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Se há amor
Quando nos apaixonamos, perdemos um pouco o sentido da realidade. A vida parece um sonho quando o sonho se torna uma verdade.
Todas as pessoas que conheci e conheço procuram por um amor. E quando pensam que o encontraram, choram, lutam, digladiam-se por ele em um egoísmo quase doentio.
Não quero me tornar um gladiador para manter junto a mim o meu amor. A luta pela posse termina ferindo tanto o "possuído" quanto o "possuidor". Ninguém pode se eleger dono de ninguém.
Duas pessoas permanecem juntas pelo amor porque querem e não porque são forçadas. Outras tantas que vivem forçosamente juntas, estão na realidade há muito separadas.
Se você ama, você solta e não prende.
Se há amor, você abre os olhos da pessoa amada para deixá-la ver horizontes cada vez mais extensos e não procura exigir que tais olhos dêem atenção apenas ao que você vê.
Se há amor, há também compreensão mútua; existe uma aceitação do outro como ele é e não se procura exigir de ninguém a agir como um farsante.
Se há amor, a chama do carinho não morre, ainda que o tempo, o cotidiano e o sofrimento castiguem o fogo.
Se há amor, minha querida, nossos corações pulsarão um pelo outro e serão como um farol a guiar-nos nas tempestades e escuridões da vida.
Ninguém sabe doar nada hoje em dia. As pessoas só querem receber. Se há amor, você dá e não pede nada em troca.
Se há amor, o carinho brota do fundo da alma e não apenas das palmas das mãos.
Se há amor, mas o outro não mais te quis, você o deixa partir e deseja ( ainda que com o auto-sacrifício martirizando o coração) "que ele ao menos seja feliz".
Se há amor, mas você quis partir, só espero ter forças para desejar que você encontre um novo amor que possa te fazer mais feliz do que eu te fiz.
Li há pouco tempo, numa dessas mensagens que aportam em nossas caixas de e-mail, que não se deve esperar pela felicidade, mas procurar por ela. Não concordo com isso. Não concordo que a felicidade seja algo pelo qual se espere. Não concordo que a felicidade seja algo que esteja escondida em um lugar, esperando para ser achada. Fico pensando muito nesse negócio de felicidade. Todas as pessoas que conversam comigo buscam por ela, e choram por ela, e se deprimem por ela. Têm a ilusão de que irão encontrá-la em algum lugar: ou no futuro, ou em um emprego novo, ou quando ganharem na loteria, conquistarem um amor, comprarem um carro... E essa tal felicidade acaba sempre parecendo que escapa por entre os dedos... Parece que se fica tão próximo a ela e de repente...
É por essas e outras que penso que a felicidade não é um lugar a se encontrar, mas uma condição a se inventar neste momento, no aqui-agora. O desafio de reinventar o jeito de olhar. Descobrir novas paisagens em meio às repetições do nosso cotidiano. Isso me faz lembrar as sábias palavras de Gilles Deleuze, apresentadas lá em cima do blog: "Os modos de vida inspiram maneiras de pensar, os modos de pensar criam maneiras de viver."
Faça a felicidade acontecer nessa sua semana... não espere que ela chegue, não espere descobri-la.