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"Os modos de vida inspiram maneiras de pensar, os modos de pensar criam maneiras de viver." Gilles Deleuze
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Sábado, Dezembro 03, 2005

Nós pensamos sempre da maneira que melhor nos convém, não importa a qualidade do pensamento. Nossos pensamentos surgem muitas vezes como recursos para nos protegermos de outros modos de nos olharmos e a nossas relações. Pensamentos de guerra/amor, prisão/liberdade, vida/morte,..., aparecem como funções adaptativas. O suicida produz um pensamento de morte tão forte que ele se vê embuído da certeza de que a execução final será a solução para os problemas, e arquiteta seu plano de aniquilação tomando cuidado para que ninguém saiba..., e se souberem..., pouco irá importar uma vez que ele já está imbuído de sua certeza. O suicida luta por sua certeza de morte e faz de tudo para não se decepcionar com a verdade que cultivou.

Assim, em termos de cultivo, cultivamos sentimentos todos os dias, e estes emergem do conjunto de nossos pensamentos. Assim, nossos sentimentos são igualmente úteis para nos proteger dentro dos mundos que criamos. Se tenho ódio de alguém, não me venha você querer me convencer que aquela pessoa é digna de atenção. Se tenho amor por alguém, não me venha querendo me convencer de que esse alguém pode estar me enganando. Lutamos pelas certezas de nossos sentimentos.

Desafie um depressivo a ser alegre...
e um ateu a se converter...
e um pastor a questionar a existência de Deus
e a pensar Deus não como bom, nem como perfeição, nem como causa primeira...
Desafie um celibatário a viver sem culpa os prazeres da carne...
e uma acomodado a sair de seu lugar comum...
Desafie o fóbico a abandonar o medo e abraçar o risco...
Desafie qualquer um à experiência de uma diferença radical...

... Desafie... e você ficará frustrado com o resultado (caso espere que as pessoas optem pela mudança)

Cada um se agarra a sua própria dor, alegria e auto-imagem como sendo um tesouro intransferível. Cada um se agarra sua religião, ao seu amor, a sua tristeza ou felicidade, como sendo a única opção possível. Cada um se amarra a seu próprio personagem social (tímido, extrovertido, burro, inteligente, capaz, incompetente, doutor, zé ninguém) como sendo o único e permanente papel.

Dessa maneira, a puta nunca pode ser também santa, e o inteligente também ser medíocre. Exige-se do outro e de si mesmo um personagem estático..., e "que decepção" quando você não consegue cumprir esse personagem para si mesmo e para o mundo.

Essa necessidade do estático se dá porque a flexibilidade e o movimento apavoram essas vidas ansiosas por certezas, vidas que, se não podem ter garantias sobre um futuro de alegrias, tendem a se aferrar nas tristezas e frustrações do presente com a segurança de estarem se agarrando a uma verdade inconstestável.

Tente se olhar de uma maneira completamente diferente de como você se enxerga. Produza uma outra forma de andar, respirar, concluir, experienciar..., invente para si um novo personagem social inusitado..., e verá o quanto a vertigem tomará conta dos seus passos; o quanto a culpa avassalará seus pensamentos; o quanto a angústia do desconhecido te forçará a retornar ao velho papel de velhos e reconhecidos medos, expectativas, sonhos e direções. E esse caminho já conhecido, com seus medos, alegrias e dores previamente mapeados, pode até não te satisfazer (sendo que você pode nutrir uma vontade de mudar), porém, feliz ou infelizmente, os buracos dessa estrada já conhecida te poupam da dor de trilhar caminhos desconhecidos que te obriguem a conjuntar o verbo reiventar.

Assim, por mais que doa, tendemos a pensar sempre da maneira que melhor nos convém a fim de deixar tudo como está.

, 8:08 PM


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Quinta-feira, Dezembro 01, 2005

Para aqueles que moram na cidade de Viçosa/MG e imediações:

A Associação de Psicólogos de Viçosa, com o apoio do Serviço Psicossocial da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários da UFV, promove, dias oito e nove deste mês, evento que terá como tema A PSICOLOGIA: DESPERTANDO SENTIDOS. As atividades serão divididas em duas partes: na quinta-feira, dia oito, às 19h30, no Salão Paroquial do Santuário de Santa Rita de Cássia, ocorrerá uma dinâmica interativa sob a coordenação da psicóloga Dolores Pena Sollero, abordando o tema 'Reconstruindo pontes com a vida'.

No dia seguinte, às 18h30, no auditório do Centro de Ciências Exatas da UFV (ao lado do Banco do Brasil), haverá a apresentação do Psico-cine. Na ocasião, será exibido o filme 'A Vida em Preto e Branco', que será analisado psicologicamente, sob a condução da psicóloga Maria Josely Horta.

As atividades têm como principal objetivo problematizar a vida, e os sentidos que as pessoas vão construindo no decorrer da mesma. Esses sentidos podem tanto aprisionar em maneiras de viver empobrecidos quanto também lançar as pessoas para a produção de outras formas de enxergar e produzir vida.

, 10:05 PM



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