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Sábado, Abril 24, 2004

Já passei na minha vida várias horas solitárias com livros..., sendo contaminado com o pensamento que deles emanava e, de certa maneira, construindo outros pensamentos a partir desse contágio entre o que me chegava e o que eu já possuía. Relações de ódio e amor já travei com meus livros. Mas eles não são para mim verdades mudas na prateleira. São antes de mais nada ferramentas. Um livro aparentemente idiota pode muito bem funcionar como ferramenta para construir algo interessante. Ou um grande clássico pode de nada adiantar se eu não souber utilizá-lo.

Há pouco tempo redescobri um de meus antigos livros. Eu o comprei quando ainda fazia parte do Círculo do Livro . O Despertar dos Mágicos é um livro interessante por tratar da forma curiosa a respeito de temas como Alquimia, Ets, sexto sentido, física quântica, magia.



Em um dia desses eu o abri e comecei a reler um dos dois prefácios do livro..., e achei um trecho muito interessante onde ele cita as palavras de um autor para mim desconhecido, chamado Walter Rathenau...

Mesmo as épocas de opressão são dignas de respeito, pois são a obra, não dos homens, mas da humanidade, e portanto da natureza criadora, que pode ser dura, mas nunca absurda. Se a época em que vivemos é dura, temos o dever de amá-la ainda mais, de penetrá-la com o nosso amor, até que tenhamos afastado as enormes montanhas que dissimulam a luz que há para além delas.

Fico pensando..., a experiência de viver intensamente deve ter alguma coisa a ver com isso..., estar inteiro tanto na alegria quanto na dor..., envolver-se com o coração no momento presente em que se vive e, de certa maneira, amá-lo..., e não sair assim correndo, por medo de sentir, de sofrer, de viver, como a grande maioria de nós faz.

Por fugir da dor, a gente deixa de viver tanta coisa..., por querer perpetuar as alegrias a gente deixa de experimentar outras alegrias que não estavam registradas em nosso cardápio de vida. Amar a alegria e amar a dor..., talvez seja um dos caminhos possíveis para que consigamos sair das várias prisões que construímos para nós mesmos no decorrer de nossa curta vida.

, 5:19 PM


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Quinta-feira, Abril 22, 2004

Não me venha falar de coerência. Eu não sou coerente..., não ambiciono ser coerente. A coerência é própria daqueles que respondem fielmente ao toque do cabresto, seguindo uma linha reta sem retoques, desvios ou dúvidas.
Prefiro minha inconstância torta, a essa coerência pobre das vidas retilíneas.

, 5:02 PM


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Terça-feira, Abril 20, 2004

Superfícies e profundidades

Stella me escreveu hoje dizendo: vou comer um mexidão do gerais restaurante daqui a pouco,um abraço para vc, adorei seu blog...mas é muito profundo, muito adulto... bjos, Stella.

Achou meu blog por demais profundo. Mas não... ele não é não..., na verdade ele é superficial..., as coisas profundas escondem só escuridão..., as coisas superficiais trazem em si mais luz... Fujo das profundidades (onde há sempre aumento da pressão)..., o que escrevo se pretende a agilizar a vida, movimentando as superfícies sempre lisas..., sempre claras..., sempre em vias de explodir possibilidades de expressão - sejam elas minhas ou de outros.

, 8:41 PM



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