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O Grande Gatsby
Andei lendo muito nesses últimos dias. Devorei pelo menos uns quatro livros dos mais diferentes temas. Mas o mais legal é que retomei um tipo de leitura que eu havia deixado um pouco de lado que é o da literatura.
Mas de repente me vi imerso novamente no mundo das histórias, dos personagens, das tramas impressas no papel, mas que tomam colorido e movimento a partir do nosso olhar e do nosso sentir a partir do lido.
Como tive, nas terças e quartas feiras muito tempo livre na parte da tarde (pois durante este último semestre tive que passar esse dois dias no Rio de Janeiro - na UERJ - por conta de uma pós graduação que resolvi fazer) resolvi me esconder dentro das bibliotecas e, na acomodação do ar condicionado, ler histórias.
Há bem pouco tempo me encontrei com O Grande Gatsby. Quando criança havia visto o filme, mas a única lembrança que ele me deixou foi o sentimento de antipatia por Robert Redford.
Resolvi superar meu incômodo com Redford e mergulhei no livro. Encontrei uma história bem escrita, que tentava falar a respeito da inocência e do sonho de amor em meio a um mundo hipócrita dos novos ricos americanos da década de 20.
Gatsby nada mais é que um menino sonhador que, ao fazer fortuna, tem como grande objetivo reconquistar um grande amor adolescente. Possuía uma esperança ingênua de que reviveria os sentimentos de amor do passado agora que enriquecera e a sua condição financeira não seria mais problema para desposar sua amada.
Mas tudo não passou de um sonho..., um sonho do qual Gatsby não quis acordar. Um sonho dentro do qual Gatsby se perdeu...
E penso se isso também não acontece com todos nós que, com medo do presente, estamos sempre fugindo para o passado, tentando recuperar sensações e momentos que já estão mortos.
O passado é sempre mais lindo e inclusive nossas dores passadas parecem mais edificantes que as presentes. E dizemos: foi bom ter sofrido aquilo pois aprendi muito com o que aconteceu. Porém não temos a mesma disposição quando nos defrontamos com as dores que batem na nossa porta da frente.
Viver no passado, e de passado é temer viver.
Me encantei com os dois últimos parágrafos do livro sobre Gatsby, pois encontrei ali o meu próprio medo de viver:
"Gatsby acreditou na luz verde, no orgiástico futuro que, ano após ano, se afastava de nós. Esse futuro nos iludira, mas não importava: amanhã correremos mais depressa, estenderemos mais os braços... E, uma bela manhã...
E assim prosseguimos , botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado"
O futuro que Gatsby sonhava nada mais era do que uma reedição do passado perdido.