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Em uma palestra me perguntaram, através de uma bilhete anônimo: sexo é pecado?
Penso que o sexo, em si, nunca foi pecado. O sexo, enquanto algo que envolve expressão, produção, invenção de um prazer, criação de um novo existir, abertura de experiências..., enquanto algo que produz vida..., não pode ser considerado pecado.
Isso porque mesmo o sexo, em seu aspecto biológico, não é um ato de reprodução mecânica, já que o ser que emerge da prática sexual não reproduz o pai e a mãe, emergindo sempre como uma entidade singular, nunca repetível.
Pecado é quando usamos do sexo, do trabalho, dos relacionamentos, das idéias e dos pensamentos para produzirmos a paralisia da vida, a morte das expressões, o aprisionamento das experiências e afunilamento dos horizontes. O ato pecaminoso é aquele que faz núpcias com a ausência de vida, a ausência de horizontes, a morte de um possível.
Dessa maneira que penso que, de repente, podemos fazer de nosso existir (seja individual ou coletivo) um grande pecado contra a vida. Ou também uma grande virtude, uma grande potência, um grande ato de criação.
E diariamente me encontro dançando entre o pecado e a virtude..., diariamente...
"A vida não é filme,
Você não entendeu...
Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu
Prá ver o que se passava no seu coração;
se o que você fazia era certo ou não
A vida não é filme,
Vicê não entendeu.
De todos os seus sonhos não restou nenhum.
Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu.
E só você não viu..., não era filme algum." (Paralamas do Sucesso)
"A existência está disposta a dar, mas você não está disposto a receber porque está pensando em como agarrá-la. Por favor renda-se. Por favor entregue-se. Você não pode roubar a vida. Deixe a vida acontecer; não tente forçá-la." Osho