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Sexta-feira, Agosto 22, 2003

Lula é realmente um presidente de visão profunda e apurada a respeito dos problemas que inquietam a cabeça do homem brasileiro. E ele não tira o olho do problema :-)Veja aqui o olhar clínico do presidente.

, 11:43 PM

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Sobre Filosofia e Krishnamurti

Às vezes pensamos que o mais importante é a ação. Que filosofia é só blablabla sem sentido. No final das contas, ninguém come filosofia, não é mesmo? Porém, penso que nós estamos o tempo todo vivendo dentro de um mundo que construímos a partir de nossa própria experiência com os outros. Até mesmo nossos sonhos, não são apenas sonhos singulares, únicos, de nossa propriedade privada. Nossos sonhos fazem ressonância com os sonhos de nosso grupo cultural. Claro que o que eu sonho mantém as singularidades da pessoa que eu sou, mas ele nunca é descontextualizado das expectativas de felicidade e realização que passeiam pelo grupo dentro do qual eu nasci.

A filosofia me ajudou muito a ver que, de certa maneira e dentro de determinados limites, somos uma invenção possível. Quando penso no meu "eu" enquanto fato, perco uma outra dimensão de mim mesmo que é também possibilidade e desconhecimento. A filosofia nos oferece a chance de questionarmos o que acreditamos ser a Verdade, a fim de podermos pensar de outras maneiras: tanto produtivas quanto destrutivas. E pensar, e fazer pensar, são duas armas perigosas.

Dois pensadores "filósofos" em especial me são muito queridos: o francês Gilles Deleuze e o indiano Jiddu Krishnamurti. Ainda, um dia, irei escrever alguma coisa interligando a produção dos dois (mas não vai ser aqui no blog... prometo não encher demais sua paciência com meus devaneios).

Conheci Krishnamurti em um sebo irrisório que havia dentro de uma banca de revistas (banca que nem mais existe). Olhei para aquele livro dele, com um ilustrativo furo de traça que transpassava as páginas, e resolvi me aventurar a comprá-lo (uns 5,00) e lê-lo. Fiquei inquietado tanto pelas argumentações dele quanto pela vida que teve (pois não há uma obra desvinculada de uma biografia). Eu o enquadraria dentro de uma proposta de liberdade que não se fecha dentro de normas, padrões, regras..., algo que foge inclusive de uma perspectiva anarquista (pois o anarquismo, querendo ou não, se propõe como uma teoria).

Quando Krishnamurti fala de liberdade e felicidade, ele fala igualmente de morte. Ser feliz e ser livre é aprender a morrer todos os dias; é aprender a perder, aceitar perder e estar aberto para o imprevisível do próximo instante, em vez de impor à existência uma série de padrões de conduta e de pensar que, apesar de nos oferecer uma segurança, também nos aprisionam e produzem o medo da perda e o desejo de repetição, repetição, repetição (por mais que queiramos não repetir)..., pois não sabemos fazer outra coisa por medo igualmente de nos perder para sempre.

Te deixo aqui, então, com um pouco de Krishnamurti:

"Quando você se deleitar com uma coisa, quando escrever um poema ou ler um livro, quando dançar ou fazer qualquer outra coisa, deixe-a passar; não diga: 'quero mais'. Porque isso já será avidez e portanto não há mais alegria. Seja feliz no momento. Se for a claridade do sol, se deleite com ela, mas não diga 'quero mais'. Se forem as nuvens, deixai-as passar; elas têm também sua beleza. Não diga 'eu queria que o dia estivesse mais belo'. O que faz você infeliz é a exigência de 'mais'. Quando realmente deixar de pedir 'mais', quando não tiver mais ânsia aquisitiva, você terá alegria, sem o saber"

Você me dirá que isso é utopia. Eu te digo que você faz essa crítica baseado em um mundo que constrói a felicidade como acumulação (inclusive acumulação de bens espirituais para alcançar um pretenso céu ou uma pretensa melhor reencarnação). A proposta de Krishnamurti se situa em outra maneira de produzir o existir, que pode ser considerada insana para a maioria das pessoas; mas como diz o poeta T. S. Eliot: "Num país de fugitivos os que andam na direção contrária parecem estar fugindo".

, 8:24 PM


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Quinta-feira, Agosto 21, 2003

"Seguir viagem, tirar os pés da terra firme e seguir viagem..." Humberto Gessinger

Agora meus dias de viagem mudaram. Passo as terças e quartas no Rio de Janeiro, e o restante aqui na minha terra. Um restante que não é tão restante assim..., Sexta, Sábado, Domingo e Segunda pego a estrada outra vez. Vomitava demais quando eu era criança e, com isso, acho que deixei de gostar de viagens. Aprecio estar no lugar, mas não muito fazer o percurso. Quando fui estudar em Belo Horizonte, fui obrigado a me disciplinar com relação aos enjôos porque eu teria que viajar pelo menos uma vez por mês para voltar para casa. Consegui, pouco a pouco, controlar toda aquela indisposição que eu tinha em carros e ônibus ao circular pelas estradas tortuosas de Minas (em especial o trecho de Ouro Preto..., tem curva demais ali... e meu estômago era jogado de um lado para o outro... gosto nem de lembrar!)

Não enjôo mais, mas a sensação ruim que vem quando tenho que viajar não me abandona. Nem me digam para tomar dramin... odeio dramin..., só de ver ou pensar nesse remédio me dá arrepios porque ele igualmente me lembra viagens e a pressão que meus pais faziam sobre mim para tomar dramin :-)

Por outro lado, acho legal trilhar esses novos espaços (pois desde criança não gosto do Rio de Janeiro..., algo meio raiva/vergonha mesmo - sei porque, mas prefiro não dizer) e vou exorcizando pouco a pouco meu incômodo com o Rio e também aperfeiçoando minhas resistências às viagens..., aprender a amá-las mais do que temê-las

, 8:18 PM


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Terça-feira, Agosto 19, 2003

Oi de beija-flor

Oi pessoal que me visita!
Por excesso de atividades tenho estado um pouco ausente daqui. Mas, por favor, não desistam de mim ainda :-) Rapidinho eu estarei voltando ao velho ritmo.
Um grande abraço a todos vocês

, 3:57 PM



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