de um projeto. Todo fascismo tem seu ponto motivador na ideia de que existe alguém a nos conduzir para a Terra Prometida (terra da verdade, terra da plenitude) e a encarnar os projetos mais belos e que recebem nomes pomposos como democracia, liberdade, felicidade, igualdade. Duvide de todos aqueles que querem se tornar guias, baluartes, referências e lideranças para um “mundo melhor”. Não siga ninguém..., faça seu próprio caminho sem ficar preso a qualquer arauto de verdades.
11:15 PM
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Sábado, Junho 04, 2011
Já conheci muitos grandes autores e pensadores. Nos encontros com muitos destes, descobri que a convivência com seus livros era mais produtiva que a convivência com suas pessoas. Arrogantes, alguns só conseguiam escutar seus próprios pensamentos e sua próprias palavras, desmerecendo o que vinha de outras pessoas; ignorando os pensamentos inéditos que eles próprios não tinham previamente pensado. Como bastam a si mesmos, não se propunham a trocas e, dessa forma, seus livros já me bastam. A partir deles - dos livros - às vezes fica mais fácil o diálogo com o pensamento dos grandes pensadores..., uma vez que, nos encontros pessoais, vários deles não permitem o diálogo, apenas querem aplausos como vedetes de circo.
6:57 PM
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Sexta-feira, Junho 03, 2011
Se eu tenho um fundamento, é o da mestiçagem. Suspeito de todos os estados e propostas que se pretendam à pureza.
8:29 AM
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Domingo, Maio 22, 2011
"Quando a gente vai procurar o que fazer dentro da gente acontece uma coisa incrível: a gente acaba por fazer o que a gente gosta. E fazer o que a gente não gosta é o pior desemprego do mundo. Se pegar esse aparelho aqui [o corpo] que pisca, que ri, que chora, e botar ele para trabalhar numa coisa que ele não gosta, é um desserviço para o espírito". (Helio Leites - http://oqueetristezapravoce.com.br/)
11:18 PM
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Quinta-feira, Maio 12, 2011
Não quero ter 5 , 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70 ou mesmo 100 anos. O que eu quero é a idade da flexibilidade.
9:33 PM
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Terça-feira, Maio 10, 2011
A vida não é alegria nem tristeza, mas esse fluxo de acontecimentos que nos arrasta, que nos faz rir e chorar e que nos convida todos os dias a sermos fortes.
10:56 PM
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"O rigor e o refinamento intelectual são as condições para um pensamento que se quer livre e desregrado" (Gilcilene Dias da Costa).
6:14 PM
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O agora não existe porque o que é agora já passou; e o passado não é algo que ficou para trás, mas que continuamos a atualizar no dia a dia do viver, no nosso corpo, no nosso coração, em direção a um futuro que não existe fora de nossos sonhos sonhados num agora..., que já passou... Segure o tempo em sua mão e perceberá que ele é fugidio..., é ilusão.
12:19 AM
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Segunda-feira, Maio 09, 2011
Um passo adiante, um passo atrás, um giro vacilante, um salto no vazio.
11:14 AM
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Sábado, Maio 07, 2011
Não me venha com verdades porque verdades limitam. Quando imposta, uma verdade faz parar o pensamento, acomodar os sentidos, anular o movimento. As verdades só respondem a um contexto, por isso quando meus contextos mudam, minhas verdades também são movidas. Isso não significa que eu seja volúvel, mas que meu mundo muda quando me mudo no mundo. Se a água não ferve à mesma temperatura nos trópicos e no Alasca, eu também não sou a mesma pessoa quando estou com você e quando estou com outro. Igualmente não penso do mesmo modo e chego às mesmas conclusões. Cada encontro é um trajeto e cada trajeto uma verdade; mas uma verdade inerente a um trajeto que segui e não à Verdade do mundo. Assim eu sigo vacilando, mudando de opinião, invadido por tantas e contraditórias verdades que me torno, eu mesmo, ambulante contradição.
10:56 PM
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Quarta-feira, Maio 04, 2011
Não conheço o mundo pelos olhos do falcão (que, em seu voo alto, sabe muito da paisagem, mas se ausenta dos acontecimentos da terra); conheço-o pelos olhos ingênuos do beija-flor, que mesmo vivendo próximo ao calor e perigos do solo, procura a a beleza que pode surgir no meio de tanta podridão e plantas venenosas
12:20 AM
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Terça-feira, Maio 03, 2011
Livros não são enfeites a se empoeirarem nas estantes. Livros também não são troféus para aqueles que os exibem como se a mera exibição os tornasse mais cultos. Livros são campos elétricos que nos atingem em diferentes intensidades. De que adiantam meus livros na estante se eles não me marcam, me machucam, me acontecem? Eles são apenas letras vazias, pensamentos e intensidades petrificadas quando não ofereço aos mesmos o vibrar do meu olhar, o encontro com minha vida e a disponibilidade do meu sentir.
11:55 PM
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Domingo, Maio 01, 2011
"Todos amam os prazeres e o sucesso; a única questão é saber se podemos amar a vida quando ela nos é hostil" (Tzvetan Todorov - A Beleza Salvara o Mundo).
3:47 PM
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Sábado, Abril 30, 2011
Há um abismo entre uma pessoa ignorante e uma pessoa burra. O ignorante é aquele que, ao se descobrir como tal, pretende aprender o que não sabe, consciente que fica de sua posição de ignorante. O burro, por sua vez, é aquele que empaca no que sabe e rejeita o que não conhece..., rejeita, inclusive, qualquer condição de ignorância. Dessa forma, encontramos continuamente pelo mundo pessoas muito burras se achando muito sábias.
5:44 PM
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Quinta-feira, Abril 21, 2011
"Você esperando respostas, olhando para o espaço...
E eu tão ocupado, vivendo. Eu não me pergunto; eu faço!" (Raul Seixas)
8:37 PM
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A minha coragem é algo que me supera, me lança e me intensifica quando estou bem no centro do mais tenebroso problema. Minha coragem é aquilo que se mostra quando fico e enfrento minhas impotências mesmo que tudo ao redor me chame para fugir e ignorar o que é minha responsabilidade.
2:35 PM
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Terça-feira, Abril 19, 2011
Tenho medo de me perder na cidade que não conheço
Tenho medo de morrer na estrada que conheço, e também naquela que desconheço
Tenho medo do escuro porque não sei o que há além...
E diante disso tenho medo de viver, porque não sei o que me espera.
Tenho medo de errar e, querendo só acertar, nada arrisco, nada faço, fico esperando a hora passar...
Com medo do que virá...
1:52 PM
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Sábado, Abril 16, 2011
" O sedentário mora no hábito. O viajante corre perigo ". Charles Feitosa
10:04 AM
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Sexta-feira, Abril 15, 2011
Como saber que seu mundo está ficando mais estreito e limitado? Quando você começa a dizer mais “nãos” do que “sins”. Quando há menos apostas e mais segurança. Quando o conforto supera os incômodos.
5:56 PM
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Segunda-feira, Abril 11, 2011
Saia desse palco, minha cara. O mundo não precisa de você. O mundo não necessita dessa sua necessidade de brilho e aplauso. O que ele precisa é de trabalhadores silenciosos que não se perdem no colorido dos confetes e no cegar dos holofotes. Precisa de gente que segue adiante; que se arrisca às vaias; e não dos que, como você, estão paralisados no brilho passageiro do tablado.
12:38 PM
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Domingo, Abril 10, 2011
Em um mundo onde todos querem ser extraordinários, são verdadeiramente extraordinários aqueles que transitam sem tormentas no movimento de serem comuns.
4:12 PM
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Sábado, Abril 09, 2011
Geralmente nao queremos que as pessoas resolvam nossos problemas, mas que nos escutem com sinceridade. Quando encontramos alguém que faz esse papel, o próprio ato de se sentir acolhido na conversa já é amparador.
8:56 PM
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Sexta-feira, Abril 08, 2011
"Você me ocupa, mas não me preenche". Bela frase.
1:27 PM
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Quarta-feira, Abril 06, 2011
Pare de procurar onde não existe. A coisa toda está ali, bem ali, sem adornos, sem ornamentos, sem brilhos desnecessários. É só pegar, despir-se igualmente de pompas e começar o trabalho pelo lado mais simples, do jeito mais simples, com o menor dos gestos..., que é exatamente como começa tudo o que um dia pode vir a terminar grande.
9:38 PM
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Terça-feira, Abril 05, 2011
Quando as pessoas me perguntam como estou, tendo sempre a dizer que estou ótimo. Mas não digo isso apenas para ser uma inspiração de otimismo (é claro que alguns se inspiram em afirmações potentes como essa), mas porque muitas pessoas se sentem melhores quando imaginam estar sofrendo, desgastando-se, esforçando-se mais que os outros. Dessa maneira, não se sentem no direito de reconhecer a vida como uma experiência feliz. Quando digo, pois, que estou ótimo, dou a elas a oportunidade de se sentirem melhores que eu, mais comprometidas com os problemas da existência, uma vez que há pessoas que só reconhecem seu valor no próprio mérito da dor que sofrem na vida. E eu é que não vou tirar delas essa dolorida felicidade de se sentirem infelizes.
8:25 PM
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Sábado, Abril 02, 2011
Hoje eu recebi mensagens de agradecimento via e-mail, via facebook, e ainda tocaram a campanhia da minha casa com rosas acompanhadas de mais mensagens de agradecimento. Três no total, e de pessoas completamente diferentes. Mas não mereço nenhum dos agradecimentos que recebi dessas pessoas que, sentindo que de alguma forma meu encontro com elas lhes tocou a vida, vêm me dizer obrigado. O nosso papel no mundo é produzir mestiçagem, é misturar ideias, é fazer nascer possíveis. Se agradecem pelos partos e mestiçagens que eu ajudei a produzir, não significa que tenha sido eu o pivô de nada. O importante foi o que aconteceu "entre" a gente e como cada um se apropriou desse "entre". Fico feliz com o fato de que o espaço que criamos juntos tenha potencializado outros possíveis, mas é muita presunção minha achar que fui eu quem fiz qualquer coisa. A gente funciona somente como um ponto de passagem..., e as revoluções, quando ocorrem, são responsabilidade e mérito daquele que resolveu dar um passo temoroso no desconhecido.
9:55 PM
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Somos estrela, mas também somos barro.
Somos singularidade, mas também somos mesmice.
Somos tudo e somos nada.
12:12 AM
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Segunda-feira, Março 28, 2011
Quem disse que estar equilibrado e estar com certezas? Equilíbrio é estar no meio da incerteza; é ser pressionado por forças antagônicas e ainda assim conseguir continuar caminhando. A imagem do equilíbrio é a de alguém andando sobre a corda bamba: pende prá lá, pende prá cá..., mas vai adiante. Desequilibrar é cair, é ceder, é não mais seguir caminhando.
10:44 PM
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Sábado, Março 26, 2011
Sempre posso fazer inferno de água parada. E sempre posso produzir céu em regiões infernais. Eu faço um mundo todo dia no meu viver, e também o céu e inferno que quero para mim.
12:00 AM
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Sexta-feira, Março 25, 2011
Não me prenda, não me limite, não me amarre, não me defina. Sem rótulos ou expectativas. Não me diminua a uma dimensão que me sufoque e nem me exalte a uma altura que me desnorteie. Deixe-me partir, apenas sair, para onde ainda não sei; mas não fale para onde eu tenho que ir.
12:36 AM
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Quarta-feira, Março 23, 2011
Sou sábio. Mas não no sentido socrático do "sei que nada sei". Sou sábio porque sei (e sinto no meu saber) coisas que a maioria se esquece ou ignora: que tudo é mestiço, temporário, incerto e passageiro.
6:57 PM
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Terça-feira, Março 22, 2011
"Perdido o caso não é. Só para quem não tem coragem de enfrentar a tragédia acreditando em destino, aceitando a realidade." Gilka
1:54 PM
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Segunda-feira, Março 21, 2011
Cada um é um mundo, mas isso não deixa as coisas mais fáceis. Cada um é um mundo legítimo em si mesmo e isso também não facilita em nada. Cada mundo produz uma perspectiva que tende a se rigidificar no sentir e no pensar. Assim, a primeira receita no viver com o outro é não pensar que o outro irá mudar. Muito pelo contrário, como ele irá se exercitar no objetivo de hegemonizar seu mundo, há a necessidade de construir barricadas de proteção contra a possível invasão. Não espere que o escorpião mude, mas crie modos de conviver com ele para impedir que ele inadvertidamente te envenene. Não espere que a pessoa com a qual você convive pense diferente, volte atrás, reflita melhor em seus atos, ou coisa desse tipo. Esse tipo de gente que repensa suas atitudes, se auto-avalia no repensar seus pensares, é rara porque habita em mundos flexíveis, onde não há sim, nem não. Habita mundos inseguros e, como a maioria aprecia a segurança, impõe suas certezas irredutíveis aos outros.
1:18 PM
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Domingo, Março 20, 2011
Nossa morte minúscula é necessária para a renovação da vida inteira.
9:20 PM
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Sexta-feira, Março 18, 2011
Há dois tipos principais de libertários.
O primeiro tipo, e mais abundantemente encontrado, é aquele que luta contra opressões na intenção de impor sua própria opressão. Não tolera ser mandado ou conduzido por qualquer pessoa, da mesma forma que não tolera que qualquer pessoa tenha uma opinião diferente da sua. Quer calar aqueles que querem calá-lo, mas, por sua vez, também cala outras vozes que não são as suas. Geralmente esse tipo de libertário se mostra encarnado na figura de grandes líderes, de grandes heróis, de grandes pensadores, e naquelas pessoas que transformaram suas comunidades, libertando-as de um jugo, para impor a elas outras ditaduras.
O segundo tipo de libertário é mais difícil de encontrar, porque estes geralmente residem no anonimato e poucas vezes o encontramos à frente das correntes ideológicas, das guerras, das lutas. São as pessoas que abrem portas para a vida poder circular. São as pessoas que potencializam os outros, auxiliando-os a descobrir por si mesmos seus próprios mundos. São aqueles para os quais não se elevam bustos ou se organizam homenagens porque geralmente saem de cena para não ocupar espaço demais, para não atravancar os caminhos, para deixar fluir.
1:22 PM
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Quinta-feira, Março 10, 2011
Não, meu amor, não mude. Não quero um só “defeito” seu fora do lugar. Se eu te amo é pelo que você é naquilo que realiza, que encanta e que erra. Se você for mudada para se encaixar em meu ideal, será um espelho quebrado de mim mesmo: que não sou nada perfeito, que não sou aquilo para o qual me planejei e, por ser feliz na diferença na qual me tornei, não tenho o direito de exigir que você seja o que sonhei para mim.
9:16 PM
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Segunda-feira, Dezembro 27, 2010
Eu cumpro minhas tarefas tão fluidamente que elas não me afetam em termos de auto-importância, mas sim em termos de como vivo minha vida.
Conheço dúzias de "professores" que se colocam numa torre de marfim de conhecimento: eles sabem tudo, e comandam o espetáculo para as galerias; quanto mais aclamados, ou quanto mais reconhecimento eles recebem, mais auto-importantes se sentem, mas esta mesma auto-importância se torna peso, a cruz a ser carregada, e eles como pessoas não são nada. O trabalho as afeta em termos de auto-importãncia, mas não em termos de vida pessoal. A mim o trabalho afeta em termos de vida pessoal, mas não de auto-importância. Don Juan me alertou e aconselhou que nunca me tornasse um pavão, "pavo real", que é o resultado à ênfase da importância pessoal. Quanto menos a pessoa pensa e "pseudo-age" em termos de auto-importância ela se torna mais completa. E quanto mais auto-importante se sente, mais incompleta se torna. O ser incompleto nasce da incessante procura por reconhecimento social. (Carlos Castaneda, em entrevista à Revista Veja - 1975)
2:08 PM
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Terça-feira, Novembro 02, 2010
Há uma sábio ditado que diz que “enquanto o dedo mostra o céu, o tolo olha o dedo”. Quando penso nas coisas que estudo, esse ditado sempre me retorna. Isso porque muitos de nós, estudantes, nos perdemos a enaltecer um autor, sem perceber a importância não do autor em si, mas das conexões e modos de pensar que ele nos aponta, os quais são muito maiores do que apenas uma questão de autoria. Porém, como tolos, corremos o risco de ficar a brigar por esse ou aquele autor de nossa preferência, fixados num dedo e deixando de ver as constelações que são muito mais problemáticas, vastas, complexas que nossa pobreza de olhar.
3:55 PM
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Quarta-feira, Outubro 13, 2010
Cada vez mais passageiro. A importância que algumas pessoas me dão é cada vez mais passageira. Passageiro meu lugar no mundo, passageiras minhas palavras que podem mudar de opinião no momento seguinte não por eu ser volúvel, mas por me conectar a outros sentidos que não existiam antes.
1:29 PM
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Sexta-feira, Outubro 08, 2010
Não espere que os olhos de uma mosca consigam ver o mundo como o enxergam os olhos de um coelho. Da mesma maneira, há pessoas que, ainda que não sejam cegas, são incapazes de ver o mundo com outros olhos que não os seus próprios, já viciados no que acreditam ser o mundo. Mas o mundo é diferente, se você o enxerga como um coelho ou como uma mosca.
6:45 PM
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Terça-feira, Setembro 21, 2010
Quem só está disposto a ver o que lhe interessa; quem só consegue ver o que lhe interessa; perde, então, a riqueza contida no que é desinteressante.
11:12 AM
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Quinta-feira, Junho 24, 2010
Acabou de sair um livro no qual eu sou um dos co-autores.
Você pode encontrá-lo aqui:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=22117918&sid=10711810112624490094533818&k5=2A558FEF&uid=
1:38 PM
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Sexta-feira, Maio 21, 2010
Este ano parece que estou intelectualmente muito produtivo:-)
Saiu um novo artigo meu na Revista Educação da Universidade Federal de Santa Maria.
Ele pode ser acessado aqui: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/reveducacao/article/view/1370/794
2:00 PM
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Sábado, Maio 01, 2010
Hoje acabou de sair um novo artigo meu na revista Teias, da UERJ. Chama-se "variações sobre o eu" e pode ser acessado aqui: http://www.periodicos.proped.pro.br/index.php?journal=revistateias&page=article&op=viewFile&path[]=538&path[]=436
12:24 AM
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Sábado, Março 27, 2010
Também saiu um pequeno artigo meu em um jornal de educação chamado EDUCAÇÃO & IMAGEM. Ele se chama "A vida e a arte". Ele pode ser acessado aqui: http://lab-eduimagem.pro.br/jornal/
7:08 PM
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Quarta-feira, Março 24, 2010
Saiu um artigo meu recentemente na Revista Emancipação, da Universidade Estadual de Ponta Grossa.
Você o encontra aqui: http://www.revistas2.uepg.br/index.php/emancipacao/article/view/1071/836
3:21 PM
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Domingo, Março 21, 2010
Se Deus nos quisesse perfeitos, não nos faria humanos
11:56 PM
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Terça-feira, Março 02, 2010
Os unicos amores perfeitos sao aqueles que nao se realizam
8:53 AM
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Terça-feira, Fevereiro 09, 2010
"A feiúra, onde quer que esteja, tem sempre um lado belo; é fascinante descobrir beleza onde ninguém a consegue ver" - Toulouse-Lautrec
8:48 AM
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Terça-feira, Novembro 10, 2009
O meu melhor momento é quando meu fracasso quebra suas expectativas a respeito de minha pessoa. A minha maior liberdade está em ninguém esperar muita coisa de mim. Assim, livre das amarras alheias, faço minha própria dança sem querer ser ideal para ninguém.
3:51 PM
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Domingo, Outubro 25, 2009
Meu Amigo Pedro
Composição: Raul Seixas e Paulo Coelho
Muitas vezes, Pedro, você fala
Sempre a se queixar da solidão.
Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro.
É pena que você não sabe não.
Vai pro seu trabalho todo dia
Sem saber se é bom ou se é ruim.
Quando quer chorar vai ao banheiro.
Pedro as coisas não são bem assim.
Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno.
Pedro, onde você vai eu também vou;
Mas tudo acaba onde começou
Tente me ensinar das tuas coisas
Que a vida é séria, e a guerra é dura.
Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura.
Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
Quando os dois pensavam sobre o mundo.
Hoje eu te chamo de careta, Pedro;
E você me chama vagabundo.
Pedro, onde você vai eu também vou;
Mas tudo acaba onde começou
Todos os caminhos são iguais;
O que leva à glória ou à perdição;
Há tantos caminhos, tantas portas,
Mas somente um tem coração.
E eu não tenho nada a te dizer,
Mas não me critique como eu sou.
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou
Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou.
10:09 PM
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Sábado, Outubro 24, 2009
Quando acreditamos que os anjos caem, estamos supondo a existência de um céu de onde eles desabam. Assim, pressupomos igualmente que a plenitude seja um lugar alcançável e possível àqueles que bravamente se comprometem a atingi-la e de lá não mais caírem.
Porém, e se supormos que os anjos caem pelo fato de que não há plenitude que os sustente no céu?! Que não há qualquer lugar estável no céu?! Que nem mesmo exista céu?! Assim, os anjos já nasceriam caídos, desabados por sonhos de plenitude, de pureza e de essência que nutrem no peito. Não teriam sido expulsos de uma plenitude, mas sim caídos pela constatação de inexistência desta. Assim os anjos, com suas “boas intenções” de (re)tornar a um céu Pleno que nunca habitaram, acabariam por produzir infernos de angústia e ressentimento e mágoa contra a vida do dia-a-dia na qual labutam.
Assim, também todos os salvadores ambicionam ter gestos angelicais no fomento de promessas que indicam o alcançar de uma terra prometida sonhada. E, para isto, muitas vezes guerreiam contra a dinâmica híbrida da vida, convocando idealisticamente a figura dos ícones pioneiros que servem como símbolo da essencial pureza nunca apalpada: Hugo Chaves grita por Bolívar, os norte americanos gritam por uma tal liberdade, Hitler grita pela alma ariana, os colonizadores espanhóis gritavam pelo cruscificado, os comunistas gritam por Marx, Lenin.
Quanto a nós, anjos caídos que sabemos que o céu que procuramos só existe em nosso desejo de fuga dos encontros do dia-a-dia, gritamos pela coragem de conseguir inventar a vida no cotidiano.
7:38 PM
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Sexta-feira, Outubro 09, 2009
Caminante no hay camino
Antonio Machado
Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.
Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse...
Nunca perseguí la gloria.
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...
Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso.
12:40 AM
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Sábado, Outubro 03, 2009
Minha tribo sou eu (Zeca Baleiro)
Eu não sou cristão.
Eu não sou ateu.
Não sou japa, não sou chicano,
não sou europeu.
Eu não sou negão.
Eu não sou judeu.
Não sou do samba nem sou do rock.
Minha tribo sou eu.
Eu não sou playboy.
Eu não sou plebeu.
Não sou hippie, hype, skinhead,
nazi, fariseu.
A terra se move,
falou Galileu.
Não sou maluco nem sou careta.
Minha tribo sou eu...
1:38 AM
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Quarta-feira, Setembro 30, 2009
O rigor e o refinamento intelectual são as condições para um pensamento que se quer livre e desregrado
10:19 AM
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Segunda-feira, Setembro 21, 2009
Talvez o principal movimento a ser feito por cada um de nós não seja mais o de interpretar as coisas a nossa volta, mas sim o de inventar o que ainda não existe e que, por isso mesmo, não é passível nem mesmo de interpretação. Vejo grandes ensaios explicativos sobre o modernismo, o pós-modernismo, o marxismo e estes “ismos” todos que tentam enquadrar a vida..., mas quase nada ouço sobre a surpresa de se criar um novo som que não se encaixa em lugar algum; quase nada ouço sobre a surpresa de se inventar um jeito de olhar que não se apresenta garantido nas interpretações da realidade. Quando só podemos pensar a partir do já pensado e interpretado e explicado..., o mundo fica pobre e pequeno.
9:49 AM
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Domingo, Setembro 20, 2009
Quem tem consciência para ter coragem?
Quem tem a força de saber que existe?
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste?
Quem não vacila mesmo derrotado?
Quem já perdido nunca desespera?
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera?
(Secos & Molhados – Primavera nos dentes)
11:00 PM
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Sábado, Setembro 19, 2009
A cópula marca misturas, hibridações; marca a possibilidade do surgimento de outros regimes de alteridade e de uma novidade não totalizada. Mas na cópula também há riscos de doenças venéreas, ejaculações precoces, impotências, frigidez. As cópulas igualmente são consideradas pecaminosas dentro de determinados regimes de saber que estabelecem o rótulo de pecado a tudo aquilo que possa trazer uma vivência desestruturadora em sua novidade e prazer. Há também, para além das cópulas , gestações que não vingam, e, se vingam, correm sempre o risco de fazerem surgir surpresas. Cópula-gestação-conhecimento é uma aventura perigosa, mas necessária à vida..., em todos os sentidos que esse conceito possa conter. O conhecimento condenado à morte é aquele que não se aventura nas misturas e nos contágios. Ilha-se da existência e, assim, condena-se a uma abstinência copular que não produz filhos; não inaugura ramificações; não alastra influências.
6:17 PM
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Quinta-feira, Setembro 17, 2009
Nem bom, nem ruim.
Nem certo, nem errado.
Nem bonito, nem feio.
Apenas diferente...
Sublimamente diferença.
5:00 PM
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Domingo, Agosto 30, 2009
Algo que ouvi há pouco tempo e que achei interessante:
Não importa onde me plantem, sempre vai nascer flor
12:19 AM
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Sábado, Agosto 29, 2009
Duas sensações muito estranhas e parecidas, geradas por fatos extremamente antagônicos, me atropelaram há algum tempo. A primeira foi quando tive que assinar o atestado de óbito de meu pai. A outra foi quando fiz o registro de nascimento de minha filha.
Uma grande estranheza tomou conta de mim nesses dois momentos. No primeiro, como é que uma pessoa que estava viva há alguns minutos, do meu lado, agora não mais existia? No segundo, como é que uma pessoa tão inédita, uma novidade tão absoluta, passa assim, tão de repente, a existir no mundo e a fazer parte da minha vida?
Um me assustou pela ausência do que sempre foi presente..., o outro me assustou pela presença do que antes não existia.
11:45 PM
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Sexta-feira, Agosto 28, 2009
Gosto desses amores que não se sustentam como eternidade e desses sonhos que desabam sob a pressão do dia-a-dia. Aprecio muito filmes que não têm final feliz e que me deixam a pensar, afetado pelas emoções daquele fim. Não que eu ache que a vida seja cruel e que sua crueza deva ser mostrada em todos os lugares. Mas também não aprecio vida iludida; vida fingida em fantasias de "prá sempre" ou de "sou especial". Gosto do gosto dos anti-heróis, daquilo que morre porque está vivo e dessas pessoas que são boas sendo também tão más. Gosto de gente, de ser humano, e não desses espantalhos armados no meio do campo da vida, se achando muito especiais em suas vestes que se decompõem pouco a pouco ao sabor do sol, da lua e do vento.
12:38 AM
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Quinta-feira, Agosto 13, 2009
Quero ser livre como um passarinho, mas também quero a segurança e a certeza do meu ninho.
Como sair desse dilema?
7:08 AM
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Terça-feira, Julho 21, 2009
Hoje minha mãe está internada em um hospital com suspeita de pneumonia. Hoje tive a notícia que um dos meus cachorros está com um tumor cancerígeno na orelha. Meu carro foi para a oficina para consertar um vazamento no setor da direção hidráulica e me anunciaram o preço da facada. Minha impressora pifou. E o mundo gira, e a vida segue..., nos pedindo coragem para o próximo dia...
7:46 PM
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Fui escolhido como professor homenageado pelo curso de Pedagogia e pelo curso de Secretariado Executivo da Universidade Federal de Viçosa. O pessoal do Secretariado Executivo, porém, me comunicou através de um e-mail que eu pouco acesso e, achando que eu não havia aceito o convite para ministrar a “aula da saudade”, passaram o bastão para outro professor. Mas fiquei feliz por terem lembrado de mim. Quarta-feira agora dou a aula da saudade para os alunos da Pedagogia. E eu nunca sei ao certo o que eu digo nessas aulas..., aulas simbólicas que representam o último momento de sala de aula na graduação que os alunos têm. Gosto desse tipo de homenagem, a de professor da aula da saudade, porque a considero a melhor homenagem que um professor pode receber. Por sua vez, a sinto também como uma responsabilidade muito grande, em um momento de muita emoção por parte dos alunos. Espero não decepcioná-los, pois é sempre fácil de decepcionar aqueles que nutrem muitas expectativas.
12:08 AM
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Sábado, Julho 18, 2009
"Velhos amigos se vão, novos amigos chegam.
É como os dias: os velhos se vão, os novos chegam.
O importante é torná-los cheios de sentido e significado:
tanto faz que seja um amigo ou um dia". Dalai Lama
8:54 AM
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Quarta-feira, Julho 15, 2009
Acabei de “terminar” um artigo para minha tese. Mais um. Acho que estou com cerca de 100 páginas escritas e devo me qualificar pelos próximos meses. E o mais interessante é que eu nem sei direito para onde estou indo em meio a essa centena de páginas. Aconteceu a mesma coisa quando eu estava fazendo meu mestrado. Quando me perguntavam, transcorrido um ano de estudos, a respeito do que eu estava pesquisando, não sabia explicar direito. Acho que uma tese, como a vida, não possui garantias de resultado nem certezas do caminho que trilhamos. Mas não podemos tirar o pé da estrada ou nos paralisar no meio da travessia. O jeito é seguir adiante. Neste artigo que “terminei” hoje, eu comecei pensando em um caminho argumentativo..., de repente me deparei falando de coisas que nem havia planejado falar..., e me perdi, ...., e remodelei tudo..., e me perdi de novo..., para encontrar uma outra rota de pensamento até então impensada. Repentinamente achei que estava em terreno argumentativo seguro..., para descobrir que ele havia me levado a um beco sem saída. Então, descartei parte do que já havia sido escrito e comecei de novo... e, enfim, terminei. Terminei??? Não sei... Obtive o melhor resultado que eu podia ter tido? Não..., mas também está longe de ser uma catástrofe. O mais prazeroso é a viagem realizada.
10:58 PM
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Terça-feira, Julho 14, 2009
Haja paciência!!! Gosto quando as pessoas conquistam as coisas: sejam bem materiais, sejam bens afetivos. A conquista de algo significa a existência de um empreendimento e igualmente de uma insistência (e persistência) na direção de algo. Não acredito, particularmente, que a vida tenha um sentido pré-definido ou um ponto final de acabamento; porém acredito que se não nutrimos sentidos e inventamos conquistas, corremos o risco de desabarmos em um perigoso “não” à existência. Inventar a vida é potência; construir objetivos e conquistar metas pessoais (e, se não as conquistar, pelo menos valorizar a qualidade do movimento desenvolvido) consiste igualmente em vitória. Mas, por favor..., não venha até mim enaltecendo as suas vitórias, conquistas e pertences e diminuindo os meus. Não me venha colocar em um jogo comparativo ou me fazer mero público para ficar te aplaudindo. Para isso eu não tenho paciência...,; muito pelo contrário, sou tomado por um desânimo terrível de estar junto a você. Quem só sabe reconhecer as próprias conquistas, mas desqualificar as alheias, não merece o empenho de minha amizade.
4:56 PM
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Segunda-feira, Julho 13, 2009
Preciso criar modelos, construções teóricas, concepções de vida... para me sentir seguro, mas não preciso transformá-los em moldes enrijecedores. Eu posso escolher ser de diferentes maneiras, inclusive maneiras contraditórias, sem ter que me impor um juízo final, uma definição última em termos de identidade. Sou o que você vê e sou muito mais (e muito menos) do que você pode enxergar.
7:42 PM
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Domingo, Julho 12, 2009
Eu te desejo, mas, entenda..., o que eu desejo não é você..., é mais que você. Desejo um mundo que sonho em você. Desejo muitos mundos que atravessam você. Desejo diferentes modelos de mulheres que passaram por minha vida e se encontram agora, neste instante, na sua pessoa. Você as contém, mas não as suporta. Por isso meu desejo é flutuante e, repentinamente, você pode não mais conseguir sustentá-lo. Quando te desejo, o faço a partir de aromas, sensações, frios na barriga, personagens de TV, amores sonhados e frustrados, delírios de criança que fui colecionando – consciente ou inconscientemente – durante minha breve história. Desejo você como uma montagem dos meus sonhos feitos de tantas coisas diferentes..., por isso nem sempre você caberá no meu desejo. Te desejo em meio a uma multidão de experiências, de montagens, de sonhos, de variações musicais que deposito na sua pessoa. Por isso o que eu desejo é mais do que você, apesar de se encarnar na sua pessoa. O que eu desejo é meu próprio desejo a se multiplicar...
9:50 PM
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Sábado, Julho 11, 2009
O QUE É BONITO?
Lenine
O que é bonito
É o que persegue o infinito.
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado;
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não.
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito.
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra.
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra.
Eu quero tudo
Que dá e passa.
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça.
O que é bonito...
3:12 PM
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VOCÊ E EU*
Você, que pensa em outra pessoa,
não vê que seu olhar cassoa desse sentimento que há em mim.
Você com seu sorriso contagiante; com sua alegria transbordante;
não vê o que me aconteceu.
Eu perdi o rumo do meu destino,
perdi minha esperança de menino
dentro do meu amor que morreu.
Eu, que voava junto a passarinhos,
caí em um abismo sem seus carinhos:
carinhos que fazem tanta falta a este corpo meu.
Nós, que tivemos momentos de sorrisos,
agora estamos cada um para um lado,
negando-nos palavras e abraços
ainda que sejam só de amigos.
Nós, que começamos tudo por acaso,
agora estamos de novo separados e partidos.
Você, triste por não possuir seu antigo amor passado.
Eu, triste por ter te perdido.
*versos de minha autoria, compostos em uma tarde de Domingo no mês de maio do distante ano de 1991.
2:17 AM
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Sexta-feira, Julho 10, 2009
É interessante como precisamos dos problemas para andar prá frente. Às vezes fico com medo de mim mesmo. Às vezes sinto que me acomodo dentro de determinado conforto e eu nem via que estava assim tão acomodado. Eu tinha um fusca que ganhei de meu pai. Quando casei e tive minha filha, ficar com um fusca não tinha muito jeito porque tudo ficava apertado demais e eu não tinha coragem de viajar longas distâncias com aquele carro. Comprei então um Monza 1994 que me serviu muito bem, até que as peças dele, todas originais, demonstrassem estar em estado de envelhecimento. O Monza é um carro muito bom, mas quando vc tem que trocar tudo que é original nele, significa que é hora de passá-lo para frente. Diante a esse problema, vendi o Monza e comprei outro carro: um Corolla, porque me falaram que carro da Toyota não dá problema. Porém tive problemas. Como minha casa não tinha garagem, alugava a garagem do prédio vizinho. Porém, alegaram que meu novo carro chamava muito a atenção e, com medo de que ele estimulasse a entrada de ladrões no prédio, me convidaram a sair. Fiquei com o carro novo estalando na rua, o que me forçou a construir uma garagem em um espaço que eu não tinha em minha casa. Hoje a garagem está pronta, com portão eletrônico e tudo mais. Foi então que fiquei pensando: se eu não tivesse tido filho teria comprado o Monza? Se o Monza não tivesse desgastado, teria comprado o novo carro? E se eu não tivesse sido expulso da garagem que alugava, teria construído a nova garagem?
Por isso que penso que nossos problemas são pequenas dádivas: nos forçam a dar um passo para além do comodismo.
8:26 PM
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Quinta-feira, Julho 09, 2009
Será que Sarkozy está rindo do fato de Obama parecer ficar seduzido pela ameaça vermelha? Nada como uma saia bem torneada para virar a cabeça de presidentes :-)
Assista aos comentários do pessoal da ABC News norte americana sobre esse fato aqui:http://abcnews.go.com/video/playerIndex?id=8049121

7:21 PM
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Quando as coisas parecem sem saída; quando as possibilidades se esgotaram; quando a impotência da circunstância toma conta de seu dia...; o desespero não vai te levar a lugar algum. Na tempestade, na crise, no conflito, é sempre importante estar inteiro, munido do melhor de suas forças. O desespero solapa nossas energias e obscurece nosso foco de atenção. É quando tudo está desabando que nossos sentidos necessitam de maior acuidade. Quando a impotência toma nossos dias é que precisamos cultivar nossa potência de inventar a vida. Não fuja da existência e de suas responsabilidades como uma criança mimada; nem fique perdendo preciosas horas lamentando o que deveria ter sido. Se você só existe no agora, é apenas no agora que você poderá tomar efetivas atitudes para atenuar as consequências das tempestades.
10:24 AM
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Quarta-feira, Julho 08, 2009
Há um grande problema quando nos aventuramos a sonhar. Nós achamos que só seremos felizes e realizados se tais sonhos se materializarem dentro do período de nossa história de vida. Parece que nossa felicidade é computada pela quantidade de sonhos que realizamos... o que pode ser uma proposta um tanto perigosa. Muitos dos nossos sonhos ficarão pelo caminho e nem por isso podemos dizer que teremos vidas mais infelizes dos que aquelas que idealizamos oniricamente. Tentar concretizar sonhos é importante, mas também assumir as possibilidades de vida que se tem no presente – mesmo que estas não se traduzam dentro do nosso sonhar – é igualmente de extrema importância. Vidas potentes não são necessariamente aquelas que se sustentam na incerteza de um futuro sonhado, mas na força da vida exercida, praticada, respirada e sentida no agora. O nosso desafio é habitar o presente e fazer do mesmo um dia que valha a pena. Se nesse habitar conseguimos igualmente materializar os sonhos, isso é outra história. O mais importante é não deixar que os sonhos nos alienem no que podemos efetivamente fazer com o que temos agora em nossas mãos.
9:44 AM
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Terça-feira, Julho 07, 2009
Michael Jackson morre. E seu funeral parece ser seu último grande show. E daqui a alguns anos, ele estará “esquecido” enquanto ser humano para se tornar um mito. É sempre bom criar mitos pois eles são os substitutos modernos dos santos medievais e heróis gregos. O homem inseguro, que rejeitava entrar na maturidade, que rejeitava a si mesmo, tomado por uma ânsia de perfeição que o fez deformar seu próprio corpo e, por fim, matá-lo,... esse homem desaparecerá e ficará em cena..., num eterno palco petrificado..., o pop star. Mas se Michael Jackson pode ser definido como um símbolo, penso que não o faz necessariamente como um modelo de músico, mas sim como um modelo da angústia humana de querer sempre mais, na busca de um tipo de ideal que só existe no plano da fantasia e que cobra seu preço – um alto preço – a todos aqueles que acreditam poder atingi-lo.
9:39 AM
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Domingo, Julho 05, 2009
WATCHMEN
Li Watchmen (uma história em quadrinhos) pela primeira vez em 1986, quando tinha 15 anos. Fiquei assustado e encantado com a criatividade narrativa do escritor Alan Moore. Até então não havia lido - em termos de quadrinhos - nada como essa história, que possuía uma crueza, uma profundidade argumentativa e montagens narrativas que até então em nunca encontrara e, até hoje, considero raro de achar. Considerado por muitos anos infilmável, Watchmen foi trazido às telas de cinema em março de 2009 em meio a muita polêmica. Muitos o acharam profundamente tedioso, longo (a versão de cinema tem mais de duas horas e meia de duração) e violento. Agora, escrevo sobre Watchmen muito tempo depois de o filme ter sido lançado nos cinemas. Acompanhei o frisson do lançamento, e toda a enxurrada de elogios e ferozes críticas ao filme. Acompanhei também a decepção financeira que ele se tornou, quando se esperava que a antológica história de Alan Moore conseguisse ser tão degustativa quanto um saltitante Homem-Aranha, ou uma pancadaria generalizada como Transformers, X-Men III, Velozes e Furiosos ou Wolverine. Foi depois de tudo isso que apenas ontem eu tive a oportunidade de assistir a esse filme... E fiquei impressionado com o que assisti. Efetivamente não é um filme para ser visto por aqueles que querem ação desvairada e historinha linear com heróis lutando contra um vilão, onde tudo termina com final feliz. Watchmen coloca em cena diálogos que nos remetem a problemáticas humanas e não se resume a pancadarias. Mais que uma mera ficção científica, cabe perfeitamente dentro da categoria de drama. Isso deve ter decepcionado milhares que foram ao cinema assistir a um filme de ação vertiginosa. Há ação, há muita violência, porém o centro da história não se sustenta nisso. Há questões morais colocadas em cena que são muito mais atraentes. Fiquei chocado com o quanto o diretor conseguiu conduzir a história de maneira tão próxima ao que foi feito nos quadrinhos, preservando tudo o que vale a pena em Watchmen. Sugiro que, antes de se assistir ao filme, se assista ao documentário "Sob o Capuz" (encontrado no DVD "Contos do Cargueiro Negro"), o que produzirá uma sensação de familiaridade com o universo de Watchmen análogo ao que se sente quando se lê "Sob a Máscara", tal como foi publicada em meio à história em quadrinhos. Para maiores (e melhores) informações, clique AQUI
3:03 PM
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Terça-feira, Junho 23, 2009
Eu não tenho idade. São outros que me conferem as idades que tenho, as quais são referendadas pelo relógio ,ou pelas estações do ano, ou pela intensidade de minhas rugas, a rareficação dos meus cabelos. Mas as idades que me impõem são ficções dentro das quais querem me enquadrar: a um tipo de conduta adequada e esperada para cada ciclo de idades. Mas eu não sou de uma só idade porque sou atravessado por diferentes ritmos de tempo. Sou criança no mesmo ato em que me torno compenetrado adulto. Sou jovem no mesmo momento em que uma velhice me enrijece os sentidos. Não me acorrentem, pois, em definições uma vez que não me encaixo no tempo. Se habito determinado momento histórico – com todos os seus modelos de conduta e modos de organizar a vida – também habito a eternidade, a qual não significo como sendo um tempo que não termina mais, mas sim uma completa ausência de tempo, o que fez com que Hermann Hesse dissesse que a eternidade, por não conter tempo algum, cabe em um suspiro. Vivo no instante de um suspiro, onde todos os tempos se encontram.
"O hoje é apenas um furo no futuro por onde o passado começa a jorrar" .
Raul Seixas
12:00 PM
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Domingo, Junho 21, 2009
E de repente eu paro no meio de uma rua movimentada. Tudo é movimento ao meu redor. Pessoas, carros, charretes, bicicletas, animais, sons... São movimentos imperceptíveis pelo exato fato de serem tão evidentes e diários. Mesmo eu ali, parado na rua, não estou parado: coração bate, sangue flui, nervos reagem..., meu corpo só existe no movimento, na dinâmica. Tudo se move em mim, na cidade, no universo. Tudo pulsa em mim... e não há jeito de parar e não há modos de eu ficar isolado de tudo isso ou de me isolar da vida. O movimento que me constitui é o mesmo que vitaliza tudo isso. Estamos todos unidos nesse pulsar, nesses ritmos e cadências que não cessam nem na morte.
10:30 AM
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Sábado, Junho 20, 2009
Eu sempre me pergunto o que significa "aproveitar a vida". Tanta ânsia encontro nas pessoas que querem aproveitar a existência como se ela fosse um bolo a ser devorado com rapidez e voracidade: viver intensamente os amores, intensamente a velocidade, intensamente o momento. Deve cansar tanta intensidade. Prefiro uma vida mais suave. Sem tantas correrias ou deslocamentos. Uma vida onde saborear longamente uma bala, uma flor ou uma pessoa, sem pressa, sem necessidade de conclusões, já pode ser de uma intensidade sem ânsia, sem medo de fim, sem necessidade de consumo desesperado por sensações diferentes, por novidades contínuas...
11:12 PM
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Sexta-feira, Junho 19, 2009
Estou escrevendo um artigo para meu doutorado. Na verdade é um capítulo de minha tese. É um artigo em que tento falar sobre grupos, sobre práticas grupais, sobre invenção, sobre o uso da máquina como metáfora para se referir a grupos e, principalmente, sobre como produzimos os grupos que igualmente nos produzem. Viajo por muitos referenciais teóricos, que passam da cibernética à termodinâmica distante do equilíbrio, e vou para a biologia, dando voltas em torno da filosofia, da sociologia e da psicologia. É um imenso quebra-cabeça que tenho nas mãos onde eu tenho uma certa idéia do que quero dizer, mas não sei ao certo como eu farei isso e como todas essas peças farão relação. Escrevo várias páginas que podem, repentinamente, serem descartadas ou conectadas a outras partes do texto por mim ainda não pensadas. Sigo por caminhos que de repente se revelam becos sem saída ou, de repente, encontro amplas avenidas de reflexão que eu nem tinha pensado em tomar. É um tipo de trabalho que considero semelhante a um escultor ou a um pintor, no seu trajeto de fazer experimentos com o mármore e com as tintas no mesmo instante em que resenha sua obra, em que dá corpo e vida a sua arte. Gosto de escrever porque nunca sei o que vai sair e sempre aprendo com as coisas que produzo..., sempre há algo a ser descoberto em meio àquilo que escrevo porque estou dialogando nas margens de minha própria ignorância. A gente não aprende nada andando só sobre o solo conhecido; é preciso tocar seu desconhecimento, sua própria ignorância, para poder falar algo novo pelo menos para si mesmo. É isso que me encanta nesse texto que estou escrevendo à beira de meu não saber.
7:45 PM
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Quinta-feira, Junho 18, 2009
Acordo às 6:15 da manhã. Vou prender o cachorro no canil. Tomo banho. Levo minha filha para a escola. Vou trabalhar..., tudo parece meio rotina; tudo parece verdade no mundo que vivo. Mas ao mesmo tempo sei que as verdades são transitórias. Elas existem somente dentro de um espaço de tempo. Minha rotina era completamente outra há quinze anos. Outros ritmos que me pareciam igualmente verdadeiros e imutáveis agora não passam de lembrança. A vida passa e minha história vai tendo delineamentos diferentes, mesmo parecendo que o mundo está sempre igual. E de repente, abro os olhos e reparo que, mesmo sendo igual todos os dias, hoje é diferente do que era antes. Como isso pode acontecer? É incrível como, a partir da rotina, a vida muda e nem percebi onde foi o ponto de bifurcação que fez nascer esse outro dia-a-dia que me parece assim tão igual... e ao mesmo tempo drasticamente diferente a mundos outros que fiz para mim; a mundos outros que habitei..., e que pareciam tão imutáveis... e que não mais existem ou retornarão.
10:40 AM
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Quarta-feira, Junho 17, 2009
Estava vendo no Youtube algumas músicas de Marcelo Camelo e me encontrei com as músicas de Mallu Magalhães (parece que os dois têm um caso amoroso). Assisti à primeira apresentação dela no Altas Horas e lá estava uma menina de quinze anos, tímida, com falas quebradas, riso nervoso, em uma postura costumeira de adolescentes da idade dela quando expostos em público. Até aí, tudo bem. Todavia, observei naquela menina uma coragem que me encanta: a coragem de se expor, apesar do medo dessa exposição. Ela apresentou no programa uma música de sua própria composição, em inglês, cantando e tocando um violão, ao vivo, além de tocar gaita juntamente com o violão. A letra da música era consistente, assim como era sua expressão musical. Ela era a autora de suas letras, de suas músicas e encarnava um modo de ser próprio frente às câmeras. Não era uma farsa, era uma espontaneidade que transparecia também uma ingênua genuinidade. Comecei, então, no próprio Youtube, a pesquisar a respeito das apresentações musicais da menina e fiquei impressionado com a quantidade de comentários negativos ao trabalho dela que se elencavam abaixo dos seus vídeos. Eram críticas e mais críticas negativa, seguidas às vezes de palavrões contra a Mallu, sem nenhuma fundamentação maior, dedicadas a desqualificar uma adolescente corajosa que, assumindo seu próprio modo de cantar e compor, ousou não se enconder dentro de sua própria timidez. É incrível como tentamos destruir aqueles que são mais corajosos que nós..., é incrível como desejamos que compartilhem de nosso medo e nunca ousem para além dos limites que impomos a nós mesmos. O meu maior temor não é ser derrotado, mas sim ter medo demais para nem mesmo tentar. Mesmo quando fracasso, fico ao menos satisfeito quando sei que fiz o meu melhor para dar certo. E todos os dias fico feliz em encontrar a ousadia de uma pessoa como Mallu Magalhães, me ensinando o quanto é importante seguir em frente, apesar de toda crítica àqueles que, não temendo novos caminhos, se atrevem a passos criadores de novos horizontes.
10:35 PM
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Domingo, Junho 07, 2009
O escritor Érico Veríssimo certa vez me disse, em uma manhã de Domingo de 1985, que "Você sabe muito bem que ninguém dura impunemente, e que o preço da sobrevivência é o envelhecimento". Concordo com ele. Quer ser jovem para sempre? Então morra jovem. Envelhecer faz parte de uma conquista no tempo, não apenas de uma derrota do organismo.
3:44 PM
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Quarta-feira, Maio 27, 2009
Avenida Q: "A vida só vai lhe ensinar uma coisa: você não é especial. NInguém é!". :-) Consolador!
3:18 PM
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Sexta-feira, Maio 15, 2009
Quando não há jeito de fazer o que é ideal, acho que vale procurarmos fazer o que é possível. Ficar preso só no ideal pode ser paralisante.
10:45 AM
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Quarta-feira, Maio 13, 2009
Não precisamos de salvadores do mundo, de ideólogos ou mártires, mas sim daqueles que ousem manter as portas abertas e abrir passagem...
9:55 PM
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Sábado, Maio 09, 2009
Hoje, no twitter do Leo Jaime, li esta interessante mensagem: "Já repararam que comédia não ganha Oscar de melhor filme e nem música alegre é considerada boa de verdade. Trabalho sério é trabalho triste". O engraçado é que muitos igualmente pensam que a vida, para ser considerada séria, tem que ser triste, amargurada, tomada pela verdade existencial de que, por morrermos, por termos um fim, por nossas ilusões desabarem, por nossos sonhos murcharem em algum momento, temos que nos acolher nos braços da melancolia.
6:37 PM
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Quinta-feira, Maio 07, 2009
"Nascer pode ser uma passagem violenta. O futuro se impõe; o passado não se aguenta" (Humberto Gessinger - Pose).
2:27 PM
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Sexta-feira, Abril 24, 2009
Dois pequenos trabalhos meus entraram on-line recentemente
Um no jornal Educação e Imagem (http://www.lab-eduimagem.pro.br/JORNAL) e outro no Portal Emprego & Renda (http://www.empregoerenda.com.br/). Neste último eu sou a carinha sorridente responsável pela "entrevista do mês"
9:24 AM
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Sábado, Abril 18, 2009
O que é ser livre? É fazer o que vem à mente? É se deixar levar com o soprar do vento? Não sei...
Um barco em alto mar entregue ao sabor das correntezas e que está à mercê do vento não está livre..., o que ele está é à deriva.
Liberdade é conseguir pegar no leme e levar o barco para onde você quer...; é tornar-se responsável pela sua trajetória.
4:44 PM
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Quarta-feira, Abril 15, 2009
Eu sugiro que você ouça esta bela canção abaixo na voz de Susan Boyle
em: http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo
Les Miserables - I Dreamed A Dream
There was a time when men were kind
When their voices were soft
And their words inviting.
There was a time when love was blind
And the world was a song
And the song was exciting.
There was a time ... then it all went wrong
I dreamed a dream in time gone by
When hopes were high and life worth living,
I dreamed that love would never die
I dreamed that God would be forgiving.
The I was young and unafraid,
When dreams were made and used and wasted.
There was no ransom to be payed,
No song unsung, no wine untasted.
But the tigers come at night,
With their voices soft as thunder,
As they tear your hope apart
As they turn your dreams to shame
He slept a summer by my side.
He filled my days with endless wonder,
He took my childhood in his stride,
But he was gone when autumn came.
And still I dreamed he'd come to me
And we would live the years together,
But there are dreams that cannot be
And there are storms we cannot weather.
I had a dream my life would be
So different from this hell I'm living
So different now from what it seemed
Now life has killed the dream
I dreamed.
TRADUÇÃO
Eu Tive um Sonho
Houve um tempo quando os homens eram amáveis
Quando suas vozes eram suaves
E suas palavras convidativas
Houve um tempo quando o amor era cego
E o mundo era uma canção
E a canção era excitante
Houve um tempo... então tudo deu errado
Eu tive um sonho num tempo que já se foi
Quando esperanças eram elevadas e valia a pena viver
Eu sonhei que o amor nunca morreria
Eu sonhei que Deus estaria perdoando
Então eu era jovem e destemida
Quando sonhos eram feitos e usados e perdidos
Não havia nenhum resgate a ser pago
Nenhuma canção desconhecida, nenhum vinho intocado
Mas os tigres chegaram à noite
Com suas vozes suaves como trovão
Tal como eles rasgam sua esperança em pedaços
Tal como eles transformam seus sonhos em vergonha
Ele dormiu um verão ao meu lado
Ele encheu meus dias de maravilha infinita
Ele fez da minha infância o seu êxito
Mas ele se foi quando o outono chegou
E ainda sonho com ele vindo até a mim
E nós viveríamos juntos os anos
Mas há sonhos que não podem acontecer
E há tempestades que não podemos desafiar
Eu tive um sonho que minha vida iria ser
Tão diferente deste inferno que estou vivendo
Tão diferente agora do que parecia
Agora a vida matou o sonho que tive
10:56 PM
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Sábado, Março 14, 2009
Estação das Perdas
Aila Magalhães
Há horas em nossas vidas
que somos tomados por uma enorme sensação
de inutilidade, de vazio...
Questionamos o porquê de nossa existência
e nada parece fazer sentido.
Concentramos nossa atenção
no lado mais cruel da vida,
aquele que é implacável
e a todos afeta indistintamente:
AS PERDAS DO SER HUMANO!
Ao nascer, perdemos o aconchego,
a segurança e a proteção do útero.
Estamos, a partir de então, por nossa conta.
Sozinhos.
Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente,
no momento em que perdemos algo,
outras possibilidades nos surgem.
Ao perdermos o aconchego do útero,
ganhamos os braços do mundo.
Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta,
nos eleva e nos destrói...
E continuamos a perder..
E seguimos a ganhar.
Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura nossa mão,
a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas
porque alguém ao nosso lado
nos assegura que não nos deixará cair...
E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar.
Por que? Perguntamos a todos e de tudo...
Abrimos portas para um novo mundo
e fechamos janelas,
irremediavelmente deixadas para trás...
Estamos crescendo.
Nascer, crescer, adolescer, amadurecer,
envelhecer, morrer, renascer(?). ..
Vamos perdendo aos poucos alguns direitos
e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem alto,
aos gritos mesmo,
quando algo nos é tomado contra a vontade.
Perdemos o direito de dizer
absolutamente tudo que nos passa pela cabeça
sem medo de causar melindres.
Assim: se nossa tia às vezes nos parece gorda
tememos dizer-lhe isso.
Receamos dar risadas
da bermuda ridícula do vizinho
ou puxar as pelanquinhas do braço da avó
com a maior naturalidade do mundo
e, ainda, falar bem alto sobre o assunto.
Estamos crescidos e nos ensinam
que não devemos ser tão sinceros.
E aprendemos.. .
E vamos adolescendo. ..
Ganhamos peso, ganhamos seios,
ganhamos pêlos, ganhamos altura....
Ganhamos o mundo.
Neste ponto, vivemos em grande conflito.
O mundo todo nos parece inadequado
aos nossos sonhos... Ah! E os sonhos!!!
Ganhamos muitos sonhos
Sonhamos dormindo,
sonhamos acordados,
sonhamos o tempo todo.
Aí de repente, caímos na real!
Estamos amadurecendo. ..
Todos nos admiram.
Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio,
a razão acima de tudo.
Mas, não é justamente essa a condição
que nos coloca acima(?) dos outros animais?
A racionalidade,
a capacidade de organizar nossas ações
de modo lógico e racionalmente planejado?(? ??)
E continuamos amadurecendo. ..
Ganhamos um carro novo, um companheiro,
ganhamos um diploma.
E desgraçadamente perdemos o direito
de gargalhar, de andar descalço,
tomar banho de chuva, lamber os dedos
e soltar pum sem querer...
Mas, perdemos peso!!!
Já não pulamos mais
no pescoço de quem amamos
e tascamos aquele beijo estalado...
Mas, apertamos as mãos de todos,
ganhamos novos amigos,
ganhamos um bom salário,
ganhamos reconhecimento, honrarias,
títulos honorários
e a chave da cidade...
E assim, vamos ganhando tempo...
Enquanto envelhecemos.
De repente percebemos
que ganhamos algumas rugas,
algumas dores nas costas (ou nas pernas),
ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso...
E perdemos cabelos.
Nos damos conta que perdemos também
o brilho no olhar,
esquecemos os nossos sonhos,
deixamos de sorrir...
Perdemos a esperança.
Estamos envelhecendo.
Não podemos deixar pra fazer algo
quando estivermos morrendo...
Afinal, quem nos garante
que haverá mesmo um renascer?
Exceto aquele que se faz em vida,
pelo perdão a si próprio,
pelo compreender que as perdas fazem parte.
Mas, que apesar delas, o sol continua brilhando
e felizmente chove de vez em quando.
Que a primavera sempre chega após o inverno,
que necessita do outono que o antecede...
Que a gente cresça e não envelheça simplesmente. .
Que tenhamos dores nas costas
e alguém que as massageie...
Que tenhamos rugas e boas lembranças...
Que tenhamos juízo
mas mantenhamos o bom humor
e um pouco de ousadia...
Que sejamos racionais.
Mas, lutemos por nossos sonhos...
E, principalmente,
que não digamos apenas eu te amo.
Mas, ajamos de modo que
aqueles a quem amamos,
sintam-se amados
mais do que saibam-se amados.
Afinal, o que é o tempo?
9:02 PM
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Sábado, Fevereiro 28, 2009
No final de 2007 tive a oportunidade de conhecer uma aluna, da turma de cooperativismo, chamada Suzane. Sempre fora muito participativa, politicamente engajada nas atividades do movimento estudantil da universidade, e percebi que ela se aproveitava bastante dos debates em sala em torno dos temas de revoluções moleculares, autogestão, movimento instituinte, etc. No final do ano letivo, ela me presenteou com um poema, desejando-me felicidade e bons vôos na vida. Reproduzo aqui as belas palavras de Suzane e desejo um ótimo vôo também a você.
Vôo para a liberdade
Quando o fardo da dúvida
Arrebata-te a força,
Quão desconhecida torna-se a terra em que nasceu
Só o pranto já seco como pedra
Faz companhia ao seu triste adeus
Não reflita, vá!
Voe pelo infinito e se atreva
Como desbravador de estrelas que sabe ser
E devore cruel a surpresa das descobertas:
Novidades são também ruínas do passado.
Sobrevoe os seus sonhos e entre eles se perca
Na verdade oculta nas dobras do limite
E não olhe para trás!
Siga o seu instinto, o insatisfeito...
Encontrando novas perguntas
Nas respostas que foi buscar
Como um pássaro no primeiro vôo,
Plane incerto sobre as nuvens
Supere-se, renegue-se, ame a liberdade!
Se permita vivenciar metamorfoses
E jamais deixe acomodar
Seu impulso de movimento
Ele devasta, recria, liberta
O ritmo do tempo que te amarra
Construa assim outra realidade
Se satisfaça e se arremesse
Só não sucumba à saudade,
Não consinta que ela seja mais forte
Que o seu suave bater de asas...
Suzane-Primavera 2007
1:56 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009
Somos como um rádio. Dependendo da freqüência na qual vibramos, transmitimos e captamos maneiras de sentir e viver. É necessário tomar cuidado com as estações nas quais nos sintonizamos diariamente, pois as músicas que escutamos - e igualmente aquelas que compomos - têm o poder de ditar o sentido e a intensidade dos nossos pensamentos, vivências e emoções
11:17 AM
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Terça-feira, Dezembro 16, 2008
Na cena final de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977), Woody Allen lembra uma piada antiga. Um homem diz a um psiquiatra: "Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha". O médico diz: "Então, porque você não o interna?". Ao que Allen responde: "Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos". À piada segue uma pequena, porém brilhante, reflexão: "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos, insistimos porque a maioria de nós precisa dos ovos".
6:52 PM
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Sexta-feira, Novembro 21, 2008
Uma família numerosa estava sentada à mesa, em uma noite de festa, conversando sobre os mais diferentes temas ao mesmo tempo, como é de costume quando muitas pessoas, tantos mundos singulares, se encontram para compartilhar a vida. Mas uma história chamou a atenção de todos: era o relato de uma viagem feita por um casal ali presente. Seria uma viagem simples, em um deslocamento entre duas cidades distantes apenas 120kms uma da outra; trajeto esse que qualquer pessoa faria, de maneira tranqüila, em duas horas. Todavia o casal relatou uma demora de dez horas para completar essa viagem. Perguntados a respeito do por quê de tanta demora, responderam que paravam para ver paisagens, visitar bares exóticos de beira de asfalto, colher plantas interessantes, passear por cidades que ficavam próximas ao trajeto original, etc. Todos ali os chamaram de loucos, riram daquela extravagância. Porém, aquele relato deixou no ar um conjunto de questões: será que eles não fizeram verdadeiramente uma viagem ao invés de um mero deslocamento entre duas cidades? Será que a viagem não seria aquilo que aconteceu entre as cidades? Chegar é obrigatoriamente o objetivo de uma viagem? Experienciar o trajeto, saborear o caminho não pode abrir a outros tipos de viagens diferentes daquelas planejadas e previamente contabilizadas no tempo?
11:17 PM
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Segunda-feira, Novembro 10, 2008
"O mundo inteiro é um circo
se você souber olhar para ele.
Como o sol se põe quando você está cansado
e nasce quando você levanta.
Isso é mágica de verdade.
O modo como uma folha cresce.
O canto dos pássaros.
Como o deserto fica à noite, quando a luz da lua o envolve.
Oh, meu garoto...
isto é circo bastante para qualquer um.
Sempre que você vê um arco-íris
e seu coração se maravilha com isso.
Sempre que você pega um punhado de areia,
e não vê areia, mas sim um mistério,
uma maravilha em sua mão.
Toda vez que você pára e pensa:
Estou vivo, e estar vivo é fantástico!
Sempre que algo assim acontece,
você é parte do Circo do Dr. Lao."
(Dr. Lao se justificando para um garotinho que pede para trabalhar no circo).
Do filme “As sete faces do dr. Lao”
5:59 PM
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Quarta-feira, Novembro 05, 2008
"O que determina o caráter de um homem? Um amigo meu me perguntou. São suas origens? O modo como ele nasce?
Eu não creio.
São suas escolhas. Não o como ele começa as coisas e sim como ele decide concluí-las"
Do filme Hellboy
4:28 PM
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Segunda-feira, Novembro 03, 2008
Através do Caminho
Susana Carizza
Impossível atravessar a vida:
Sem que um trabalho saia mal feito;
Sem que uma amizade cause decepção;
Sem padecer com alguma doença;
Sem que um amor nos abandone;
Sem que ninguém da família morra;
Sem que a gente se engane em um negócio.
Esse é o custo de viver.
O importante não é o que acontece, mas, como você reage.
Você cresce...
Quando não perde a esperança, nem diminui a vontade, (...).
Quando aceita a realidade e tem orgulho de vivê-la.
Quando aceita seu destino, mas tem garra para mudá-lo.
Quando aceita o que deixa para trás, construindo o que tem pela
frente e planejando o que está por vir.
Quando supera, se valoriza e sabe dar frutos.
Quando abre caminho, assimila experiências...E semeia raízes.
Você cresce...
Quando se impõe metas, sem se importar com comentários, nem
julgamentos;
(...)
Quando você cumpre com seu trabalho;
Quando é capaz de lidar com residuos de ilusões.
(...).
E assim se cresce.
4:39 PM
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Quarta-feira, Setembro 24, 2008
Os desafios estão aí o tempo todo. Atropelando, ferindo, fazendo querer desistir. E principalmente quando eles aparecem simultaneamente na dimensão afetiva e na dimensão profissional, aí sim dá a impressão que estamos sem saída. Mas há sempre saídas, mesmo que não sejam aquelas que visualizamos. Contaram-me a respeito de uma recente entrevista que a Folha de São Paulo fez a um diretor de cinema (do qual nao me lembro o nome), em que ele disse que quando jovem tinha muita esperança, agora, mais velho, aprendeu a ter paciência. É essa habilidade para a paciência que nos auxilia a não cair rapidamente no desespero quando nossas esperanças (e esperança deriva de espera, de expectativa) não se realizam como sonhamos. Quanto mais nos preservamos nesses momentos de crises, mais hábeis ficamos para aproveitar as oportunidades que surgem (algumas como um suspiro). Siga adiante sem desmerecer as conquistas que você realizou até agora. O importante é construir o que falta e não destruir o que sobrou.
12:55 PM
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Domingo, Setembro 14, 2008
Trecho do poema “a volta” de Gigi Damiani
A Vida não deserta, não descura
sua obra de eterna construção,
seja nos picos de perene alvura,
ou entre as coisas ínfimas no chão.
Plantações e consciências abrem flôres
para quem as cultiva com trabalho,
não há parto que não conheça dôres;
não há treva que não fuja de espanto
ao sol, nem gota trêmula de orvalho
que não seja, também, gota de pranto...
Tudo é luta; nada se perde, nada;
O êrro na experiência se compraz.
Refaçamos a terra devastada;
olhando só para frente, não prá traz.
DAMIANI, Gigi. A volta. Tradução de Valerio Sálvio. A Plebe. São Paulo, ano 30, n. 1, p. 2, 01 mai. 1947. (Nova fase).
3:50 PM
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Quarta-feira, Setembro 10, 2008
Hoje, na troca de linhas do metrô, entrei no trem errado e fui parar na direção oposta à que eu queria. Tive que ir até o final do ponto do metrô e uma senhora, ali, entrou no trem e eu perguntei a ela qual era a melhor opção: sair e mudar de trem ou permanecer dentro daquele mesmo vagão do metrô? Ela me intruiu que bastava que eu ficasse ali. E me perguntou: por que você pegou o vagão errado? É sua primeira vez no metrô?
Respondi que saí rápido do vagão da linha dois e corri para pegar o da linha 1..., e nisso acabei fazendo confusão, subindo no trem que ia na direção errada.
Ela, então, me respondeu: por causa da pressa uma vez caí no asfalto e uma pedrinha afundou na minha mão. Tive que fazer cirurgia, anestesia e tudo mais. Mas não aprendi, e em outro tempo, na correria, caí e fraturei meus dois joelhos. Hoje não quero saber de correr mais. Agora aprendi a ter paciência. Deixei a correria para aqueles que não aprenderam com os machucados e com as linhas erradas do metrô.
9:16 PM
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Terça-feira, Setembro 02, 2008
Texto da Martha Medeiros publicado na Revista do O Globo.
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se
isso é possível, me ofereço como piloto de testes'.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa
profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias,
ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana,decido
o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco,almoço
com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites,
procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas
contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista,
mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa,
providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões
ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as
unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas
coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta
Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e
lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria
modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa
expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito
durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se
não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye
vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda
lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar
qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para
si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo
para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de
discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco
dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para
receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um
abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro
que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente,
para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e
profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de
ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa
caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a
ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito
antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não
for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando
provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o
mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais
elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher
que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e
vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana
para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que
nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado
pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso,
francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que
uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto
lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco
estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma
vida interessante'.
10:19 AM
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Domingo, Agosto 24, 2008
"If you’re so funny
Then why are you on your own tonight?
And if you’re so dever
Why are you on your own tonight?
If you’re so very entertaining
Why are you on your own tonight?
If you’re so terribly good-looking
Then why do you sleep alone tonight?
I know it’s over."
The Smiths
4:49 PM
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Sexta-feira, Agosto 08, 2008
"Você sabe, todas essas coisas que nos cercam na verdade passam, passam todas elas..." Dudjom Rinpoche (no Livro Tibetano do Viver e do Morrer)
4:39 PM
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Sexta-feira, Julho 18, 2008
Ontem uma pessoa chegou prá mim e me disse que me daria três conselhos motivacionais:
1) O mundo é cruel e desigual
2) ... e vai ficar pior
3) ... muito pior
Entendi a mensagem. Em vez de se ficar tendo esperança (pois essa palavra deriva de "espera"), temos que agir sobre o mundo, construir nossa prática, fazer acontecer nossa vida ao invés de ficar esperando que ela chegue.
10:25 PM
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Segunda-feira, Julho 14, 2008
Penso que produzo um mundo feliz para mim. Não tenho o que reclamar. Mas há um problema com os ditos mundos felizes. Eles trazem consigo o perigo insuspeito do comodismo, do conforto, da estabilidade. Devíamos sempre estar atentos ao veneno silencioso que é secretado pelos mundos felizes que, em sua estabilidade, podem nos conduzir a paralisias físicas e de pensamento.
Um pouco de bagunça é sempre bem vinda no sentido de remexer nas teias de aranha e inventar novos espaços a habitar.
1:22 PM
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Sábado, Julho 12, 2008
Camões escreveu: "Quem ama inventa as penas em que vive". "Quem ama inventa as coisas que ama", acrescentaria eu, se a tanto me atrevesse...
Mário Quintana
12:32 AM
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Sexta-feira, Julho 11, 2008
Comprei um livro em um sebo há pouco tempo. Um livrinho pequenino e apagado, só encontrado por conta de meu paciente garimpo. O nome dele é "A virgem e o cigano" de autoria de D.H.Lawrence. Gosto muito de ler Lawrence e sempre fico feliz em encontrar livros dele em um sebo, principalmente quando o livreiro, desconhecendo o valor da obra, coloca preços baixíssimos à preciosidade que possui. Nesse livro, me deparei com uma frase que achei muito interessante: "É muito mais fácil quebrar grades de prisões do que abrir portas para a vida". E fico pensando: muito mais fácil é agir contra algo do que nos conduzirmos quando nos dão liberdade. Lutar contra alguma coisa é ainda ter um limite, uma referência para a nossa ação. Mas quando nos deixam livres? Quando não nos atam em amarras? Contra o que lutaremos? Qual caminho seguiremos?
A angústia de sermos livres faz com que ansiemos por nossas antigas prisões.
***
Penso que o novo assusta mais do que encanta. Por mais que busquemos liberdade, temos pavor a ela porque tememos pela ausência de referências. Sempre estamos esperando por alguém que nos mostre um caminho. Como me disse certa vez um amigo: Nós queremos ser libertários, mas não sabemos ser livres. Eu particularmente concordo com ele. Ser livre é arriscar-se dentro de seu próprio sabor..., e o quanto todos nós ignoramos o sabor que temos...?! A nossa falta de coragem de colocarmos o que sentimos no mundo é que mata nossa criatividade. É mais seguro repetir o que deu certo (pior é quando esse tal certo vem da imposição dos outros e não da nossa própria experiência) do que inventar uma nova maneira de sentir, de viver, de estar junto.
Eu sou uma pessoa medíocre (no sentido em que estou dentro da média estatística), sou muitas vezes certinho demais, controlador demais..., mas ao mesmo tempo há algo em mim que me empurra para ousar, principalmente quando ninguém possui expectativa alguma a meu respeito. Esses lampejos de ousadia e honestidade para comigo mesmo às vezes assustam as pessoas que esperavam um comportamento adequado e padronizado da minha parte. Muitos se irritam, se decepcionam..., outros por sua vez abrem espaços dentro do vento de liberdade que eu ouso fazer soprar (para minha alegria e angústia)
10:33 PM
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Quarta-feira, Junho 25, 2008
"... Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais fortes, do café mais amargo...
Das idéias mais loucas, das aventuras mais excitantes...
Tenho uma mente voraz e os delírios mais doidos...
De tudo, quero sempre o melhor...
Você pode até me empurrar de um penhasco...
E daí ???
Eu sempre quis voar!..." (não conheço o autor, mas se você souber, me avise)
9:29 PM
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Sábado, Junho 14, 2008
É interessante quando a gente descobre o quanto é descartável. Acho importante darmos conta do quanto somos substituíveis..., sempre substituíveis..., por mais que acreditemos que somos importantes em alguma coisa.
Esta semana mesmo descobri o quanto sou facilmente substituível ( e provavelmente também esquecível)..., e penso que a gente ganha alguma tranqüilidade na vida quando assume essa verdade às vezes doída: o mundo não precisa da gente para ir em frente. Se a gente não fizer, outra pessoa o fará e talvez o faça ainda melhor.
Em um mundo onde todo mundo quer ser único, permanente, eterno, significativo, valorizado..., dar-se conta do quanto somos frágeis entidades substituíveis nos ajudará a tomarmos consciência que não somos deuses, mas gente..., só gente..., gente que tem seu valor no momento do agora, neste presente..., e que desaparecerá um dia, deixando pouco vestígio de sua passagem..., ou mesmo não deixando nenhuma pista de que esteve por aqui...
12:30 AM
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Domingo, Junho 08, 2008
"um pouco de possível, senão eu sufoco..." (Gilles Deleuze, no livro Conversações, pg. 131)
5:28 PM
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Quinta-feira, Maio 08, 2008
Tenho insônia antes mesmo de tentar dormir;
Talvez por medo dos pesadelos que guardo para mim...
Talvez por medo de não querer mais acordar.
Você sabe como são os sonhadores...
Quando seu mundo interior treme
Eles querem mesmo é parar de sonhar.
10:09 PM
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Quinta-feira, Maio 01, 2008
"Estamos cantando a la sombra de nuestra parra
una canción que dice que uno sólo conserva lo que no se amarra
y sin tenerte, te tengo a vos y tengo a mi guitarra.
Hay tantas cosas
yo sólo preciso dos:
mi guitarra y vos. " (Jorge Drexler)
12:06 AM
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Sexta-feira, Março 28, 2008
Percebo, com certa decepção, que estamos repletos de eruditos vazios. Pessoas que falam em liberdade, mas não conseguem exercê-la. Gente que fala em igualdade, mas não consegue praticá-la. Que defendem propostas de autonomia, mas se dedicam a práticas de infantilização do outro. As palavras são tão facilmente colocadas em discursos belos e bem remendados, enquanto as práticas são assim tão antagônicas às propostas revolucionárias instaladas nas palavras.
Deveríamos tentar viver o que falamos a fim de não nos tornarmos hipócritas dentro de um mundo de pessoas cegas a si mesmas. Que só conseguem ver o erro nos outros, mas não enxergam a própria limitação quando nadam em uma vida que não condiz com o que pregam com tanto fervor.
4:59 PM
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Quinta-feira, Março 06, 2008
"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente dos seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, guaguejando, pediu ao pai:
_ Me ajuda a olhar!"
Eduardo Galeano ( O Livro dos Abraços)
2:03 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Ah! a cada passo uma incerteza;
a cada momento um medo, uma confusão.
Mas que cada um construa a sua própria embarcação.
O mar é sempre igual aos olhos dos que comungam a mesma percepção.
Mas ele é muito mais amplo, profundo e surpreendente do que se pode imaginar....
A percepção do oceano é mutante para quem se atreve a navegar.
O barco de cada um de nós é uma diferença singular, que tem o poder de reinventar o próprio mar.
10:17 AM
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Sábado, Janeiro 26, 2008
Pé ante pé, a madrugada adentra a noite. Devagar e sonolenta, ela me leva para o dia de amanhã. O silêncio de tudo vai de encontro aos meus pensamentos (sempre indisciplinados, inquietos, revoltos). De certa maneira, eu agrido a sacralidade desse silêncio. Acredito que eu deva também me calar para poder escutar o tempo que passa, e que se renova, a cada segundo que se gasta.
Cada segundo é um novo começo; um convite de renovação que abortamos quando insistimos na manutenção de uma única vida, de uma única persona, de um único modo de sentir. Viva o que sente, mas não se apegue ao que pensa que se é, para não correr o risco de se transformar em uma estátua de si mesmo.
2:41 AM
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Segunda-feira, Janeiro 07, 2008
Terminei hoje de ler um livro, montado como uma história em quadrinhos, chamado “MAUS”. A história demorou cerca de vinte anos para ser terminada (1972 a 1991) e foi escrita por Art Spiegelman (ex-editor da revista The New Yorker). “MAUS” foi baseada nas experiências dos familiares de Spiegelman durante todo período da Segunda Guerra Mundial, quando muitos deles, como judeus, sofreram imensos infortúnios, perdas e mortes. Pelo trabalho em “MAUS”, Spiegelman ganhou o Prêmio Pullitzer em 1992. É uma obra muito verdadeira, onde a alegoria da história (em que os judeus são representados como ratos, os poloneses como porcos, os alemães como gatos, os franceses como sapos e os americanos como cachorros) em absolutamente nada infantiliza os relatos ou tira a crueza, a dor e o impacto das histórias – todas reais. Não há muita explicitação de violência física, ..., a violência mostrada é infinitamente mais sutil e marcante: a violência da indiferença do ser humano para com seu próximo. É uma obra prima que merece ser lida.

3:32 PM
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Domingo, Janeiro 06, 2008
Sabe o que mais me irrita nos orgulhosos? Essa insistência que eles têm de se auto-aclamarem humildes.
1:40 AM
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Há duas décadas eu tinha 16 anos. Era um menino quieto, mas amargurado. Não havia motivos exteriores sérios que justificassem minhas amarguras. Estas provinham de minha sensação de impotência em assumir minha vida com seus riscos e perigos. Muitas daquelas sensações foram colocadas em textos silenciosos, que só serviam para serem lidos por mim mesmo. Alguns desses textos são tolices românticas escritas para algumas namoradas impossíveis, mas outros textos são mais amplos em sentido. Nesta madrugada me encontrei com este que segue abaixo, escrito em 03/11/1988, às 22:05hs (segundo meus registros da época), e que eu coloco dentro da categoria de "mais amplos". Ele é aparentemente pessimista, meio triste, mas falava de uma libertação..., a minha libertação de uma série de sonhos que me paralisavam. Ao perder meus sonhos, fiquei perdido, mas também fiquei livre para outras vidas, outros mundos. Naquela época eu não percebi o fato de que me libertar dos encantos daquilo que me aprisionava foi o melhor presente que podia ter ganho para a construção de minha própria vida. Ainda estava cego ao fato de que, diante ao desmoronamento de meu castelo encantado, um horizonte lindo e amplo se abriu frente a meus olhos.
Cantiga do Nauta e do Sonhador
As ondas se acalmam no mar bravio.
As nuvens de tempestade começam a
Partir para algum distante lugar.
E meus sonhos também se acalmam.
A tempestade de pensamentos que agitava
Esses sonhos, está partindo.
E eu, ex-sonhador convicto, fico a
Encarar serenamente a realidade.
O nauta teve seu leme quebrado
Pelos relâmpagos destruidores.
Tive meus desejos podados, corrompidos,
Deturpados, humilhados, destruídos também.
Seria tão bom viver no mundo da
Fantasia, meu caro marinheiro.
Crer que o barco ainda tem leme,
Que o porto está próximo.
Crer que os sonhos se transformam em
Realidade, e que a vida tenha alguma
Validade.
Mas não nos esqueçamos, navegador:
Tu estás perdido no calmo mar,
E eu desordenado e sem sonhos,
Dentro desta patética realidade
03/11/1988
1:30 AM
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Terça-feira, Dezembro 25, 2007
"Já perdemos muito tempo brincando de perfeição.
Esquecemos o que somos: simples de coração!"
(Humberto Gessinger)
4:24 PM
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Segunda-feira, Dezembro 24, 2007
Quando os dias tiverem passado, depois desse silêncio tumular, lembre-se que nossa existência ainda faz sentido, mesmo que existamos dentro de um tempo minúsculo quando olhado em escala cósmica. Uma palavra, um gesto, um sonho..., tudo isso pode desaparecer no próprio ato em que foram criados, quanto também podem fazer mover pessoas, grupos e perspectivas. Não menospreze o efeito de seus atos e pensamentos. Se eles não mudam o mundo, mudam a forma como você se coloca no mundo. E isso já traz uma diferença muito grande, para o "bem" ou para o "mal", a cada pessoa que te encontra e que se contamina com sua presença.
12:18 AM
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Quinta-feira, Dezembro 20, 2007
O final de ano é cheio de mensagens de felicidade e realização. Tudo bem..., mensagens assim são boas, mas mais do que realização nós necessitamos é de coragem. Principalmente a coragem para ter uma postura ativa diante da vida. A postura ativa não tem nada a ver com o pensamento positivo ou coisas desse gênero. Na postura ativa, nós reconhecemos o nosso fracasso, reconhecemos nossos limites e fragilidades..., mas em vez de nos lamentarmos, fazemos a pergunta: "o que posso fazer a partir disso? Que recursos eu tenho para ir adiante?" A vida não é uma caixa de presentes deliciosos..., é sim uma caixa de desafios, repleta de presentes que a serem desembrulhados. Nem todos os presentes trarão alegrias..., mas serão propostas de movimento. Um novo ano bom será aquele que nos coloque diante a nossas fragilidades, e, assim, nos force a criar para além dos mundos de conforto nos quais insistimos em habitar.
"Tudo na terra está sujeito a mutação. À prosperidade segue-se a decadência. Esta é uma lei da terra. Não há planície que não seja seguida por uma escarpa. Aquele que se mantém perseverante quando em perigo, permanece sem culpa. Não lamente essa verdade. Usufrua a boa fortuna que ainda possui" (I CHING)
5:15 PM
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Domingo, Dezembro 09, 2007

4:03 PM
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Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
Aprender a ser pequeno é uma arte. Olhamos demais para as grandezas do mundo, mas ficamos cegos aos universos de sentido que se desdobram silenciosos dentro de nossos próprios jardins. Queremos muito das pessoas, do futuro, da vida, e não sabemos saborear os presentes que temos no agora. O grande desafio é aprender a enxergar o que temos em nossas mãos que, de tão óbvio e cotidiano, acaba por não ser nem mais visto, ou sentido, ou valorizado.
"Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas)"
Manoel de Barros (Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo)
10:07 PM
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Quinta-feira, Novembro 29, 2007
Não se esqueça disto: a vida é o que acontece no agora. Você poderia ter dito e feito muitas coisas sim. Poderia ter se expressado e atuado de outro jeito sim... E seu futuro pode vir a ser como você planeja, ou pode tudo dar errado por uma lufada do acaso e das circusntâncias. Mas o que você deveria ter feito ou que ainda vai fazer não suprime a importância do que você faz no agora, neste instante. O passado: água que escoou. O futuro: águas que virão. Mas é no presente que você exercita seu potencial de nadar entre essas águas. Não lamente pelo seu passado, ou habite em excesso dentro das alegrias que já se foram; nem se perca em devaneios quanto ao futuro: faça, sim, o melhor pelo seu presente.
10:31 AM

Passagens aereas baratas?
FLUIR EM DEVIR
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