Simonini
Mas pobre daquele que não pode se dar a um prazer sem pedir antes a permissão dos outros... Hermann Hesse
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Sábado, Julho 26, 2003

Algumas vezes eu me sinto pirado, enlouquecido, sem chão, sem lugar... Algumas vezes...

A loucura é quando se sente
tão sem abrigo, acuado,
que mesmo dentro da gente
qualquer refúgio é negado

( Arlindo Tadeu Hagen)

Algumas vezes eu me sinto correto demais, rígido demais, buscando certezas demais... Algumas vezes...

Uma linha reta
é uma linha sem imaginação

(Mário Quintana)

Algumas vezes eu me sinto sem rumo, perdido, sem ter por onde andar. Ás vezes penso que minha vida é
um descaminho... às vezes penso que é um constante reencontrar... Algumas vezes...

A vida é a arte do encontro
embora haja tanto desencontro pela vida

(Vinícius de Moraes)

... Algumas vezes...


, 3:32 AM


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Quinta-feira, Julho 24, 2003

VIDA

(de minha autoria, há alguns meses atrás)


A vida é como um bolo de chocolate... delicioso bolo que todos estamos ansiosos por provar.

Há aqueles que guardam o bolo. Esperam e esperam e esperam pelo momento mais apropriado de prová-lo. Mas o tempo passa e nunca o comem. O bolo mofa e fica com sabor de tempo perdido

Há aqueles que devoram o bolo com ansiedade, desesperados pela plenitude de seu sabor. Lambuzam-se afoitamente e perdem o sabor do bolo na pressa de sorvê-lo de uma só vez, como se o tempo fosse cessar no segundo seguinte.

Há aqueles que sabem se alimentar.

Não deixam o bolo mofar, mas também não o devoram como crianças desesperadas pela sobremesa.

Há um momento de preparação, de espera, de não aceleração das coisas.

Há um momento de agir onde, caso você não o faça, outro fará em seu lugar.

Os tolos não sabem esperar..., comem o cru, ... comem o que ainda está verde.

Os tolos esperam demais, na esperança de que os outros tomem a iniciativa e
façam por eles e para eles o que temem assumir como potência e risco.


Os tolos perdem a vida na pressa e no medo de viver.

, 9:47 AM


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Terça-feira, Julho 22, 2003

Gosto não se discute e, particularmente, para me ver feliz, é só me deixar sossegado em meio aos meus cds e livros. Tá vendo?! Preciso de muito pouca coisa para me satisfazer, o que de certa forma é bom. É quase como uma auto-terapia quando me encontro com músicas e textos que me ajudem a entender as coisas que sinto e não sei explicar. Já viram aquele filme O Carteiro e o Poeta? Há um momento em que o protagonista descobre na poesia de Pablo Neruda a descrição de uma sensação que ele sentia, mas não conseguia explicar..., até aquele momento. Com a poesia de Neruda ele encontrou um pouco de si mesmo. Livros, versos, músicas, filmes... essas ferramentas me ajudam também dentro desse processo. Não apenas a mim, mas a todos nós que paramos um pouco para escutar o que eles têm a nos dizer. Há alguns anos, encontrei-me com o grupo Engenheiros do Hawaii... o ano era 1988..., a música era Infinita Highway. Eu tinha dezesseis anos, no meio da adolescência, e tomado também por todos os medos e angústias dessa fase de vida. E, de repente, no som, a música anunciava ¿ EU VEJO UM HORIZONTE TRÊMULO. EU TENHO OS OLHOS ÚMIDOS. EU POSSO ESTAR COMPLETAMENTE ENGANADO, EU POSSO ESTAR CORRENDO PRO LADO ERRADO; MAS A DÚVIDA É O PREÇO DA PUREZA E É INÚTIL TER CERTEZA ¿ e eu me sentia meio redimido com relação a minhas dúvidas e incertezas pois a canção me permitia não saber para onde eu ia. Meu encanto pelos Engenheiros talvez seja por conta desse convite deles a uma canção mais intimista. Em um cd que lançaram há uns 10 anos há uma canção muito legal, mas muito pouco tocada nas rádios, chamada Não é Sempre. Quase ninguém a conhece. O começo da música é assim:


Às vezes parece que não tenho medo;
Às vezes parece que não tenho dúvidas;
Às vezes parece que não tenho nenhuma razão para chorar.
Você esquece que eu não sou de ferro ¿ e até o ferro pode enferrujar.
Você esquece que eu não sou de aço e faço questão de provar.
Olhe para mim enquanto eu me quebro.

Às vezes parece que tenho muito medo;
Às vezes parece que só tenho dúvidas;
Às vezes parece que não tenho nenhuma chance de escapar.
Você esquece que eu não nasci ontem, e até hoje sempre escapei com vida.
E para quem duvida de tudo o que eu faço, eu faço questão mostrar.
Olhe para mim ¿ enquanto - ... desapareço no ar.



E me diga: quem nunca se sentiu dentro desse paradoxo na vida? Nos vemos tão capazes e igualmente tão frágeis. Surpreendemos as pessoas e ao mesmo tempo sentimos que ninguém permite que fraquejemos... e tantas vezes nem nós mesmos nos oferecemos tal permissão.

, 6:47 PM


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Segunda-feira, Julho 21, 2003

Seção retratos de família. Eu com doze dias..., e meu pai trinta anos mais moço. Eu era uma fofura, né?!

, 1:10 PM



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