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"Os modos de vida inspiram maneiras de pensar, os modos de pensar criam maneiras de viver" Gilles Deleuze
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Sábado, Julho 11, 2009
O QUE É BONITO?
Lenine
O que é bonito
É o que persegue o infinito.
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado;
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não.
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito.
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra.
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra.
Eu quero tudo
Que dá e passa.
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça.
O que é bonito...
3:12 PM
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VOCÊ E EU*
Você, que pensa em outra pessoa,
não vê que seu olhar cassoa desse sentimento que há em mim.
Você com seu sorriso contagiante; com sua alegria transbordante;
não vê o que me aconteceu.
Eu perdi o rumo do meu destino,
perdi minha esperança de menino
dentro do meu amor que morreu.
Eu, que voava junto a passarinhos,
caí em um abismo sem seus carinhos:
carinhos que fazem tanta falta a este corpo meu.
Nós, que tivemos momentos de sorrisos,
agora estamos cada um para um lado,
negando-nos palavras e abraços
ainda que sejam só de amigos.
Nós, que começamos tudo por acaso,
agora estamos de novo separados e partidos.
Você, triste por não possuir seu antigo amor passado.
Eu, triste por ter te perdido.
*versos de minha autoria, compostos em uma tarde de Domingo no mês de maio do distante ano de 1991.
2:17 AM
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Sexta-feira, Julho 10, 2009
É interessante como precisamos dos problemas para andar prá frente. Às vezes fico com medo de mim mesmo. Às vezes sinto que me acomodo dentro de determinado conforto e eu nem via que estava assim tão acomodado. Eu tinha um fusca que ganhei de meu pai. Quando casei e tive minha filha, ficar com um fusca não tinha muito jeito porque tudo ficava apertado demais e eu não tinha coragem de viajar longas distâncias com aquele carro. Comprei então um Monza 1994 que me serviu muito bem, até que as peças dele, todas originais, demonstrassem estar em estado de envelhecimento. O Monza é um carro muito bom, mas quando vc tem que trocar tudo que é original nele, significa que é hora de passá-lo para frente. Diante a esse problema, vendi o Monza e comprei outro carro: um Corolla, porque me falaram que carro da Toyota não dá problema. Porém tive problemas. Como minha casa não tinha garagem, alugava a garagem do prédio vizinho. Porém, alegaram que meu novo carro chamava muito a atenção e, com medo de que ele estimulasse a entrada de ladrões no prédio, me convidaram a sair. Fiquei com o carro novo estalando na rua, o que me forçou a construir uma garagem em um espaço que eu não tinha em minha casa. Hoje a garagem está pronta, com portão eletrônico e tudo mais. Foi então que fiquei pensando: se eu não tivesse tido filho teria comprado o Monza? Se o Monza não tivesse desgastado, teria comprado o novo carro? E se eu não tivesse sido expulso da garagem que alugava, teria construído a nova garagem?
Por isso que penso que nossos problemas são pequenas dádivas: nos forçam a dar um passo para além do comodismo.
8:26 PM
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Quinta-feira, Julho 09, 2009
Será que Sarkozy está rindo do fato de Obama parecer ficar seduzido pela ameaça vermelha? Nada como uma saia bem torneada para virar a cabeça de presidentes :-)
Assista aos comentários do pessoal da ABC News norte americana sobre esse fato aqui:http://abcnews.go.com/video/playerIndex?id=8049121

7:21 PM
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Quando as coisas parecem sem saída; quando as possibilidades se esgotaram; quando a impotência da circunstância toma conta de seu dia...; o desespero não vai te levar a lugar algum. Na tempestade, na crise, no conflito, é sempre importante estar inteiro, munido do melhor de suas forças. O desespero solapa nossas energias e obscurece nosso foco de atenção. É quando tudo está desabando que nossos sentidos necessitam de maior acuidade. Quando a impotência toma nossos dias é que precisamos cultivar nossa potência de inventar a vida. Não fuja da existência e de suas responsabilidades como uma criança mimada; nem fique perdendo preciosas horas lamentando o que deveria ter sido. Se você só existe no agora, é apenas no agora que você poderá tomar efetivas atitudes para atenuar as consequências das tempestades.
10:24 AM
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Quarta-feira, Julho 08, 2009
Há um grande problema quando nos aventuramos a sonhar. Nós achamos que só seremos felizes e realizados se tais sonhos se materializarem dentro do período de nossa história de vida. Parece que nossa felicidade é computada pela quantidade de sonhos que realizamos... o que pode ser uma proposta um tanto perigosa. Muitos dos nossos sonhos ficarão pelo caminho e nem por isso podemos dizer que teremos vidas mais infelizes dos que aquelas que idealizamos oniricamente. Tentar concretizar sonhos é importante, mas também assumir as possibilidades de vida que se tem no presente – mesmo que estas não se traduzam dentro do nosso sonhar – é igualmente de extrema importância. Vidas potentes não são necessariamente aquelas que se sustentam na incerteza de um futuro sonhado, mas na força da vida exercida, praticada, respirada e sentida no agora. O nosso desafio é habitar o presente e fazer do mesmo um dia que valha a pena. Se nesse habitar conseguimos igualmente materializar os sonhos, isso é outra história. O mais importante é não deixar que os sonhos nos alienem no que podemos efetivamente fazer com o que temos agora em nossas mãos.
9:44 AM
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Terça-feira, Julho 07, 2009
Michael Jackson morre. E seu funeral parece ser seu último grande show. E daqui a alguns anos, ele estará “esquecido” enquanto ser humano para se tornar um mito. É sempre bom criar mitos pois eles são os substitutos modernos dos santos medievais e heróis gregos. O homem inseguro, que rejeitava entrar na maturidade, que rejeitava a si mesmo, tomado por uma ânsia de perfeição que o fez deformar seu próprio corpo e, por fim, matá-lo,... esse homem desaparecerá e ficará em cena..., num eterno palco petrificado..., o pop star. Mas se Michael Jackson pode ser definido como um símbolo, penso que não o faz necessariamente como um modelo de músico, mas sim como um modelo da angústia humana de querer sempre mais, na busca de um tipo de ideal que só existe no plano da fantasia e que cobra seu preço – um alto preço – a todos aqueles que acreditam poder atingi-lo.
9:39 AM
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Domingo, Julho 05, 2009
WATCHMEN
Li Watchmen (uma história em quadrinhos) pela primeira vez em 1986, quando tinha 15 anos. Fiquei assustado e encantado com a criatividade narrativa do escritor Alan Moore. Até então não havia lido - em termos de quadrinhos - nada como essa história, que possuía uma crueza, uma profundidade argumentativa e montagens narrativas que até então em nunca encontrara e, até hoje, considero raro de achar. Considerado por muitos anos infilmável, Watchmen foi trazido às telas de cinema em março de 2009 em meio a muita polêmica. Muitos o acharam profundamente tedioso, longo (a versão de cinema tem mais de duas horas e meia de duração) e violento. Agora, escrevo sobre Watchmen muito tempo depois de o filme ter sido lançado nos cinemas. Acompanhei o frisson do lançamento, e toda a enxurrada de elogios e ferozes críticas ao filme. Acompanhei também a decepção financeira que ele se tornou, quando se esperava que a antológica história de Alan Moore conseguisse ser tão degustativa quanto um saltitante Homem-Aranha, ou uma pancadaria generalizada como Transformers, X-Men III, Velozes e Furiosos ou Wolverine. Foi depois de tudo isso que apenas ontem eu tive a oportunidade de assistir a esse filme... E fiquei impressionado com o que assisti. Efetivamente não é um filme para ser visto por aqueles que querem ação desvairada e historinha linear com heróis lutando contra um vilão, onde tudo termina com final feliz. Watchmen coloca em cena diálogos que nos remetem a problemáticas humanas e não se resume a pancadarias. Mais que uma mera ficção científica, cabe perfeitamente dentro da categoria de drama. Isso deve ter decepcionado milhares que foram ao cinema assistir a um filme de ação vertiginosa. Há ação, há muita violência, porém o centro da história não se sustenta nisso. Há questões morais colocadas em cena que são muito mais atraentes. Fiquei chocado com o quanto o diretor conseguiu conduzir a história de maneira tão próxima ao que foi feito nos quadrinhos, preservando tudo o que vale a pena em Watchmen. Sugiro que, antes de se assistir ao filme, se assista ao documentário "Sob o Capuz" (encontrado no DVD "Contos do Cargueiro Negro"), o que produzirá uma sensação de familiaridade com o universo de Watchmen análogo ao que se sente quando se lê "Sob a Máscara", tal como foi publicada em meio à história em quadrinhos. Para maiores (e melhores) informações, clique AQUI
3:03 PM

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