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O idealista termina a vida decepcionado porque ele só tende a ver o mundo igual a si mesmo. Como as coisas tomam caminhos inusitados e distintos, ele costuma considerar a expressão da diferença das coisas como sendo a perda de sentido do seu mundo ideal..., e acaba tendendo para desenvolver um ponto de vista e uma postura pessimista sobre as coisas..., Se o mundo não pode ser o seu mais sublime sonho (ou o reflexo perfeito de si mesmo), será o seu mais sublime pesadelo (ou o reflexo de seus medos). O pessimismo do idealista é seu último recurso para fazer do mundo ainda um reflexo de si mesmo. Por isso o idealista é também um narcisista.
... e após esse tortuoso inverno em que entramos, virá de novo a primavera com suas flores coloridas.
Molhemos a aridez momentânea de nossa terra com a água da esperança, da força e da alegria.
Umedeçamos toda essa seca tristeza.
As flores voltarão a brotar..., sem dúvida que brotarão!
Ainda que cresçam regadas por nossas lágrimas.

Uma coisa muito me preocupa: a estreiteza da visão. Não falo com isso de um problema orgânico que necessite ser corrigido com o uso de óculos. Falo de algo infinitamente mais sério e que não pode ser corrigido por um oftalmologista. A estreiteza de visão de mundo pode ter conseqüências muito mais sérias não apenas para um único indivíduo, mas para toda a raça humana.
Muitos já me criticaram pelo fato de eu não militar por um partido político em particular. Outros tantos me criticam por eu não defender uma religião específica. Para ambas as facções e grupos estabelecidos, eu não passo de um ingênuo alienado. Um parente certa vez me chamou de criança e de idiota por eu dar um opinião errada em uma conversa sobre política computacional brasileira, além de a maioria dos meus primos me considerar uma pessoa "avoada", lerda, despreocupada :-)
Mas não é esse tipo de "estreiteza" de visão que me preocupa. Não lido com a política institucionalizada da forma com que os militantes de carteirinha lidam. Não prego Bíblias, Alcorões, e textos sagrados..., muito menos fico a defender a veracidade de um dogma (ainda que, por essa rebeldia, acabe por receber os rótulos não agradáveis de "ateu" e "perdido"). Continuo sem entender da política computacional brasileira e admito publicamente que sou "avoado", lerdo e, em certos termos, despreocupado
Mas minhas preocupações residem sobre outras questões que me fazem diariamente desafiar minha estreiteza de visão de mundo diante da realidade que nos envolve.
Toda estreiteza é uma espécie de prisão, um mundo particular no qual só se adequa quem é meu igual, quem pensa igual, quem sente igual, quem sonha igual. A visão estreita de mundo, pressupõe uma concepção restrita e particular da realidade que condiciona a forma como observamos as coisas. Meu trabalho como pessoa vem a tentar ampliar as estreitezas (minhas e dos outros), explodir os guetos, inventar novos mundos possíveis.
Essa é a principal luta que atualmente se trava nos campos de batalha da humanidade. Uma luta sem armas, sem alaridos..., uma luta silenciosa da qual poucos se dão conta que está acontecendo. Todavia com o crescimento da insegurança do mundo, crescem também os modelos autoritários, microfascistas, que passam aos nossos olhos como se fossem coisas naturais. Quanto mais confuso o mundo que habitamos, mais necessitamos de algum porto seguro. Esse porto seguro pode ser uma religião, um partido político, uma ideologia, um sentimento patriótico ou a sensação de pertencer a um grupo determinado... Sejamos ricos ou pobres, intelectuais ou analfabetos, necessitamos todos de um território firme para viver.
Os problemas surgem quando esse território se torna um solo rígido, árido, que não admite mudanças. Alguns de nós cultivam territórios que são plantações diversificadas que possibilitam um melhor aproveitamento do solo; outros cultivam sempre uma única espécie da planta que acaba por exaurir o solo e expõe mais facilmente a plantação a pragas; outros nada plantam, nada cultivam, nada produzem: ou melhor, produzem a improdutividade.
Quando adentramos em uma religião ou um partido político, procuramos a nós mesmos, a Deus, a uma ideologia que explique-nos o mundo e nos ofereça uma paz de espírito.
A religião (seja católica, adventista, evangélica, protestante, umbandista, carismática, muçulmana, hinduísta, espírita, budista...) nos oferece uma visão de mundo, e cabe a cada um de nós transformar essa visão da realidade em algo estreito ou amplo.
Infelizmente muitas pessoas transformam suas escolhas religiosas em escolhas medíocres, considerando o seu modo de entender a Deus, comunicar com Deus, de viver Deus, como os únicos possíveis e permitidos. E ficam a condenar as outras religiões que não partilham de suas crenças; e ficam a condenar as outras pessoas que não comungam dos mesmos pensamentos. E para piorar, vivemos uma grande idolatria ao demônio, sendo que tem se falado mais do demônio (chamado também de "inimigo") do que em Deus, ou do sentimento de Deus.
Todos estão preocupados em espantar o demônio, em achar o demônio, em dizer que essa ou aquela pessoa ou religião está com o demônio... e se referem ao demônio com palavras bélicas, iradas, rancorosas, raivosas. Estamos à beira de uma nova caça às bruxas onde todos os que pensam e agem de forma diferente do estabelecido, correm o risco de serem considerados como estando do lado do "inimigo".
A estreiteza de visão faz com que esses idólatras do demônio não vejam o fato de que na escuridão de nada adiantam armas, berros, gritos e iras... Na escuridão basta a luz! A escuridão não é o oposto da luz, mas a ausência desta. Palavras de ira, condenação e culpabilização de nada adiantam. É necessário resgatar o amor, a compreensão, a aceitação do outro como ele é... É isso que ilumina as relações, e cria o sentimento de Deus.
O mesmo digo a respeito da política e das seitas políticas. De nada adianta pensar como Getulista, Petista, Henriquista..., é necessário se pensar em termos de raça humana como um todo. A política é necessária, mas não necessitamos de particularismos partidários que montam ideologias nas quais os outros indivíduos devem se adequar.
A política imita a religião em sua caça às bruxas e os homens se separam por causa de diferenças de crenças, quando na verdade deveriam se unir para dialogar e ampliar suas visões de mundo. É necessário se lutar por uma política sem partidos, uma política global não necessariamente unificada em um único pensamento ou consenso, mas que possibilite a existência da diferença não em termos de segregação, mas em termos de diálogo e criação de novos espaços de ser humano.
Essa luta contra a estreiteza de visão de mundo é uma luta individual e coletiva e, o mais importante, uma luta diária que se dá em todas as instâncias da produção humana: no trabalho, na família, no lazer, no contato com a TV.
Caiamos na real e olhemos de frente nossa cegueira e tiremos com prazer as traves que limitam nossa visão. Arrisquemos (ainda que com medo, mas por favor, arrisquemos) a questionar nossa estreiteza de mundo, antes que sejamos sufocados por ela, asfixiados pelo ar limitado e poluído que todos nós estamos produzindo neste planeta, principalmente a partir das idéias limitadas, ideológicas, partidárias, racistas e separatista... que construímos, levantando entre os seres humanos barreiras de ódio e não pontes de compreensão.
Para Detonar o nosso Egocentrismo
Um dia tudo virará lembranças..., e nós adubo de plantas